Saber qual é o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) hoje é importante para tomar decisões de investimentos, afinal, ele está relacionado a diversas alternativas do mercado. Isso ocorre porque o índice costuma ser utilizado como referência de rendimentos.
Além de conhecer o seu patamar, vale a pena compreender melhor o indicador e suas variações. Ele ainda ajuda a interpretar os movimentos da economia e o contexto em que os investimentos estão inseridos.
Neste artigo, você verá as principais informações sobre o CDI hoje, seu potencial de rendimento mensal e o impacto nos seus investimentos. Vamos lá?
O que é o CDI?
O CDI abrange títulos de curtíssimo prazo emitidos em operações entre bancos. A taxa DI, frequentemente também chamada de CDI, deriva desses empréstimos e serve de referência para investimentos e para o custo do dinheiro no mercado interbancário.
Essas transações auxiliam os bancos a administrar sua liquidez de curtíssimo prazo e cumprir exigências regulatórias de fechamento de caixa.
Esse certificado foi criado na década de 1980, com o objetivo de proteger o sistema financeiro brasileiro das instabilidades causadas pela hiperinflação do período. Na época, muitos bancos faliram por falta de dinheiro.
Então o Bacen (Banco Central) determinou que as instituições bancárias não poderiam fechar o caixa diário com saldo negativo. Logo, o CDI é necessário para que elas possam cumprir a determinação e evitar o endividamento.
Qual é o CDI hoje?
Para descobrir qual é o CDI hoje, você precisa consultar fontes oficiais, como a página do Bacen. Ela é atualizada diariamente e o cálculo é realizado ao final do expediente bancário.
Em 29 de abril de 2026, por exemplo, a taxa estava em 14,65% a.a. (ao ano). Como o indicador acompanha as condições do mercado financeiro, ele varia ao longo do tempo, o que torna indispensável monitorar suas atualizações com frequência.
Qual é o histórico do CDI?
Para conhecer o histórico do CDI, você pode acessar a mesma página do Bacen utilizada para ver o patamar de hoje. Nela, é possível consultar a variação diária da taxa ao longo do tempo.
Ao observar esse histórico, você perceberá que o CDI não costuma apresentar mudanças frequentes no curto prazo. Em janeiro de 2025, por exemplo, a taxa estava em 12,15% a.a. Ela passou por elevações graduais ao longo dos meses, até atingir 14,9% a.a. em 20 de junho.
O patamar permaneceu inalterado até 18 de março de 2026. A partir do dia 19, houve ajuste para 14,65% a.a., nível que se manteve nas semanas seguintes.
Esse comportamento mostra que, embora o CDI seja atualizado diariamente, suas variações tendem a ocorrer em momentos específicos. Elas geralmente seguem as decisões de política monetária. Por isso, acompanhar o histórico ajuda a entender melhor os movimentos do indicador.
Qual é a relação do CDI com a Selic?
O CDI tem relação direta com a Selic, que é a taxa básica de juros da economia brasileira, estando a um patamar geralmente bem próximo. A Selic Meta é definida pelo Copom (Comitê de Política Monetária) em reuniões que ocorrem a cada 45 dias.
Em 29 de abril de 2026, por exemplo, ocorreu uma reunião em que o grupo optou por ajustar a taxa a 14,5% a.a. A Selic é utilizada para basear os juros de financiamentos, empréstimos, compras parceladas etc. Esse também é um instrumento de controle da inflação.
Quando o índice inflacionário aumenta, a taxa de juros costuma ser definida com um percentual maior, buscando desestimular o consumo e a tomada de crédito. Com isso, a tendência é que a inflação caia.
Já quando a economia precisa ser aquecida para aumentar a circulação de dinheiro no país, a Selic normalmente é reduzida, incentivando o consumo e a tomada de crédito. Consequentemente, o movimento pode aumentar as pressões inflacionárias.
A taxa DI costuma ficar em um patamar ligeiramente menor do que a Selic, viabilizando o spread bancário. Como há um percentual de diferença entre as taxas, as instituições conseguem lucrar com essa operação.
Nesse contexto, se a Selic for muito maior do que o CDI, os bancos podem preferir manter o dinheiro em títulos públicos em vez de emprestá-lo para outras instituições. Como resultado, os bancos tenderiam a ter dificuldade para cumprir a determinação do Bacen sobre o saldo positivo diário.
Aprofunde seus conhecimentos. Leia: Qual a relação entre a Selic e a inflação?
Como o CDI é composto e calculado?
O cálculo do CDI é feito pela B3, a bolsa de valores brasileira, com base nas operações de empréstimos interbancários registradas diariamente. Elas são realizadas e liquidadas por meio da Cetip (Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos Privados), que integra a infraestrutura da bolsa.
O processo busca refletir o custo do dinheiro entre as instituições financeiras no curto prazo. Assim, os bancos realizam empréstimos entre si com prazo de um dia útil. Cada uma dessas operações tem uma taxa de juros, uma quantia negociada e condições específicas.
