O Ibovespa, principal indicador da bolsa de valores brasileira, variou quase 10 mil pontos entre a mínima e a máxima em fevereiro deste ano, quase cinco mil pontos em março e outros cinco mil em abril. Essa montanha russa tem nome e sobrenome: volatilidade e risco.

Essas palavras, no entanto, são música para os ouvidos de Carlos Eduardo Rocha, mais conhecido como Duda, CEO e gestor da asset do Brasil Plural. “Essa volatilidade e uma correção podem fazer a bolsa alcançar novos patamares de preço, ela poderá subir mais fortemente”, afirma.

Segundo ele, essa volatilidade tem dois motivadores: o cenário externo e as eleições no Brasil. Ele observa que, pela primeira vez em dez anos, desde a crise de 2007, estamos vendo um sincronismo no crescimento econômico no mundo: China crescendo 6,5%, Estados Unidos mais de 2,5% e Europa mais de 2%. “Isso é um ambiente muito favorável para bolsa e risco e vai afetar favoravelmente o Brasil”, afirma.

Outra força jogando a favor são os juros no Brasil, com a Selic no seu menor nível histórico, em 6,50% ao ano. Mas mais do que isso, Duda observa que o importante é os juros se manter num patamar baixo por um período longo de tempo. “Acreditamos que até 2019 os juros não vão precisar subir. E, se subirem, será em uma magnitude bem menor do que no passado”, diz.

Isso porque o Brasil está vivendo com uma inflação estruturalmente mais baixa. Segundo Rocha, isso é mérito do Banco Central e das diretrizes econômicas, como estabelecer um teto para os gastos públicos. “O ambiente para você investir em bolsa ficou muito melhor”.

Risco

O movimento de subida dos juros nos EUA é o principal risco para investimento no Brasil, na opinião de Duda. Mas ainda assim ele não avalia que esse seja um problema grave, pois os juros americanos estão subindo por um bom motivo, porque aquele país está crescendo.

“Os juros [nos EUA] não vão subir para cima de 3%, então não serão juros proibitivos para investir em bolsa e em ativos de risco. Historicamente, quando isso acontece a bolsa sobe, não cai, porque esta subindo por um motivo salutar.”

Eleições

Na cena doméstica, o destaque é o cenário eleitoral, que está bastante indefinido. “Neste momento, em abril, mais de 60% do eleitorado não escolheu seu candidato”, observa Duda.

A última pesquisa do Datafolha, do dia 15 de abril, mostra Luiz Inácio Lula da Silva liderando as intenções de voto, com 30%. Sem ele no pleito, que deve ser impedido pela Lei da Filha Limpa, Marina Silva (Rede) empataria com Jair Bolsonaro (PSL), com 17% das intenções de voto.

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, que se filiou ao PSB mas ainda não lançou a candidatura, oscila entre 9% e 10% das intenções, empatado com Ciro Gomes (PDT) e na frente do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), que varia de 7% a 8%.

Duda observa que os principais candidatos estão se aproximando do centro, o que é bom para a economia e, consequentemente, para o mercado. Segundo ele, o essencial para que a economia cresça acima de 2% e a inflação se mantenha baixa é continuar as fazer as reformas, principalmente a da Previdência.

“Todos os candidatos estão se mostrando favoráveis à Reforma da Previdência e um ciclo fiscal favorável. E diferente do passado, todos os candidatos estão sendo favoráveis a algum tipo de privatização. Ou seja, coisas impopulares no passado estão na plataforma, estão na discussão. Isso é excepcional na história eleitoral do Brasil”, avalia Duda.

Otimismo

Ele acredita que as eleições podem impactar os rumos da bolsa, mas que ele segue otimista com investimento em ativos de risco. “Na Fazenda e no Banco Central talvez estejamos no melhor momento de comando e talvez isso possa não ser tão bom quanto agora. Mas a diretriz está dada, é só não atrapalhar o ciclo econômico”, afirma.

Já juros e câmbio têm refletem um prêmio de risco associado às eleições, avalia Duda. Se houver um cenário positivo no pleito presidencial, ele estima que o câmbio vai para R$ 3 ou abaixo desse patamar.

“Hoje, com o câmbio nesse patamar, de R$ 3,45, não é interessante, não tem um alfa, algo que independente das condições de mercado vai subir”, dia. Numa escala de preferência entre ativos brasileiros, ele diz que prefere, em primeiro lugar, o mercado de ações, de depois o de juros, por último, o de câmbio.

Onde investir na bolsa

Duda listou as ações que aposta, inclusive, para diminuir os riscos do cenário eleitoral. Para ele, os maiores ganhos estão nos setores ligados diretamente ao cenário econômico.

A primeira indicação é o setor de consumo, com as ações de Localiza, CVC e Magazine Luiza. Duda indica que são empresas líderes nos seus setores e que estão crescendo, em média, mais do que 20%. “Algumas, como a Localiza, vão crescer mais de 30%. Se você cresce mais de 30% por ano, em três anos você dobrou de tamanho a empresa”, diz o gestor. “Esse é nosso principal tema.”

A segunda recomendação é o setor financeiro. Ele gosta do caso da própria B3, a bolsa brasileira. Com juros menores e menos subsídios dos bancos públicos, as pessoas vão ter que tomar mais risco para rentabilizar o seu dinheiro via bolsa e as empresas vão ter que se capitalizar via mercado de capitais.

Duda também gosta das ações de bancos, pois devemos a começar a ver os primeiros sinais de expansão do crédito bancário. Ele estima que os bancos devam mostrar crescimento superior aos 10% nos próximos três anos.

O terceiro tema são empresas que lidam com a dinâmica cíclica global. Duda diz que o cenário internacional é favorável para risco, o que beneficia empresas de commodities como Vale e Petrobras. Esta última ainda tem ganhos associados a melhora de governança corporativa, assim com ocorreu com Banco do Brasil no passado, compara o gestor.

Duda avalia que tanto Petrobras quanto BB podem ser beneficiadas pelo cenário eleitoral com candidatos ao centro no espectro político. “Isso não está incluído no preço de Banco do Brasil e Petrobras. Se acontecer, elas vão mudar completamente de patamar”, diz.

No caso da petroleira e de Vale, independentemente disso, Duda explica que só o cenário de commodities, a governança e os resultados já devem garantir que essas ações andem bem. Isso porque são ativos que estão baratos se comparados aos seus pares internacionais.

Os fundos da asset do Brasil Plural estão disponíveis na plataforma da Genial Investimentos. Para abrir uma conta, acesse aqui.

Publicado por Thais Folego

Thais é jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero com MBA em Informações Econômico-Financeiras. Foi repórter de finanças e investimentos dos maiores veículos especializados do país, entre eles o jornal Valor Econômico e as revistas Exame e Capital Aberto.

Contentários

    Deixe um comentário

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *