Investir significa estar constantemente exposto às flutuações do mercado financeiro. Afinal, diversos fatores são capazes de impactar a economia do país, influenciando diretamente os investimentos e a gestão das finanças pessoais.
Mas isso não significa que o investidor não possa se proteger dos movimentos ou até aproveitar as oportunidades que eles oferecem. Uma das estratégias mais eficazes nesse sentido é acompanhar os indicadores econômicos — fundamentais para entender o cenário atual.
Confira, neste artigo, quais são os principais indicadores econômicos, sua importância e como acompanhar as suas variações!
O que são indicadores econômicos?
Os indicadores econômicos são uma série de dados estatísticos que ajudam a compreender as complexidades da economia. Eles funcionam como um termômetro, medindo a saúde e as tendências econômicas de diferentes segmentos ao longo do tempo.
Com base nesses dados, analistas, investidores e gestores conseguem tomar decisões mais informadas no mercado financeiro. Assim, há como avaliar oportunidades de investimento, definir estratégias, ajustar preços, medir os resultados de uma carteira, entre outras ações.
Além disso, empresas e instituições financeiras utilizam os indicadores para otimizar sua atuação, buscando garantir estabilidade e crescimento sustentável. O Governo também se apoia neles para formular políticas públicas que promovam o desenvolvimento econômico e social.
Qual é a importância dos indicadores econômicos?
Após conferir o conceito por trás dos indicadores econômicos, pode surgir a dúvida sobre qual é a sua importância, não é mesmo? Como você viu, eles fornecem informações relevantes sobre o desempenho econômico por meio de diversas métricas.
Para quem investe, a análise dos indicadores econômicos é fundamental. Afinal, ela permite prever tendências do mercado, identificar os setores mais promissores, projetar os eventuais ganhos a serem obtidos com investimentos e muito mais.
Por exemplo, diante de um cenário econômico expansionista e com juros em queda, é mais comum que os investidores deixem de alocar em alternativas de renda fixa pós-fixadas. O motivo é que essas aplicações tendem a ter a sua rentabilidade reduzida nessas ocasiões.
Inclusive, há casos em que os investidores resgatam suas aplicações de renda fixa em busca de oportunidades na renda variável. O contrário também acontece, pois, quando os juros estão em alta, muitos operadores migram seu capital da renda variável para a fixa.
Mas a análise e tomada de decisão somente é possível fazendo a leitura de indicadores econômicos. Por essa razão, ela se torna indispensável para quem investe e deseja melhorar seus resultados no mercado.
Tomar decisões sem conferir esses elementos tende a prejudicar sua jornada como investidor e diminuir as suas chances de êxito. A razão é que o investidor poderá navegar contra uma tendência no mercado e deparar com prejuízos.
Quais são os principais indicadores macroeconômicos?
Sabendo da importância dos indicadores econômicos, vale conferir quais são os mais relevantes para o mercado nacional. Assim, as suas decisões de investimento podem ser mais bem orientadas — aumentando as chances de alcançar os resultados desejados, concorda?
Conheça os indicadores econômicos mais relevantes no Brasil!
PIB
O PIB (Produto Interno Bruto) representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país em determinado período. Ele é usado para medir a saúde da economia de uma nação, mostrando sua capacidade de produção, o nível de demanda e o poder de compra da população.
Quando o PIB cresce, mais postos de trabalho costumam ser gerados e a qualidade de vida tende a aumentar, assim como a confiança dos consumidores e investidores. Já a queda do PIB sinaliza problemas econômicos, como queda na produção, aumento do desemprego e menor confiança no mercado.
A leitura do indicador permite entender a situação da economia e da indústria brasileira. O investidor consegue usar as informações para decidir se esse é o momento apropriado para seguir com um investimento.
Balança comercial
Já a balança comercial é um importante indicador econômico que reflete o volume de comércio entre uma nação e seus parceiros internacionais. Ela contabiliza a diferença de valor entre os bens e serviços que um país exporta e os que ele importa.
Quando as exportações superam as importações, a nação tem um superávit comercial. Essa hipótese é interpretada como um sinal de força econômica, por indicar que o país está produzindo mais do que consome e, portanto, vendendo mais para outras nações.
