O PIB da China é um assunto bastante procurado por quem tem interesse em acompanhar questões econômicas e políticas. Mas você sabia que ele também pode ser interessante para quem tem investimentos?

Como a China é um dos maiores países em termos populacionais, a economia chinesa tem impacto global — e seus investimentos podem ser afetados por ela. Portanto, entender mais sobre esse país e seus números é importante para sua estratégia e sua carteira.

Quer saber mais sobre o PIB da China, suas expectativas em 2023 e como ele afeta seus investimentos? Então continue a leitura deste conteúdo!

Qual o cenário atual do PIB da China?

PIB é a sigla para Produto Interno Bruto. Esse indicador econômico determina qual é a soma monetária de todos os produtos e serviços finais produzidos e comercializados em um país em determinado período.

Você pode considerar o PIB como um número que demonstra quanto um país produziu durante o ano. Nesse contexto, é relevante entender que, em 2022, o PIB da China registou um crescimento de 3,0%, o menor em décadas. Porém, no início desse ano as expectativas do mercado, que esperava que as autoridades fixassem uma meta de crescimento para o ano entre 5,5% e 6,0%, foram frustradas pela adoção de uma meta de apenas 5,0%.

A decepção com o fraco vigor econômico apresentado pela reabertura da economia chinesa no primeiro semestre permitiu conjecturar que nem a meta mais conservadora de 5,0% seria alcançada. Em vista desse quadro, o governo chinês se convenceu da necessidade de novos estímulos para a demanda agregada.

Com a taxa de desemprego entre a parcela mais jovem da força de trabalho tendo atingido mais de 20%, a expansão da demanda teria que passar por políticas destinadas ao emprego. Como os gargalos de oferta já foram sanados, um maior alinhamento entre a oferta e a demanda no segundo semestre permitiria com que o crescimento econômico convergisse para a meta de 5,0%.

O que mais influencia o PIB da China?

A economia chinesa tem aspectos interessantes porque o país se denomina um país socialista, com características próprias. Contudo, há uma discussão econômica a respeito do que isso significa.

Existem correntes que chamam a lógica chinesa de capitalismo de estado, outros a caracterizam realmente como um socialismo com particularidades do país. O fato é que os setores mais importantes da economia chinesa são controlados pelo Governo.

Dessa maneira, há um incentivo em investimento e priorização a longo prazo dessas áreas, levando a um controle mais centralizado. Então o Governo chinês controla setores como a indústria pesada, geração e distribuição de energia, utilidades públicas e outros.

Além disso, uma boa parte do PIB chinês é composta pela indústria e agricultura. Também há uma relevante participação do comércio internacional nos resultados. Afinal, a China costuma exportar produtos como equipamentos de processamento, de telecomunicações, de energia, produtos de vestuário, entre outros.

Por outro lado, a maioria de suas importações é de produtos sem manufatura, já que é necessário um elevado volume de matéria-prima para sua indústria e produção. Isso significa que o país é um dos principais compradores de commodities no mundo.

Nesse contexto, a China é uma grande consumidora de petróleo e derivados, minérios de forma geral e outros produtos. Ainda, há importações de equipamentos eletrônicos e instrumentos de variados tipos.

Como o crescimento da China influencia outros países?

Apesar de o PIB definir o volume de produção e comercialização dentro da própria China, há reflexos internacionais relevantes. Portanto, os movimentos desse indicador econômico tendem a influenciar outros países.

O primeiro motivo se relaciona ao fato de o crescimento econômico de um país tão relevante como a China também gerar uma demanda maior de determinados produtos. Lembre-se de que os setores chineses precisam de insumos e produtos para suprir suas necessidades de produção e expansão.

Muitos desses insumos não são produzidos na própria China, tendo em vista que o país, apesar de muito vasto, não tem recursos naturais e indústrias suficientes para ser autossuficiente.

