Para facilitar a análise e o investimento em ações, a B3 (a bolsa de valores brasileira) organiza as empresas em setores. Entre eles, está o setor financeiro, o qual contempla as instituições bancárias que decidiram abrir o seu capital no mercado brasileiro.

Quem deseja expor o seu capital a esse segmento, pode se interessar pelas ações do Banco do Brasil (BBAS3) — o banco mais antigo do país. Porém, antes de investir nele, é pertinente explorar um pouco da sua história, os detalhes sobre as suas ações e a situação atual do setor.

Então prossiga com a leitura deste conteúdo preparado por nós, da Genial, explorando qual é o setor que as ações BBAS3 estão inseridas e o que saber antes de investir.

Boa leitura!

Por que investir em ações?

Antes de conhecer o Banco do Brasil (BB), é válido entender o que leva as pessoas a investir em ações na bolsa de valores.

Confira abaixo alguns motivos!

Chances de ganhos com a compra e venda dos papéis

O primeiro ponto que você deve ter em mente é que as ações integram a classe dos investimentos de renda variável. Nesse sentido, não é possível saber com antecedência quais serão os resultados obtidos ao investir nesses ativos.

Logo, diferentemente do que acontece na renda fixa, os ganhos com ações não são limitados a uma taxa de juros ou indicador financeiro. Na verdade, a precificação de uma ação é feita pelo mercado, conforme a lei da oferta e demanda.

Dessa forma, o aumento no número de investidores comprando um papel contribui para que a sua cotação suba. Já se o número de pessoas vendendo for maior que o de pessoas comprando, a tendência é que os preços caiam.

Essa constante variação de preços permite que o investidor realize lucros ou prejuízos ao negociar ações na bolsa. Como não há um prazo para o vencimento do investimento, você decidirá qual é o momento mais apropriado para encerrar a sua posição.

Então uma negociação pode durar um dia, semanas, meses ou anos, a depender do perfil e dos objetivos do interessado. Essa flexibilidade operacional quanto ao lucro e prazo costuma atrair aqueles que aceitam correr esse tipo de risco no mercado.

Possibilidade de recebimento de renda passiva

Ainda que muitos investidores busquem lucros com a compra e venda de ações, existem outras formas de ter ganhos financeiros com esses ativos. No mercado, as ações perfazem a menor parte negociável do capital social de uma empresa.

Nesse contexto, ao adquirir os papéis, você se torna sócio de uma companhia. É importante mencionar que todo acionista tem o direito de participar de parte dos lucros de um negócio, na proporção de ações adquiridas.

Isso acontece porque a lei das sociedades por ações (Lei das S.A.) determina que, a cada exercício, parte do lucro empresarial deve ser distribuído entre os acionistas em forma de dividendos. Por conta disso, o investimento em ações é bastante procurado por quem deseja obter renda passiva.

No entanto, é importante registrar que, apesar da obrigatoriedade, as empresas podem definir o percentual e a periodicidade da distribuição de dividendos. Além disso, é essencial que a companhia tenha realizado lucro para que haja o pagamento desse provento.

As maiores distribuidoras de dividendos geralmente são empresas já conhecidas e consolidadas no mercado. As organizações listadas há pouco tempo ou que estão em fase de crescimento tendem a reinvestir os seus lucros e, assim, não costumam distribuir dividendos.

Grande variedade de ativos em negociação

Quem já acompanhou um dia de pregão na B3 deve ter percebido a grande variedade de ações negociadas. Diante disso, você não precisa limitar os seus investimentos a uma opção ou segmento específico.

Na verdade, você pode se tornar sócio das mais variadas companhias e participar dos resultados de diferentes setores da economia. Inclusive, muitos investidores aproveitam a existência de múltiplos ativos para montar carteiras diversificadas.

A diversificação aumenta o nível de proteção do seu portfólio, assim como potencializa os seus resultados. Isso acontece quando o investidor distribui o seu capital em ativos distintos de modo estratégico — preferencialmente em alternativas descorrelacionadas ou com correlação negativa.

A premissa é investir em ativos que possam apresentar um resultado diferente diante de uma mesma condição de mercado. Assim, mesmo que um deles apresente um resultado ruim, os ganhos realizados com os demais podem mitigar eventuais prejuízos observados.

Tenha em mente que se você investir todo o seu capital em apenas uma ação, os seus ganhos ou prejuízos dependerão exclusivamente dela. Logo, a existência de diversas alternativas no mercado acionário também serve como um atrativo para o investidor.

Qual é a história do Banco do Brasil?

Após entender alguns dos motivos que atraem o investidor para o mercado de ações, vale conhecer um pouco da história do Banco do Brasil se você tem interesse em investir nessa instituição. Ele esteve presente em muitos momentos da história brasileira, veja os principais!

