Para compor uma carteira diversificada e mais adequada para o seu perfil de investidor e objetivos financeiros, é interessante conhecer diversas alternativas de investimento. Se você busca títulos de renda fixa para sua estratégia, vale a pena conhecer o certificado de recebíveis (CR).

Esse título é uma novidade criada em 2022 e traz oportunidades interessantes aos investidores. Entretanto, antes de efetuar a aplicação, você deve compreender as características desse título, assim como seu funcionamento, vantagens e riscos.

Ficou interessado no assunto? Nós, da Genial, preparamos este conteúdo para que você conheça o certificado de recebíveis e as principais características desse título. Continue a leitura!

O que é um certificado de recebíveis?

Em maio de 2022 foi publicada a Medida Provisória n.º 1.103/2022, criando o certificado de recebíveis e dispondo sobre as regras desse título. Mais tarde, a MP foi convertida na Lei n.º 14.430/2022, tornando a norma vigente por tempo indeterminado.

O certificado de recebíveis é um título de renda fixa de crédito privado emitido por empresas chamadas de securitizadoras. Dessa maneira, a aplicação está lastreada em direitos creditórios de companhias que realizaram a antecipação de recebíveis.

O processo de securitização consiste na compra de direitos creditórios de determinada empresa pela securitizadora. Ou seja, as vendas parceladas, duplicatas, notas fiscais e os recebíveis de cartão de crédito são adquiridas pela securitizadora. Então ela efetua a antecipação de recebíveis.

Ou seja, a securitizadora realiza o pagamento à vista para a empresa, aplicando um deságio sobre o valor antecipado. Depois de adquirir esses direitos creditórios, a dívida passa pela securitização.

Nesse momento, a securitizadora pode emitir títulos de dívidas com lastro nos direitos adquiridos do credor. Essas aplicações são oferecidas para os investidores interessados, que agora serão credores do emissor do título.

Como funciona um certificado de recebíveis?

Como você viu, os CRs são títulos lastreados em direitos creditórios que passaram pela securitização. Sendo um investimento de renda fixa, o funcionamento da aplicação é parecido com o de outras alternativas dessa classe.

Isto é, ao comprar um CR, você passa a ser credor da instituição emissora, que deverá devolver o dinheiro investido mais a rentabilidade combinada na data de resgate. Desse modo, o funcionamento se assemelha a um empréstimo.

Nesse caso, o investidor é o credor — que empresta dinheiro — e a securitizadora é o devedor — que recebe o dinheiro e deve realizar a quitação posterior. Caso queira investir, você pode encontrar o título nas plataformas de corretoras de valores, analisar as características e realizar a aplicação.

Quais são as principais características dos CRs?

Todos os certificados de recebíveis funcionam da mesma maneira — como títulos de dívida. Contudo, eles podem ter características diferentes, pois quem escolhe alguns detalhes sobre o funcionamento é o próprio emissor.

Veja as principais características do CRs!

Rentabilidade

A rentabilidade diz respeito ao ganho que o investidor terá com o título de renda fixa. Essa característica é determinada pelo emissor da aplicação. Portanto, você pode encontrar diferentes rentabilidades no mercado financeiro.

De forma geral, os títulos de renda fixa podem se encaixar três tipos de rentabilidade:

  • prefixada: os ganhos seguem um percentual fixo anual, como 10% ao ano;
  • pós-fixada: a rentabilidade segue um índice financeiro escolhido pelo emissor, como o Certificado de Depósitos Interbancários (CDI);
  • híbrida: une características dos tipos anteriores. Dessa forma, a rentabilidade segue um índice financeiro somado a uma taxa prefixada, como Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) + 5% ao ano.

Não existe um tipo de rentabilidade melhor do que outra, pois cada uma pode trazer vantagens e desvantagens. A prefixada garante mais previsibilidade para você, tendo em vista que já se sabe exatamente quais serão os ganhos com aquele investimento.

Já na pós-fixada não há tanta previsibilidade, mas ela não fica limitada a um número específico. Então se o índice escolhido tiver uma valorização grande durante o investimento, os ganhos poderão ser maiores do que em um título prefixado, por exemplo.

Por fim, na alternativa híbrida você terá uma combinação da rentabilidade prefixada e pós-fixada. Como títulos com essa rentabilidade geralmente seguem um indicador de inflação, eles oferecem ganhos acima da perda do poder de compra.

Prazo de resgate

Outro ponto que você deve entender sobre os certificados de recebíveis é o prazo de resgate ou data de vencimento do título. Ele se refere ao período em que é preciso deixar o investimento aplicado para receber os ganhos.

Em muitos casos, não é possível ou fácil realizar o resgate antecipado, pois os títulos têm liquidez no vencimento. Logo, avaliar o prazo da aplicação é fundamental para ter um bom planejamento e escolher entre as alternativas de CR da melhor forma.