Assim, com um PIB em crescimento, há reflexos em toda a economia mundial, tanto por conta das exportações quanto das importações. Ainda, as empresas da China — sejam elas estatais ou privadas — são relevantes para outros países.

Como foi possível aprender, a China tem o segundo maior PIB do mundo. Então há uma produção e comercialização de grande escala, que não fica restrita apenas ao próprio país.

Vale destacar que outros países estão diretamente conectados com a China. Para o Brasil, por exemplo, a China é o maior parceiro internacional, tanto em exportações quanto em importações.

Segundo fontes do próprio Governo Federal brasileiro, houve aumento das importações e exportações para a China no ano de 2022. Também ocorreu queda dos mesmos indicadores relacionados aos Estados Unidos, segundo maior parceiro brasileiro.

Isso significa que a diferença entre os parceiros internacionais brasileiros ficou ainda mais considerável. Dessa forma, o PIB da China é muito relevante para a economia brasileira, que percebe seus movimentos econômicos no cenário interno.

O crescimento do PIB chinês pode influenciar os investimentos?

Você já aprendeu que o crescimento do PIB da China influencia outros países e a própria economia brasileira. Mas você sabia que esse fator também pode ter reflexos nos investimentos? Na prática, não são apenas os investimentos diretos naquele país ou em commodities que são afetados pelo PIB chinês.

Existem reflexos indiretos do PIB do país asiático na economia que influenciam diretamente nos resultados de determinados investimentos, incluindo os ativos brasileiros. Para entender melhor, imagine que você tem ações da Vale (VALE3) em sua carteira de investimentos.

Essa empresa é uma das maiores exportadoras de minério de ferro do planeta e tem a China como o principal destino de seus produtos. Desse modo, quando a economia chinesa está aquecida e seu PIB apresenta crescimento, é comum que ela importe mais minério de ferro para suprir as suas necessidades internas.

Isso gera efeitos diretos para uma empresa como a Vale: aumento da receita e, provavelmente, da lucratividade. Com esses números, mais investidores podem ficar interessados em adquirir ações da companhia, tendo em vista que ela se mostra mais perene e robusta.

Essa alta na demanda de investidores se traduz no aumento da cotação das ações. Ou seja, há uma cadeia de reações que influencia seus investimentos: o PIB da China cresce, a demanda por minérios aumenta, a Vale tende a lucrar mais, as ações podem valorizar.

Ao mesmo tempo, convém entender que esse é apenas um dos exemplos. Os efeitos do PIB chinês atingem mais que as movimentações de ações de certas empresas brasileiras. Também há reflexo nos preços de commodities (que você pode perceber nos contratos futuros), no mercado de imóveis, em empresas relacionadas ao turismo e outros pontos.

Como o investidor pode aproveitar o aumento do PIB da China?

Após aprender que o crescimento do PIB chinês tem reflexos nos investimentos, é interessante saber como aproveitar esse aumento, não é mesmo? A seguir, você encontrará dicas para ajudá-lo no momento de avaliar esse assunto.

Confira!

Ações de empresas expostas a esse mercado

A primeira forma de aproveitar o aumento do PIB da China você já conhece: investir em ações de empresas expostas ao mercado chinês. Afinal, existem companhias brasileiras que podem ter resultados ligados à economia desse país asiático — como as exportadoras.

Quando há aquecimento do mercado da China, essas companhias lucram e atraem mais investidores, podendo trazer mais demanda para as ações. Nesse sentido, tenha em mente que não é só a Vale que possui essa exposição.

Todas as empresas que, de alguma forma, negociam com a China ou possuem uma ligação com o seu mercado podem se beneficiar do crescimento do PIB chinês. Porém, para escolher ações para investir, é fundamental que você tenha uma estratégia que comporte esse tipo de investimento.

Para tanto, você deve considerar os seus objetivos financeiros e seu perfil de investidor. Alinhar a decisão a essas questões é fundamental para verificar se as ações são ativos que se enquadram nas suas características e estratégia.

