Como investidor, é fundamental que você saiba como está a inflação tanto no Brasil quanto no mundo. Isso porque, além de ter influência nos seus gastos diários, esse fenômeno econômico pode impactar diretamente os seus resultados no mercado financeiro.

Por esse motivo, nós, da Genial Investimentos, trouxemos neste conteúdo um panorama sobre como foi a inflação nos anos pós-pandemia e quais as perspectivas para o futuro. Dessa forma, você poderá se planejar melhor e fazer escolhas mais estratégicas e inteligentes ao investir.

Curioso para saber mais sobre o tema? Então continue acompanhando a leitura para ver como foi e como está a inflação no mundo, quais as projeções para ela em 2024 e mais!

O que é e como funciona a inflação?

A inflação é o aumento contínuo e generalizado dos preços dos bens e serviços em uma economia ao longo do tempo. Na prática, isso significa que, com o passar dos anos, uma determinada quantia de dinheiro compra menos itens do que no passado.

Basta pensar nas suas compras no supermercado. Em 2013, por exemplo, os produtos tinham um preço e atualmente eles têm outro mais elevado, certo?

Esse é o efeito da inflação sobre as mercadorias e, como consequência, sobre o seu capital. Afinal, hoje você precisa de um montante maior que anos atrás para comprar os mesmos produtos que escolhia 10 anos atrás.

A inflação, que é medida em percentual, é um fenômeno econômico que afeta o poder de compra das pessoas, o valor do dinheiro e pode ter impactos significativos na economia de um país. Quanto mais alta ela for, mais a população precisará gastar para manter o padrão de vida.

O que causa a inflação?

A inflação pode ser causada por uma série de fatores, sejam eles isolados ou relacionados. A seguir, descubra quais são os principais!

Demanda excessiva

Quando a demanda supera a oferta disponível, os preços tendem a aumentar. Essa situação costuma acontecer quando há um aumento repentino na procura por produtos e serviços, como em períodos de crescimento econômico acelerado.

Custos de produção

Outro fator que tende a influenciar a inflação de um país é o conjunto de custos de produção. É o que ocorre quando há um aumento nos preços de matérias-primas, mão de obra e outros aspectos ligados à produção, como gastos com energia.

Nessas circunstâncias, os custos mais elevados na produção tendem a ser repassados aos consumidores finais por meio de preços mais altos.

Pressões monetárias

A expansão excessiva da oferta de dinheiro em circulação também pode levar a uma alta na inflação. Afinal, se houver mais recursos disponíveis na economia, as pessoas podem gastar mais, levando a um aumento da demanda e, consequentemente, dos preços.

Choques externos

Além das situações anteriores, vale ressaltar que eventos internacionais são capazes de influenciar a inflação. Dois exemplos são as variações na cotação do petróleo e as flutuações cambiais. Ambos podem afetar os custos de produção e, por sua vez, os preços dos produtos em diversos países, como o Brasil.

Expectativas inflacionárias

Mais um aspecto que pode causar inflação é a expectativa inflacionária. Se as pessoas esperam que os preços subam no futuro, elas podem tomar ações que levem a um aumento no presente. Como consequência, essa situação cria um ciclo de aumento de preços, mesmo sem motivos concretos — é a chamada inflação inercial.

Desvalorização da moeda

Por último, é válido mencionar que uma queda no valor de uma moeda em relação a outras pode aumentar os preços das importações, por exemplo. Dependendo do caso, isso gera um aumento na inflação.

Quais os indicadores econômicos utilizados para medir a inflação?

Como você acompanhou no começo do conteúdo, a inflação é apresentada em forma de taxa de variação dos preços em porcentagem e cada país tem seu próprio indicador. Nos EUA, ele é o Consumer Price Index (CPI), ou Índice de Preços ao Consumidor, em português.

Já no Brasil, a inflação é medida oficialmente por meio do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Esse indicador é calculado e divulgado todos os meses pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para chegar ao resultado, o órgão monitora a cada mês uma cesta de produtos representativa do consumo médio da população. A partir de uma média ponderada, o instituto calcula o aumento percentual de seus preços ao longo do tempo.

Qual o panorama da inflação mundial nos últimos anos?