Por outro lado, um déficit comercial se dá quando as importações excedem as exportações, indicando que a economia interna depende de produtos estrangeiros. Tanto superávits quanto déficits geram reflexos na taxa de câmbio, política econômica, relações comerciais, entre outros fatores.
Câmbio
A taxa de câmbio representa o preço de uma moeda quando comparada a outra. É o caso, por exemplo, da cotação do real em relação ao dólar americano. A taxa não é estática e costuma variar devido a diversos fatores econômicos, políticos e sociais.
As flutuações cambiais são relevantes por afetarem diretamente o custo dos produtos importados e exportados, podendo alterar os preços no mercado interno e impactar a inflação. Além disso, as variações no câmbio influenciam as decisões de comércio exterior das empresas.
Portanto, entender o câmbio contribui para avaliar o cenário econômico global e tomar decisões informadas no ambiente corporativo e nos investimentos. A sua análise também permite elaborar estratégias para evitar perdas geradas pela desvalorização do real, por exemplo.
IPCA
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) é o medidor oficial da inflação brasileira. Ele reflete o aumento ou a diminuição dos preços em diferentes setores, como alimentação, habitação, vestuário, saúde e transporte.
Ainda, o IPCA é usado para medir a rentabilidade real dos investimentos. Afinal, ao longo do tempo, o dinheiro perde poder aquisitivo por conta dos efeitos da inflação. Logo, descontar as perdas inflacionárias dos resultados obtidos possibilita visualizar se houve aumento efetivo do capital.
O índice também é fundamental para a política econômica do país. Ele ajuda o Bacen (Banco Central) a executar as políticas monetárias necessárias para atingir a meta de inflação anual definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). Manter a inflação dentro da meta é decisivo para a estabilidade econômica do Brasil.
INPC
O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) também mede a inflação no país. No entanto, ele foca nos itens consumidos por famílias com rendimentos entre um e cinco salários mínimos. O seu uso é comum como referência para o ajuste de salários, pensões e outros benefícios sociais.
Dessa forma, o INPC tem um papel significativo na economia. Ele demonstra o efeito das variações de preços sobre o poder aquisitivo das famílias de menor renda.
Além de refletir o poder de compra dos cidadãos mais vulneráveis, o INPC influencia políticas públicas voltadas à melhoria das condições de vida dessa população. Assim, ele é um indicador vital para buscar a igualdade econômica e social no país.
IGP-M
O IGP-M (Índice Geral de Preços — Mercado) é outro indicador econômico de inflação relevante no Brasil, que serve como balizador para ajustes em diversas áreas financeiras. Sua aplicação mais conhecida é no reajuste de contratos de locação de imóveis.
Mas o IGP-M também pode ser usado para ajustar tarifas públicas e atualizar contratos que preveem correção monetária. Ele é composto por três diferentes índices que, juntos, oferecem uma visão abrangente da inflação, veja:
- IPA (Índice de Preços por Atacado): reflete os preços no mercado atacadista;
- IPC (Índice de Preços ao Consumidor): traz as mudanças de preços para o consumidor final;
- INCC (Índice Nacional de Custo da Construção): mede a evolução dos custos na construção civil.
A combinação dos índices permite que o IGP-M seja um termômetro eficaz das tendências inflacionárias, orientando decisões econômicas tanto no setor privado quanto no público.
Selic
A Selic, conhecida como taxa básica de juros, é um dos principais instrumentos de política monetária do Brasil. Ela exerce influência direta sobre todas as taxas de juros do país, incluindo aquelas aplicadas a empréstimos, financiamentos, investimentos e poupança.
O Bacen a utiliza para manter a inflação dentro das metas estabelecidas. O aumento da Selic, por exemplo, torna o crédito mais caro para frear o consumo e, consequentemente, a inflação. Já a sua diminuição costuma estimular o crescimento econômico, ampliar o acesso ao crédito e aquecer o mercado.
No campo dos investimentos, uma Selic elevada tende a beneficiar as novas aplicações de renda fixa, pois ela contribui para o aumento da remuneração paga. Por outro lado, a sua queda normalmente gera o efeito oposto, reduzindo a rentabilidade dessas alternativas.