Se você tiver o perfil para esse investimento e objetivos compatíveis com os que os papéis podem proporcionar, pode considerar o investimento em empresas desse mercado. Aqui, vale a pena fazer uma análise fundamentalista para identificar as melhores oportunidades.

ETFs

Outra forma de investir na China de modo indireto é por meio dos ETFs. Eles são os exchange traded funds, que também são conhecidos como fundos de índice no Brasil.

Em relação ao funcionamento, os ETFs são um tipo de fundo de investimento cujo objetivo é montar uma carteira de investimentos para replicar os resultados de um índice financeiro ou econômico. Então é comum que o portfólio dele replique a carteira teórica do indicador para obter resultados equivalentes.

Vale saber que a administração do portfólio é realizada por um gestor profissional. Dessa maneira, ele tem a responsabilidade de buscar os objetivos propostos pelo ETF. Assim, não é preciso que os investidores realizem as movimentações, o que pode trazer mais praticidade.

Para garantir a exposição ao PIB da China, o ETF precisa replicar um indicador que acompanhe a economia chinesa ou uma parte dela. Já para participar dos resultados de um fundo de índice, você deve comprar cotas, que representam a menor fração do patrimônio do veículo financeiro.

Como essas cotas são negociadas em bolsa de valores brasileira (B3), elas são vendidas em reais, ainda que elas sigam o desempenho de outra economia.

Investimento internacional

Até aqui, você viu meios indiretos de investir com exposição ao PIB da China. Entretanto, existe uma forma mais direta de explorar esses resultados: por meio do investimento internacional. Isso significa investir diretamente na China, como por meio da compra de ações e outros ativos do país.

Apesar de essa ser uma forma de aproveitar o desempenho dos ativos, todo o procedimento e a burocracia dessa opção podem desagradar os investidores. Afinal, primeiro é preciso ter uma conta internacional, conforme as regras da China.

Ainda, é necessário realizar a conversão de moeda e seguir as regras locais para o investimento em ativos chineses. Dessa maneira, há diversos empecilhos que podem fazer essa opção ser menos atrativa que os investimentos indiretos — especialmente no mercado chinês, que apresenta algumas restrições.

Por que focar no longo prazo ao investir com exposição à China?

Ao pensar em aproveitar o crescimento do PIB da China, convém focar em uma estratégia de longo prazo. Principalmente para quem quer montar uma carteira de renda variável, ter um horizonte de investimento mais distante é fundamental para equilibrar os riscos e alcançar os objetivos financeiros.

É válido ressaltar que o crescimento — ou mesmo a redução — do PIB da China são movimentos econômicos fora do controle do investidor. Logo, ao se expor a essa variável, ter uma estratégia sólida e diversificada é fundamental.

Como o PIB chinês pode variar graças a múltiplas variáveis, é impossível prever com exatidão qual será seu resultado. Apesar de a expansão econômica da China já ocorrer há décadas, não há garantias de que esse cenário continuará.

Por esse motivo, alocar grande parte do capital esperando apenas o crescimento do PIB chinês faz com que você assuma mais riscos do que pode ter interesse ou tolerância.

Portanto, lembre-se de que, apesar de ser possível investir pensando no PIB da China, a sua carteira deve conter ativos que tragam um equilíbrio para os riscos. Diversificar o portfólio, equilibrar alternativas mais arriscadas com investimentos seguros e focar no longo prazo pode auxiliar no alcance dos seus objetivos.

Entendeu como o PIB da China pode afetar os seus investimentos? Se você se interessou pelo assunto, não deixe de acompanhar os movimentos desse mercado e buscar estratégias para aproveitar os momentos do cenário internacional na sua carteira.

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Filipe Villegas

Filipe Villegas é responsável pelas carteiras recomendadas da Genial e relatório GENOMA. Ele é pós-graduado em administração de empresas pela FGV e tem MBA em engenharia financeira pela POLI-USP. Está no mercado há mais de 10 anos.

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