Após ter uma visão geral do que é e como funciona a inflação, você está pronto para compreender como ela ocorreu nos últimos anos. Devido a uma combinação de fatores, a inflação mundial disparou nos últimos anos — em especial, em 2021 e 2022.

Ela chegou a níveis recordes em muitos países, inclusive, em mercados robustos e que possuem um nível elevado de desenvolvimento socioeconômico. Segundo o relatório World Economic Outlook do Fundo Monetário Internacional (FMI), a inflação mundial foi de 4,7% em 2021 e de 8,7% em 2022.

Apenas para efeito de comparação, em 2020 e nos anos anteriores à pandemia, ela estava na faixa de 2,7% a 3,6%, no máximo. Agora, por que esse aumento aconteceu?

Conheça as principais razões!

Efeitos da pandemia de covid-19

O primeiro motivo para o aumento da inflação no mundo refere-se aos efeitos da pandemia de covid-19. Por conta dessa situação, grande parte das cadeias produtivas foi afetada por paralisações temporárias e alterações no consumo.

Como consequência, diversos setores foram atingidos, ficando sem mercadorias e componentes. Um exemplo foi a falta de chips semicondutores que modificou a produção de veículos, celulares e outros dispositivos ao redor do mundo.

Porém, essa situação não é o que explica totalmente o aumento da inflação. Nesse mesmo período, muitos Governos forneceram estímulos para a população por meio de ações e programas específicos. Aqui no Brasil, por exemplo, houve o auxílio emergencial.

Como uma das causas da inflação está ligada à oferta e demanda, esses estímulos geraram um aumento na busca por produtos e serviços.

No entanto, devido ao desabastecimento no mercado, essa relação não estava equilibrada e a demanda estava superando a oferta disponível. Ademais, com a retomada econômica havia uma demanda reprimida. Por essas razões, os preços começaram a subir.

Conflito entre Rússia e Ucrânia

Além da circunstância anterior, em fevereiro de 2022 começou o conflito entre Rússia e Ucrânia — outro fator que explica a inflação global elevada. Isso se deve aos impactos significativos nos preços de commodities.

A principal commodity afetada por essa situação foi o petróleo, dado que a Rússia é uma das maiores produtoras do mundo. Como consequência, o preço de muitas matérias-primas e produtos foi afetado, havendo diversos problemas nas cadeias de abastecimento globais.

Quando o preço do petróleo sobe significativamente, pode haver diversos efeitos negativos na economia. Afinal, ele é uma fonte de energia primária e uma matéria-prima essencial em muitos setores econômicos.

Na prática, a alta no preço do petróleo pode aumentar os custos de:

  • transporte, tanto de mercadorias quanto de pessoas;
  • diversas indústrias, como a petroquímica e de fabricação de plásticos, reduzindo a produção, os investimentos e empregos;
  • produção agrícola, afetando a oferta de alimentos e os preços dos produtos.

Aumento nos preços de alimentos, combustíveis e energia

Por fim, como todos esses acontecimentos estão interligados, é válido ressaltar que o aumento nos preços de alimentos, combustíveis e energia também foi responsável pela alta da inflação. Afinal, devido às consequências da pandemia e do conflito entre Rússia e Ucrânia, eles ficaram mais caros.

Como esses elementos costumam ter bastante peso no cálculo da inflação, o aumento nos preços que foi observado contribuiu para a pressão inflacionária.

Quais foram os países com as maiores e menores inflações em 2022?

Agora que você já está ciente dos principais motivos que afetaram a inflação nos últimos anos, vale conhecer o resultado de alguns países em relação a esse fenômeno econômico. Para tanto, veja a seguir como foi o desempenho das nações que compõem o G20 — grupo internacional composto por 19 das maiores economias do mundo e a União Europeia.

No topo do ranking está a Argentina, com uma inflação acumulada de 95,4% em 2022. Na sequência, está a Turquia, cuja taxa foi de 64,3%. Fechando o top 3, está a Rússia com 12,2%, seguida pela Itália (11,6%) e pelo Reino Unido (11,5%).

Indonésia, Coreia do Sul, Japão, Arábia Saudita e China foram os países que tiveram menores índices de inflação em 2022. Os resultados foram de 5,5%, 5,0%, 3,9%, 2,9% e 1,8%, respectivamente.