Brasil colônia

O Banco do Brasil foi criado em outubro de 1808, por ordem do príncipe Dom João VI, poucos meses após chegar ao Brasil. Nesse período, o país era uma colônia de Portugal e a família real buscava refúgio contra as guerras na Europa, capitaneadas por Napoleão Bonaparte.

Cerca de uma década após a sua criação, o BB realizou a sua primeira oferta pública de ações no mercado de capitais brasileiro. Ademais, o banco financiou a criação da primeira bolsa de valores, na cidade do Rio de Janeiro.

Com o fim da guerra e a morte de Napoleão, não havia mais justificativa para permanência da corte portuguesa no Brasil. Assim, Dom João VI retornou a Portugal em 1820, deixando Dom Pedro (o seu filho mais velho) como Príncipe-Regente do Brasil.

No ano de 1822, Dom Pedro declarou a independência do Brasil. O reconhecimento da independência por Portugal se dá em 1825. Oito anos mais tarde, a família real sacou os recursos depositados no Banco do Brasil e encerrou a primeira fase da instituição.

Brasil império

Os primeiros anos do Brasil como nação independente foram marcados por fortes problemas econômicos. Para dar suporte ao país e enfrentar os desafios do período, o comerciante Inácio Ratton fundou o Banco Comercial do Rio de Janeiro, em 1838.

A partir dos anos de 1850, o país entrou em uma fase de prosperidade com a plantação e exportação de café. Na ocasião, Irineu Evangelista de Souza, também conhecido como o Barão de Mauá, lançou diversas indústrias e uma nova instituição financeira sob o nome de Banco do Brasil.

Em 1853, aconteceu a primeira fusão entre bancos no país: o Banco do Brasil, do Barão de Mauá, e o Banco Comercial, do Rio de Janeiro. Dez anos após a fusão, o BB se tornou o único emissor de moeda do território nacional.

Já no ano de 1866, a atribuição de emitir a moeda brasileira passa à Casa da Moeda. No mesmo período, o Banco do Brasil se tornou o principal captador de depósitos e fornecedor de empréstimos no país.

Brasil república

Com a abolição da escravatura, em 1888, o BB começou a financiar a substituição da mão de obra escrava pelos imigrantes europeus e a produção agropecuária. O fim da escravidão deu início a um movimento que culmina com a Proclamação da República já no ano seguinte.

O novo Governo democrático originou diversas instituições, entre elas o chamado Banco da República dos Estados Unidos do Brasil. Em 1893, essa instituição bancária se fundiu ao BB e, em 1905, a União Federal assumiu o controle acionário e administrativo da entidade.

O século XX acabou sendo um período bastante conturbado para o Brasil e o mundo. A Primeira e a Segunda Guerras Mundiais trouxeram grandes mudanças na política e na economia global. Na época, o banco criou planos de Previdência Privada, crédito agrícola, entre outros produtos.

Com o fim da guerra, surgiu a Sumoc (Superintendência da Moeda e do Crédito) para exercer o controle da moeda. Na sequência, os anos de 1950 e 1960 foram marcados por um forte crescimento econômico e a sede do banco foi transferida para Brasília — a nova capital do Brasil.

Ditadura militar

No ano de 1964, líderes civis e militares deram um golpe de Estado, derrubando o presidente João Goulart. Logo após o golpe, eles criaram a Lei da Reforma Bancária, extinguindo a Sumoc e dando origem ao Banco Central do Brasil (Bacen) e ao Conselho Monetário Nacional (CMN).

Com isso, o BB deixou de ser o responsável pelo controle da moeda, que passou a ser uma atividade exclusiva do Bacen. No período, o banco começou a expandir o seu portfólio de produtos, agências, bem como a buscar crescimento no mercado internacional.

Entre as décadas de 1970 e 1980 o país passou por altos e baixos na economia. A crise do petróleo enfraqueceu o governo militar, que deixou o poder em 1985. No ano seguinte, o Banco do Brasil se tornou uma instituição completa, atuando em todos os segmentos do mercado financeiro.

Nova república

Com o fim da ditadura, o Brasil se deparou com a chamada inflação galopante, que desorganizou a sua economia. Nesse contexto, a participação do Banco do Brasil foi essencial para a retomada econômica. Com a criação do plano real em 1994, a instituição realizou a maior troca física de moeda já feita no mundo.

A partir de 1995, o BB passou por uma forte reestruturação e investiu na sua modernização. Em 1998, ele se tornou o primeiro banco a obter o certificado ISO 9002 em análise de crédito e inaugurou seu centro tecnológico, com equipamentos de primeira linha.