No mercado financeiro é possível encontrar diversas alternativas de prazos nos títulos como os CRs, sendo que o médio e longo prazo são os mais comuns. Caso você precise do dinheiro antes, será preciso negociar o certificado de recebíveis no mercado secundário.

Contudo, a prática pode gerar perdas na rentabilidade ou até no dinheiro investido. Isso porque o comprador pagará o valor de mercado do título, que pode ser menor do que o que você investiu. Assim, é válido realizar um planejamento financeiro para evitar o resgate antecipado.

Tributação

Também é relevante considerar a tributação aplicada aos certificados de recebíveis. Afinal, ao calcular a rentabilidade real de um título você deve considerar as taxas e impostos cobrados, pois eles diminuirão o valor recebido ao final.

Nesse caso, é cobrado o Imposto de Renda (IR) por meio de uma alíquota aplicada sobre a rentabilidade recebida. Os títulos de renda fixa costumam seguir uma tabela regressiva, considerando o tempo de investimento, e aqui não é diferente.

A tabela considera a seguinte regressão:

  • resgate em até 180 dias: alíquota de 22,5%;
  • resgate entre 181 e 360 dias: alíquota de 20%;
  • resgate entre 361 e 720 dias: alíquota de 17,5%;
  • resgate após 720 dias: alíquota de 15%.

Desse modo, quanto mais tempo você deixar o seu dinheiro investido, menor será o pagamento de Imposto de Renda.

Riscos

Muitos investidores mais conservadores ou que buscam segurança para alcançar um objetivo financeiro buscam títulos de renda fixa. Mas, apesar de eles serem mais seguros e relativamente previsíveis, ainda há riscos a serem considerados.

Nesse contexto, é importante saber que os certificados de recebíveis não possuem a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Portanto, caso ocorra problemas financeiros com o emissor do título, o investidor pode ter dificuldade em resgatar a sua aplicação e receber os valores devidos.

Para minimizar esse risco, é fundamental efetuar uma boa avaliação antes do aporte. É comum que as agências de riscos classifiquem os emissores conforme a segurança esperada da empresa. Dessa forma, pesquisar a classificação de risco do emissor previamente trará mais segurança.

Quais as vantagens do CR?

Anteriormente, você conheceu alguns riscos de investir em certificados de recebíveis. Agora é o momento de entender quais são as vantagens desses títulos.

A primeira delas é a previsibilidade de rendimentos: como você viu, a rentabilidade — ou sua lógica — é conhecida antes mesmo do aporte. Quem deseja um investimento sem muitas oscilações e com garantias de resultados, pode se interessar nesses títulos.

Ademais, por não ter garantia do FGC e isenção de tributação, é comum que os emissores potencializem a rentabilidade desses títulos. Essa é uma estratégia adotada para atrair investidores. No entanto, isso não é uma regra. Logo, você deve avaliar as alternativas com atenção.

Qual a diferença do certificado de recebíveis para o CRI e CRA?

Após conhecer todos esses detalhes sobre os CRs, quem já está mais familiarizado com títulos de renda fixa deve estar se perguntando a diferença dele para os CRIs e CRAs.

Os certificados de recebíveis imobiliários e do agronegócio realmente possuem características bastante parecidas com os CRs. Afinal, todos os três são títulos de dívida emitidos por empresas securitizadoras de crédito.

Logo, as principais características da renda fixa — como a rentabilidade, resgate ou segurança — estão presentes nas três aplicações. No entanto, há diferenças que podem ser relevantes no momento de escolher o seu título.

Primeiramente, o lastro dos CRs, CRIs e CRAs é diferente. O CRI deve ser lastreado por direitos creditórios relacionados ao mercado imobiliário. Já o CRA tem seu lastro em operações que dizem respeito ao agronegócio.

Por sua vez, os certificados de recebíveis não têm essa limitação. Ou seja, os direitos creditórios que dão lastro a eles podem ser de qualquer modalidade. Eles foram criados justamente para ampliar as possibilidades de investimentos para além dessas duas áreas.

Outra diferença relevante é que os CRIs e CRAs são isentos de Imposto de Renda. A ideia é estimular o investimento nesses títulos, tendo em vista que as áreas a que eles estão ligados têm grande importância para o desenvolvimento nacional.

Como investir em um certificado de recebíveis?

Se você se interessar pelas características dos CRs e definir que eles fazem sentido para seu perfil e objetivos, deve saber como investir. Como vimos, esses títulos são negociados por meio de plataformas de corretoras de valores.

Dessa maneira, você deve ter uma conta em uma instituição que disponibilize títulos desse tipo e que seja confiável, como a Genial. Depois, é só transferir recursos para sua conta e escolher o título que é mais adequado para suas necessidades e estratégia de investimentos.

Pronto! Agora você já conhece o certificado de recebíveis e sabe como ele funciona. Como essa alternativa ainda é nova no mercado, vale a pena dar atenção especial à análise, verificando se ele pode trazer benefícios para sua carteira.

Ficou interessado em investir em CRs e outros títulos? Então vem ser Genial!

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