O Brasil, por sua vez, ficou em sexto lugar da lista, logo atrás da Indonésia, com uma taxa de inflação anual de 5,8% em 2022. Apesar de não ser um resultado ruim como o da Argentina e Turquia, esse número ficou acima da meta do Banco Central, que era de 3,5%.

Como o Brasil tem sido afetado?

Conforme você acompanhou no tópico anterior, o Brasil se encontra em uma posição intermediária, mas que está próxima a países com inflação mais baixa. Contudo, isso não quer dizer que esse fenômeno tenha afetado pouco o país — pelo contrário.

No geral, o Brasil também foi e tem sido impactado pelos efeitos da pandemia, pelo conflito entre Rússia e Ucrânia e pelo aumento de preços. Em especial, destacam-se os preços dos alimentos, combustíveis e de energia. Ademais, o país sofre com problemas hídricos relacionados à seca.

Em 2021, por exemplo, a inflação no Brasil, representada pelo IPCA, foi de 10,06% — quase o dobro do resultado de 2022. Trazendo para um cenário mais recente, a inflação acumulada no Brasil de janeiro a julho de 2023 foi de 2,99%, segundo dados do IBGE.

Esse acumulado demonstra que o fenômeno, até então, está mais controlado no país. O principal motivo está relacionado à política monetária estabelecida pelo país, principalmente com relação à taxa básica de juros, a Selic.

Como a política monetária tem impactado a inflação em diferentes países?

Uma das principais formas de combater a inflação elevada é por meio de políticas monetárias, como o aumento da taxa básica de juros. Por meio dessa ação, o crédito fica mais caro e o consumo tende a ser reduzido. Assim, há como interferir na relação de oferta e demanda.

Nesse sentido, diversos países têm adotado essa medida para controlar a inflação. Logo, a desaceleração desse fenômeno se deve, em grande parte, pelos apertos monetários praticados por diferentes nações quanto à taxa de juros.

O ponto é que o Brasil começou a subir a taxa de juros antes de muitas nações. Em 2021, a Selic começou a subir, saindo de 2% e chegando a 13,75% em agosto de 2022 — e ela se manteve nesse patamar até agosto de 2023, quando caiu para 13,25%.

Segundo projeções do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central em agosto de 2023, a perspectiva é de que a Selic termine o ano em 11,75% e o IPCA em 4,90%.

E qual a previsão para a inflação global?

Até aqui, você viu como estava e está a inflação no Brasil e no mundo. Apesar de haver resultados que demonstram uma melhora no cenário em nosso país, ainda há muitos locais onde esse fenômeno econômico se encontra em patamares bastante elevados.

Sendo assim, como será que a inflação global ficará em 2023, 2024 e em diante? Pensando na resposta dessa questão, muitos economistas e o próprio FMI afirmam que o pior da inflação mundial já passou. Ou seja, a projeção é de que ela não aumente ainda mais nos próximos anos.

Porém, isso não significa que ela terá uma redução drástica em pouco tempo. Segundo o Fundo Monetário Internacional, a previsão é que a inflação global deva terminar 2023 em 6,8% — 1,9% mais baixa que em 2022.

Já para 2024, a organização projeta que ela encerre o ano em 5,2%. Caso esses resultados se concretizem, o cenário ainda será considerado promissor, tendo em vista que os preços de bens e serviços não subirão tanto como em 2021 e 2022.

Por outro lado, é válido observar que, mesmo que a inflação chegue a 5,2% em 2024, ela ainda não estará no mesmo nível pré-pandemia. Essa situação tende a acontecer apenas a partir de 2025.

Então note que, embora as perspectivas sejam de melhoria em relação à inflação mundial, ela não será rápida. O processo será gradual, ano após ano — isso se não ocorrerem novas mudanças no cenário.

Saber como está a inflação no Brasil e no mundo é fundamental. Com base nas informações que você conferiu neste conteúdo, foi possível obter um overview dos pontos mais importantes sobre esse fenômeno econômico e o que esperar dele.

Para se manter atualizado sobre o assunto, não deixe de acompanhar a Genial Analisa!

Genial Investimentos

Somos uma plataforma de investimentos que tem como objetivo facilitar o acesso ao mercado financeiro e ampliar a educação financeira no Brasil.

Ver todos os artigos
Campanha Institucional - Ativação - Abra sua conta

Navegação rápida

O link do artigo foi copiado!