Todas as transações são registradas em sistema, garantindo padronização e segurança na apuração dos dados. Para que o resultado seja considerado válido, a metodologia observa dois critérios: um número mínimo de operações e um volume financeiro relevante.
Quando essas condições não são atendidas, a taxa divulgada passa a ser a Selic Over do período. O resultado do processo é a taxa DI diária, que funciona como referência para o mercado financeiro. Como o CDI é calculado todos os dias úteis, ele se acumula ao longo do tempo.
A taxa mensal, por exemplo, considera o comportamento das taxas diárias naquele período. Já a taxa anual reflete o acúmulo ao longo dos 252 dias úteis do ano, sendo amplamente utilizada para comparar investimentos.
Esse modelo permite que o CDI acompanhe as condições de liquidez do sistema financeiro, funcionando como um indicador consistente, principalmente para aplicações de renda fixa.
Como acompanhar o CDI atualizado?
Para verificar o CDI atualizado, um caminho seguro é acessar a página do Bacen utilizada nas consultas anteriores. Nela, a verificação pode ser feita tanto pontualmente quanto ao longo do tempo.
Ao entrar na ferramenta, mantenha a data atual selecionada para visualizar o CDI mais recente disponível. Se a intenção for monitorar a evolução da taxa, você tem como definir um intervalo entre duas datas e ver as cotações correspondentes a cada dia útil. Após escolher o período desejado, clique em “Consultar”.
A página também apresenta informações complementares, como o fator diário e a base de cálculo, que ajudam a entender como a taxa é formada e aplicada. Desse modo, há como saber sobre o seu comportamento de maneira mais detalhada.
Leia: CDI ou poupança: qual rende mais?
Por que o CDI é tão importante?
Quem investe precisa entender o CDI, pois ele tem um amplo papel na economia e no mercado financeiro. Veja!
Acesso ao crédito entre os bancos
O CDI facilita que as instituições bancárias tenham acesso a capital para financiar suas atividades. Com isso, é possível aumentar a liquidez do sistema bancário brasileiro.
Caso contrário, os bancos estariam sujeitos a problemas financeiros, com risco de falir, o que desequilibraria a economia e aumentaria as possibilidades de colapso no sistema financeiro. Uma situação como essa poderia ainda prejudicar os investidores e clientes.
Índice de referência do mercado
Em relação ao CDI como índice, ele é primordial para que os bancos tenham uma referência para remunerar seus investidores. Ademais, o CDI é fundamental para os investidores compreenderem como podem ser remunerados ao comprar títulos de renda fixa atrelados à taxa DI.
Juros de empréstimos
O CDI influencia os juros praticados em empréstimos bancários realizados para empresas e pessoas físicas, com chance de impactar a disponibilidade de crédito no mercado. Afinal, uma taxa DI elevada é capaz de encarecer a concessão de crédito.
Quando isso ocorre, as pessoas e empresas tendem a não contrair empréstimos, retendo o dinheiro. Já com a taxa DI mais baixa, os clientes costumam pedir crédito para comprar imóveis ou investir na expansão do negócio, por exemplo.
Economia
Você viu que o CDI pode influenciar os movimentos da economia. Quando ele está mais baixo, a tendência é que haja um aquecimento da atividade, pois o dinheiro circula mais. Porém, isso costuma elevar a inflação e ter outras consequências, como endividamento da população e até o risco de recessão.
Em contrapartida, a taxa DI mais alta encarece o crédito e tende a reduzir as atividades econômicas e o acesso a alternativas como empréstimos e financiamentos. A desaceleração no mercado gera efeitos, como aumento do desemprego e desaceleração do mercado.
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Como o CDI influencia os investimentos?
Como serve de referência para a remuneração, um CDI mais alto significa aumento do rendimento dos títulos pós-fixados atrelados a ele. Inclusive, muitos investimentos oferecem rentabilidade expressa em percentual do CDI, como 100% ou 110% do indicador.
Portanto, o retorno acompanha a variação da taxa DI no período, podendo ser maior ou menor conforme o percentual indicado. Em cenários de CDI elevado, as alternativas de renda fixa tendem a ser mais procuradas, pois oferecem maior potencial de rentabilidade aliado à maior previsibilidade.
Consequentemente, é comum que parte dos investidores reduza a exposição à renda variável, que apresenta mais riscos, para priorizar a renda fixa. O movimento inverso também ocorre: quando o CDI está mais baixo, muitos investidores buscam maior rentabilidade na renda variável, mesmo com os riscos envolvidos.
O CDI ainda pode ser utilizado como um parâmetro para avaliar o desempenho das alternativas. Por isso, acompanhar os movimentos da taxa DI é relevante para orientar as escolhas.
Como calcular o rendimento do CDI?
O rendimento atrelado ao CDI é apresentado como um percentual da taxa — por exemplo, 100% do CDI, 110% do CDI ou 90% do CDI. Isso significa que o retorno da aplicação acompanha a variação do CDI no período, ajustado pelo percentual contratado.