Com a virada do milênio, o banco conseguiu superar os desafios tecnológicos e a globalização do mercado. Em 2008, com a crise imobiliária norte-americana, diversas outras instituições bancárias foram incorporadas ao Banco do Brasil, que se tornou uma das maiores instituições bancárias do país.

Atualmente, a sua principal função é oferecer produtos e serviços financeiros como conta corrente, empréstimos, previdência e seguros. Além de ser essencial para o setor financeiro nacional, ele também tem um papel relevante no agronegócio do país.

Isso porque o banco financia grande parte das exportações e contribui para o desenvolvimento de micro e pequenas empresas. Além do Brasil, ele está presente em diversos países.

O que são as ações BBAS3 e em que setor elas estão inseridas?

Agora que você conhece a história do Banco do Brasil, chegou o momento de aprender o que são as ações BBAS3 e em que setor elas estão inseridas.

Ao abrir o capital na B3, toda a companhia recebe um código de negociação para as suas ações — também chamado de ticker. Ele é uma sequência composta de letras e números. Aqui, as letras fazem referência ao nome empresarial e o número diz respeito ao tipo de ação emitida.

Os principais números são:

  • final 3: representa as ações ordinárias (ON), que garantem o direito a voto nas assembleias da companhia;
  • final 4: representa as ações preferenciais (PN), que asseguram a preferência no recebimento de dividendos;
  • final 11: representa as units, que perfazem cestas de ações ON e PN, mas também podem dizer respeito a ativos negociados em cotas — como fundos imobiliários (FIIs) ou de índice (ETFs).

Portanto, o ticker BBAS3 identifica as ações ON do Banco do Brasil. A título de curiosidade, elas foram as primeiras ações a serem lançadas no mercado brasileiro, o que aconteceu no ano de 1906.

Como você aprendeu, as ações do BB estão inseridas no setor financeiro da B3. A estrutura para a classificação setorial é elaborada considerando-se, principalmente, os tipos e os usos dos produtos ou serviços desenvolvidos pelas empresas.

Além disso, cada setor possui subdivisões e segmentos que refinam ainda mais a atividade e a classificação das companhias listadas em bolsa. Nesse contexto, os papéis BBAS3 integram o subsetor de intermediários financeiros e, dentro dele, o segmento dos bancos.

Quais são os tipos de ações do Banco do Brasil?  

Depois de 100 anos de listagem, o Banco do Brasil decidiu mudar os seus papéis para o segmento com o maior nível de governança corporativa da bolsa — o Novo Mercado. Com isso, ele precisou fazer diversas mudanças em relação a sua estruturação para se adaptar às regras.

Também foi preciso converter todos seus papéis para ações ON com direito a voto, sendo as únicas encontradas em negociação atualmente. Em março de 2022, o Banco do Brasil tinha 2.865.417.020 ações emitidas, distribuídas da seguinte maneira:

  • União Federal — 50,0000011%;
  • Capital no país — 27,5%;
  • Capital estrangeiro — 22,1%;
  • Tesouraria — 0,4%.

Em dezembro de 2009, o BB lançou seu programa de ADR (american depositary receipt). Com isso, as ações do BB passaram a ser negociadas no mercado de balcão dos Estados Unidos na proporção de 1:1 (uma ação para cada ADR), sob o ticker BDORY.

O titular da ação ou ADR possui o direito de participar do recebimento de dividendos. Além desse provento, o Banco do Brasil também é conhecido por distribuir juros sobre o capital próprio (JCP) — outro tipo de provento pago em dinheiro.

Contudo, é válido destacar que a distribuição desses proventos depende da realização de lucros por parte da companhia. Isso significa que a existência de resultados positivos no passado não garante que a instituição conseguirá mantê-los no futuro. Caso o desempenho seja negativo, o pagamento pode ser suspenso.

Então, se você tem o interesse em montar uma carteira para receber renda passiva, precisará ficar atento aos resultados apresentados por cada empresa investida. Nesse contexto, pode ser o caso de diversificar o portfólio para aumentar as chances de recebimento de proventos frequentes.

Como está o panorama do setor financeiro no Brasil?

O setor financeiro é um dos mais fortes da economia brasileira. Ainda que a condição econômica mundial entre em crise por conta de guerras, pandemias ou mudanças políticas, os bancos tendem a apresentar resultados positivos.

Como exemplo, considere a pandemia de covid-19, em 2020. Nesse período, muitos brasileiros perderam o emprego, empresas fecharam e o Brasil voltou ao mapa da fome, mas grande parte dos bancos realizou lucros. Isso em razão da adoção de políticas defensivas como:

  • fechamento de agências;
  • demissões;
  • redução de custos;
  • adoção do home office;
  • entre outras.

