A necessidade de diversificar os investimentos é um dos mantras mais repetidos no mercado financeiro. São comuns as frases “não coloque todos os ovos na mesma cesta” ou “não aposte todas as fichas em um só número” para expressar a mesma ideia: faça escolhas diversas.

Pense na diversificação como o seu guarda-roupa. O seu vestuário se divide entre peças para dias quentes e frios. Algumas são impermeáveis, para os dias de chuva, outras oferecem uma camada extra de proteção para o inverno. A diversidade das suas roupas é também de cores, de marcas e de modelos. Assim, o seu guarda-roupa oferece uma variedade de combinações para diferentes ocasiões. Da mesma forma deve ser a sua carteira de investimentos.

Como obter essa diversificação no seu portfólio é o tema deste post. Nele, vamos falar sobre as peças essenciais para uma carteira diversa e conectada com o seu perfil de investidor.

Por que é importante diversificar?

A premissa básica da diversificação é diminuir a exposição aos riscos, ou seja, reduzir a chance de perdas financeiras com os investimentos. A diversificação foi pensada pela primeira vez em 1952 por Harry Markowitz. Ele teorizou, matematicamente, como a combinação de ativos em uma carteira poderia minimizar a possibilidade de perdas e, por outro lado, aumentar as chances de rentabilidade.

Desde então, a combinação dos ativos em uma carteira passou a ser explorada por inúmeros investidores e teóricos do campo econômico. Para Markowitz, uma carteira diversificada deve conter entre 15 e 20 ativos.

No mercado de ações, o principal risco é a desvalorização do ativo, que pode ocorrer por razões diretamente ligadas à empresa, e ao setor em que ela atua, ou por motivos políticos e macroeconômicos. Já na renda fixa, o fator de maior ameaça à rentabilidade é a variação de um determinado indexador de preços, como a taxa Selic, o IPCA, o IGP-M etc. 

Vamos imaginar uma carteira formada exclusivamente por ativos que compõem o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, a B3. Apenas em março de 2020, o Ibovespa recuou 30%, a maior queda em 22 anos. Logo, o investidor com uma carteira com essas características teria perdido 30% do seu patrimônio em um mês.

Agora, pense se, em vez de 100% dos ativos referenciados ao Ibovespa, essa carteira tivesse a seguinte diversificação:

  • 50% em ações atreladas ao Ibovespa;
  • 30% em renda fixa atrelada à taxa DI;
  • 20% em fundos cambiais atrelados ao dólar.

Enquanto o Ibovespa recuou 30% em março, o dólar comercial acumulou ganhos de 16% no mesmo período e a taxa DI valorizou 0,34% no mês. Assim, nesse exemplo simples, observamos que as perdas de uma classe de ativo (ações) podem ser compensadas ou minimizadas pelo ganho de outras (fundos cambiais e renda fixa), diminuindo a possibilidade de prejuízos para o investidor.

Como diversificar os investimentos

A composição final da sua carteira deverá ser um espelho do seu perfil de investidor e dos seus objetivos financeiros. Por isso, investidores de perfil conservador devem aportar a maior parcela dos seus recursos (nunca a totalidade) na renda fixa. Já os de perfil arrojado podem colocar a maior parte do patrimônio (nunca a totalidade) na renda variável. Investidores moderados podem distribuir os aportes de acordo com as suas metas de rentabilidade.

Na renda fixa, o investidor deve buscar ativos públicos e privados, além de indexadores, localizações geográficas, setores econômicos e instituições financeiras diferentes. Da mesma forma, na renda variável, a diversificação deve ter como horizonte a variedade de setores, empresas, tipos de papel, indexadores e localização geográfica.

A recomendação de teóricos e especialistas é não alocar mais de 30% da sua carteira em um mesmo segmento econômico. Portanto, se 30% do seu patrimônio estiver em fundos de investimentos imobiliários (FIIs), por exemplo, o ideal é, no mercado de ações, evitar investir em construtoras ou outras empresas também relacionadas ao mercado de imóveis. O mesmo raciocínio se aplica à renda fixa: se você já tiver 30% em FIIs, o melhor é não ter mais aportes em CRIs e LCIs.

A alocação por setor deve estar alinhada ao perfil do investidor. Se arrojado, por exemplo, a maior parte dos 30% pode ser destinada ao investimento direto em ações de empresas que atuam no setor imobiliário, deixando a menor parcela dos aportes para FIIs e ativos da renda fixa. O contrário também pode ser feito por investidores com perfil conservador.

Embora não exista consenso entre os especialistas, o ideal é que o investidor nunca aporte mais do que 15% do seu capital em uma única empresa. Dessa forma, as chances de deteriorar o patrimônio com apenas uma organização serão menores.

Diversificação geográfica e moedas estrangeiras

O risco de uma carteira também irá variar conforme a localização geográfica. O investidor com portfólio alocado em ativos apenas no Brasil está obviamente 100% exposto aos riscos do mercado brasileiro.

Para se proteger da volatilidade e dos riscos nacionais, o investidor pode procurar, na Bolsa brasileira, por ETFs que sigam indicadores do mercado externo, como o SP500. Outra possibilidade é utilizar o hedge cambial como instrumento de proteção do patrimônio.

O hedge cambial consiste em alocar parte do portfólio em recursos atrelados a moedas estrangeiras, como os fundos cambiais de dólar, euro ou outras moedas. Sugerimos que 20% dos ativos de qualquer carteira estejam aplicados em uma moeda estrangeira forte, como o dólar americano e o euro, por exemplo.

Embora não seja regra, o dólar geralmente tem uma correlação negativa com o Ibovespa. Ou seja, normalmente, quando a Bolsa brasileira cai, o dólar sobe. Assim, caso suas ações sejam fortemente atingidas por uma crise do mercado nacional, os seus ativos em dólar deverão se valorizar, diminuindo as perdas da sua carteira.

Como diversificar com pouco dinheiro?

É possível, sim, diversificar os seus ativos com poucos recursos. Uma excelente opção, tanto na renda fixa como na variável, são os fundos de investimento, em especial os multimercados. Em geral, eles oferecem diversificação e gestão profissional por um aporte inicial menor, democratizando o acesso do investidor comum a alguns produtos financeiros.

Na mesma direção, os Fundos de Fundos (FoFs), fundos que investem em outros fundos, potencializam a diversificação da carteira com poucos recursos. É uma boa opção para iniciantes no mercado. Em ambos os casos, o investidor deve analisar o histórico do gestor e ficar atento às taxas de administração e de performance, que podem comprometer a rentabilidade da carteira.

Seja por meio de fundos, ETFs ou de uma gestão ativa dos investimentos, a diversificação irá colaborar para uma melhor performance da carteira, com mais estabilidade financeira.  Discuta sua estratégia de diversificação e busque orientação com o seu assessor de investimentos. A decisão será sempre sua, mas duas cabeças pensam melhor do que uma.

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Publicado por Genial Investimentos

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Comentários

  • […] isso, quanto mais diversificada é uma carteira, menor é o seu risco global. O ideal é que essa diversificação não se limite apenas aos imóveis e à área geográfica, mas que compreenda também a […]

  • […] imobiliários se é possível aplicar diretamente nos ativos? A principal vantagem dos FIIs é a diversificação. Com uma mesma cota, o investidor está aplicando recursos em um conjunto de CRIs de diferentes […]

  • […] Fonte: Blog da Genial Investimentos […]

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