Se o CDI estiver em 14,65% ao ano e o investimento render 100% do CDI, esse será o retorno bruto anual da aplicação. Se render 110% do CDI, o ganho será proporcionalmente maior.
Uma forma de simular esse resultado é pela Calculadora do Cidadão, do Bacen. Basta informar o período da aplicação, a quantia a ser corrigida e o percentual do CDI. A ferramenta funciona com base nos resultados passados do índice, ajudando apenas a ter uma média de desempenho — não uma projeção de comportamento.
Considere, por exemplo, a simulação de uma aplicação de R$ 10 mil feita em 29 de março de 2026, remunerando 100% do CDI no período. O rendimento obtido até 29 de abril do mesmo ano seria de R$ 109,09, correspondendo ao resultado mensal.
É importante considerar que esses são os números brutos. Pode haver a incidência de Imposto de Renda e outros impostos, como IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), bem como a cobrança de taxas.
Quais investimentos são referenciados pelo CDI?
Diversos títulos de renda fixa podem ser referenciados pelo CDI, conforme as regras de rentabilidade, sendo diretamente impactados pelo índice.
Confira exemplos!
CDB
O CDB (Certificado de Depósito Bancário) é um título emitido por instituições bancárias para captar recursos para financiar as suas atividades. Assim, os bancos podem utilizar o dinheiro para pagar dívidas, custear projetos e oferecer crédito aos seus clientes, por exemplo.
Vale saber que os CDBs contam com a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) — uma entidade que visa proteger o investidor. Dessa maneira, em caso de impossibilidade de cumprimento da obrigação pelo banco, o fundo ressarce a quantia investida.
Os limites do FGC são de R$ 250 mil por CPF e por instituição, com limite global de R$ 1 milhão, renovável a cada 4 anos.
LCI e LCA
LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) têm o objetivo de financiar os setores imobiliário e do agronegócio. Por fomentarem o desenvolvimento da economia do país, as LCIs e LCAs são isentas de Imposto de Renda para pessoas físicas. Além disso, os títulos são garantidos pelo FGC.
Debêntures
As debêntures são títulos privados emitidos por empresas. Quando as companhias desejam reunir capital para custear suas atividades, elas podem oferecer esses títulos e remunerar o investidor pelo empréstimo. Entretanto, a alternativa não é coberta pelo FGC.
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Como investir considerando o CDI?
É relevante saber como usar as informações sobre o CDI na hora de investir, favorecendo escolhas mais adequadas. Verifique o que considerar!
Leitura de cenário e alocação
Um dos usos do CDI é como parâmetro para ajustar a alocação da carteira. Em vez de apenas observar o nível da taxa, o investidor tem a opção de acompanhar sua tendência e as expectativas do mercado.
Se houver perspectiva de manutenção ou alta dos juros, pode fazer sentido priorizar títulos pós-fixados, aproveitando o potencial de rendimento ao longo do período.
Já em cenários de eventual queda, antecipar movimentos e redirecionar a carteira pode ser uma forma de buscar ganhos em alternativas com perspectiva de performance superior.
Oportunidades táticas e operações de curto prazo
O CDI também influencia oportunidades de curto prazo. Movimentos da taxa de juros costumam impactar preços de ativos, estratégias com títulos públicos e até operações na renda variável.
Por exemplo, mudanças na expectativa de juros são capazes de afetar setores específicos da bolsa, além de influenciar operações de arbitragem e estratégias que consideram o custo de capital.
Perfil de investidor e objetivos financeiros
O perfil de investidor continua sendo fundamental para a decisão. Alternativas atreladas ao CDI costumam atrair perfis conservadores, especialmente para objetivos que exigem previsibilidade, como a reserva de emergência.
No entanto, mesmo investidores moderados e arrojados podem aumentar a exposição à renda fixa em cenários de CDI elevado, aproveitando a combinação entre retorno e previsibilidade. Os títulos ainda costumam servir como margem de garantia em determinadas operações na bolsa.
Comparação de investimentos e benchmark
O CDI pode ser um critério na escolha entre alternativas semelhantes. Em aplicações com características próximas — como prazo, liquidez e risco —, a diferença no percentual do CDI costuma ser decisiva.
Adicionalmente, ele funciona como referência para avaliar o desempenho de carteiras e fundos. Um retorno consistentemente abaixo do CDI normalmente é um sinal de que a estratégia precisa ser revista.
Relação entre risco e retorno
O CDI ajuda a analisar se o risco assumido em um investimento compensa. Ao comparar uma alternativa de renda variável com o retorno oferecido por aplicações atreladas ao CDI, há como avaliar se o prêmio esperado justifica a exposição a oscilações.
Dessa forma, o indicador não serve apenas como referência de rentabilidade, mas como base para estruturar decisões mais estratégicas no portfólio.
Neste post, você entendeu o que é o CDI e conferiu como saber qual é o seu resultado hoje. Além disso, foi possível aprender como a taxa afeta os investimentos e quais alternativas são referenciadas por ela. Agora, fica mais fácil compreender a influência do índice na sua carteira.
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