CDI
O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é a taxa usada como referência para as operações de empréstimos e financiamentos entre instituições bancárias. No Brasil, há uma determinação do Bacen que proíbe as instituições financeiras de encerrarem o dia com o seu caixa negativo.
Nesse contexto, é comum elas fazerem empréstimos de curtíssimo prazo entre si para atender à norma. A média das taxas praticadas nessas operações dá origem ao CDI, ficando um pouco abaixo da Selic.
O indicador também é usado para remunerar investimentos de renda fixa. Eles incluem os CDBs (certificados de depósito bancário), as LCIs e LCAs (letras de crédito imobiliário e do agronegócio), fundos de renda fixa, entre outros.
Taxa referencial
A TR (Taxa Referencial) já foi o principal indicador de juros no país, sendo substituído pela Selic. Contudo, ela continua sendo usada para a correção de valores em diversos tipos de operações financeiras. Sua aplicação mais conhecida é no cálculo dos rendimentos da poupança.
Quando a Selic supera os 8,5% ao ano, os depósitos na caderneta são remunerados mensalmente em 0,5% mais a TR. Caso a Selic fique igual ou abaixo desse patamar, o rendimento da poupança passa a ser de 70% da Selic, acrescido da TR.
Além disso, a TR é utilizada para fazer ajustes monetários nos saldos das contas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Ela também afeta determinados financiamentos imobiliários e títulos de capitalização que têm os reajustes baseados na taxa.
Como acompanhar indicadores econômicos?
Agora que você viu que existem diferentes indicadores econômicos, a questão que falta responder é como fazer o seu acompanhamento, certo? Uma das maneiras mais recomendadas é buscar por fontes confiáveis.
Grande parte dos indicadores que você viu podem ser consultados no site do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O motivo é que muitos deles são calculados pelo próprio órgão e disponibilizados para consulta com atualização periódica.
O site do Bacen permite fazer o acompanhamento de indicadores como Selic, TR, CDI, taxa de câmbio, entre outros. Além dessas fontes, diversos sites de instituições privadas oferecem análises detalhadas e perspectivas adicionais.
Plataformas especializadas em notícias econômicas e relatórios de mercado também são úteis para investidores e gestores de empresas. Afinal, eles fornecem informações que podem influenciar decisões importantes sobre investimentos e estratégias de negócios.
Quais são os indicadores econômicos de uma empresa?
Além dos índices macroeconômicos que você aprendeu, quem tem o interesse em investir em companhias precisa ficar atento à existência de indicadores empresariais. Eles ajudam o investidor a avaliar a saúde financeira do negócio e entender se vale a pena se expor a ele.
Entre os principais exemplos, estão:
- Ebitda (earnings before interest, taxes, depreciation, and amortization): representa o lucro operacional do negócio antes de juros, impostos, depreciação e amortização;
- ROE (return on equity): mede a rentabilidade do patrimônio líquido da empresa, indicando se ela consegue gerar retorno para seus investidores;
- P/L (preço/lucro): apresenta a relação entre a cotação e o lucro de uma ação, ajudando a determinar seu preço está alinhado ao desempenho da empresa;
- DY (dividend yield): traz o retorno pago em forma de dividendos sobre os ativos de uma companhia em relação ao preço de seus papéis.
Para monitorar esses indicadores, o interessado pode se valer dos relatórios financeiros emitidos pelas empresas, disponibilizados nas páginas de RI (relação com investidores) de seus sites. Contudo, você tem a possibilidade de ler análises realizadas por plataformas ou profissionais do mercado.
Um exemplo são os relatórios gerados pela Genial Analisa,feitos por um time de analistas qualificados. Eles têm o objetivo de descomplicar o mercado financeiro para que você invista com eficiência e simplicidade — então não deixe de aproveitar, combinado?
Chegando até aqui, você aprendeu o que são os indicadores econômicos, qual a sua importância e como fazer o seu acompanhamento. Aproveite as informações para ajustar as suas estratégias de investimento e nortear as suas escolhas.
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