Além disso, com o agravamento da crise, é bastante comum que pessoas físicas e jurídicas precisem recorrer aos empréstimos bancários. Nessas ocasiões, o Governo ajusta as taxas de juros abaixando ou não, como forma de aquecer a economia, o que tende a beneficiar essas instituições, principalmente em casos de juros altos como aconteceu durante a pandemia da Covid-19.

Ademais, as medidas para diminuir a evolução e contágio da covid-19 viabilizaram a redução de diversos custos das instituições bancárias. Por exemplo, a necessidade de evitar o uso de papel em espécie diminuiu gastos com a segurança e o transporte de valores.

Por outro lado, aumentou as despesas com implementação de tecnologia com serviços digitais e soluções automatizadas. Logo, muitos bancos estão atualmente investindo na digitalização e automatização de seus serviços, especialmente diante do surgimento do open banking.

Essa tecnologia permite aos bancos compartilharem informações e serviços entre seus clientes, por meio da integração de seus sistemas. Portanto, a tendência é que o setor financeiro continue em expansão para os próximos anos e revele oportunidades interessantes de investimento.

O que analisar antes de investir em BBAS3?

Se ao chegar nesse ponto você entender que o investimento em BBAS3 faz sentido para a sua carteira, precisará saber o que analisar antes de investir.

Confira abaixo as principais dicas!

Analise o seu perfil de investidor

A realização de qualquer tipo de investimento demanda a análise prévia do seu perfil de investidor. Ele revelará o seu apetite aos riscos e permitirá que você tome decisões de investimento mais conscientes.

No mercado existem três perfis principais:

  • conservador: é o investidor que prefere segurança à rentabilidade;
  • moderado: é aquele que aceita correr mais risco, sem deixar de considerar a segurança;
  • arrojado: é o investidor que prioriza rentabilidade, independentemente dos riscos.

Normalmente, o investimento em ações é realizado por quem tem o perfil moderado ou arrojado. Entretanto, nada impede que o investidor conservador invista em ações, bastando reduzir a sua exposição a esses ativos, por exemplo.

Trace os seus objetivos com antecedência

Investir sem ter um objetivo traçado com antecedência pode dificultar a sua jornada no mercado financeiro. Afinal, você não saberá quando deverá encerrar uma posição, realizando um lucro ou prejuízo. Então é importante ter objetivos bem definidos antes de fazer seus investimentos.

Ao definir os seus planos, fica mais fácil selecionar os investimentos mais apropriados para atingi-los. Por exemplo, quem tem o interesse em receber renda passiva pode se interessar em investir em alternativas que paguem dividendos ou JCP periodicamente.

Faça uma análise fundamentalista

Os investidores que já têm experiência no mercado costumam tomar suas decisões com base na análise fundamentalista. Por meio dessa técnica, eles estudam os fundamentos de uma empresa ou fundo para saber como está a sua atual situação financeira e suas perspectivas futuras.

Isso envolve a análise dos dados fornecidos pela organização para o mercado. Assim, é possível avaliar fatores como saúde financeira, qualidade da gestão, nível de endividamento, entre outros. Para a realização dessa análise, é comum a utilização de indicadores como:

  • Ebitda (earnings before interest, taxes, depreciation and amortization);
  • DY (dividend yield);
  • DP (dividend payout);
  • ROE (return on equity);
  • ROI (return on investment);
  • Entre outros.

Busque por suporte profissional

Uma dica bastante valiosa e que pode ser determinante para que você tenha êxito no mercado é buscar por suporte profissional. Investir sozinho é uma possibilidade presente na bolsa de valores, porém, ela pode não ser a mais eficiente.

Por exemplo, você pode ter acesso à Genial Analisa, uma plataforma que busca propagar conteúdo financeiro de qualidade. Como resultado, você tem acesso a dados para tomar as melhores decisões de investimentos, seja em ações ou em outras alternativas presentes no mercado.

Afinal, a Genial Investimentos conta com uma equipe de analistas qualificados. Eles possuem expertise para fazer análises de ações, montar carteiras recomendadas, bem como abordar questões sobre swing trade e day trade.

Além disso, conosco, você terá acesso gratuito ao home broker, uma plataforma digital para acompanhar a cotação de diferentes ativos e derivativos em tempo real. Mas, se você preferir, poderá contratar plataformas trader para fazer suas operações com mais agilidade e praticidade.

Neste artigo, você conheceu as ações do Banco do Brasil (BBAS3) e viu que elas permitem participar dos resultados do setor financeiro da bolsa. Porém, se você for investir, não deixe de analisar o seu perfil e objetivos, fazer uma análise fundamentalista e contar com suporte profissional.

Quer começar a investir no mercado acionário com a Genial Investimentos? Abra já a sua conta e confira todos os nossos benefícios!

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