Como faz o cálculo do imposto de renda? Um dos tributos que mais preocupam os brasileiros é o Imposto de Renda (IR). Isso porque ele é um imposto que precisa ser declarado e recolhido anualmente, exceto para quem é isento — seja por não se enquadrar nos requisitos legais ou em outras hipóteses específicas. 

Se esse não é o seu caso, você precisará aprender como é feito o cálculo do Imposto de Renda. Afinal, uma incorreção no preenchimento da declaração de IR ou no pagamento do tributo poderá resultar em problemas com o Fisco, além de multas, sanções administrativas e até penais. 

Assim, nós, da Genial Investimentos, preparamos este conteúdo para auxiliar você a fazer o cálculo do Imposto de Renda (IR 2022/2023) da maneira correta. 

Confira! 

O que é o Imposto de Renda? 

Antes de saber como calcular o IR, é importante aprender o seu conceito. O Imposto de Renda é um tributo federal que recai sobre os rendimentos realizados por uma pessoa física ou jurídica ao longo de um ano. 

Ou seja, esse é um imposto que pode ser cobrado em qualquer operação que resulte em ganhos financeiros para o contribuinte. Por exemplo:  

  • salário,  
  • aposentadoria; 
  • pensão, 
  • renda proveniente de aluguel,  
  • venda de um bem móvel ou imóvel,  
  • dividendos,  
  • lucros obtidos nos investimentos,  
  • entre outros. 

Em determinadas situações, o IR é recolhido diretamente na fonte, sendo repassado à Receita Federal no momento oportuno. Já em outras ocasiões, o próprio contribuinte é responsável pelo cálculo e por fazer o recolhimento do tributo. Ainda, há casos de isenção.  

Portanto, esse é um assunto que todos precisam ficar atentos, para evitar equívocos ou esquecimentos quando há obrigatoriedade de declarar ou recolher o IR. Nesse sentido, é importante saber quais são essas hipóteses. 

Quem é obrigado a declarar IR? 

Como você viu, todos os anos os brasileiros precisam acertar as contas com a Receita Federal — o famoso Leão. Com base nas regras de 2022, você apenas será obrigado a apresentar a sua declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física (DIRPF) caso se enquadre em uma das seguintes hipóteses: 

Receber rendimentos tributáveis acima da faixa de isenção 

A primeira regra que obriga o contribuinte a declarar IR estabelece o montante anual de R$ 28.559,70 como o teto da faixa de isenção. Isto é, se você receber uma renda igual ou inferior à referida quantia ao longo do ano, estará dispensado de apresentar sua DIRPF. 

Caso contrário, você obrigatoriamente precisará preencher e entregar a sua declaração no prazo estabelecido. Tanto o atraso quanto a omissão na entrega podem gerar consequências para o contribuinte. 

Obter mais de R$ 40.00,00 em rendimentos isentos, não tributáveis ou retidos na fonte 

Outra hipótese de obrigatoriedade na apresentação da DIRPF é o recebimento de uma quantia superior a R$ 40.000,00 em rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte no ano.  

Confira alguns exemplos desses rendimentos: 

  • isentos: rentabilidade da poupança, LCI e LCA, dividendos de ações, fundos imobiliários (FIIs), fundo de investimento nas cadeias produtivas agroindustriais (Fiagro) e outros; 
  • não tributáveis: venda de ações cujo volume financeiro mensal é inferior a R$ 20.000,00, parcelas não tributáveis da atividade rural, aposentadoria por doença grave e mais; 
  • tributados na fonte: juros semestrais de investimentos de renda fixa, resgate de cotas de fundos de investimento fora da bolsa de valores, resgate de Previdência Privada etc. 

Ganhou capital com a alienação de bens ou direitos sujeitos à incidência de impostos 

Sendo o IR um tributo que recai sobre a renda, o ganho de capital na venda de bens ou direitos pode gerar a obrigatoriedade de declará-lo para o Fisco. Destaca-se que mesmo operações isentas podem gerar o dever do envio da declaração. 

É o caso da venda de um imóvel. Nessa hipótese, o contribuinte poderá ser isento de pagamento de IR se utilizar o montante recebido na aquisição de outra propriedade no Brasil, dentro do prazo de 180 dias. Porém, ao fazê-lo, a operação gera a obrigatoriedade de apresentar a DIRPF. 

Realizou operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros ou assemelhadas 

A pessoa que no ano de 2022 realizou investimentos ou operações na B3 (a bolsa de valores brasileira) ou em bolsas internacionais, necessariamente deverá declará-los na DIRPF. Isso é válido mesmo que sejam operações isentas do recolhimento de Imposto de Renda. 

O mesmo vale para quem operou na bolsa de mercadorias e futuros. Esses são mercados de derivativos que permitem fazer negociações relacionadas a moedas, taxas de juros, commodities, entre outros. Já no que se refere a mercados assemelhados, enquadram-se operações em criptomoedas e Forex. 

Realizar ganhos superiores a R$ 142.798,50 em atividade rural 

Quem exercer atividade rural somente será obrigado a declarar Imposto de Renda se os seus ganhos anuais superarem a quantia de R$ 142.798,50 (em 2022). Quando se divide a quantia por 12 meses, isso representa uma renda mensal de até R$ 11.899,88. 

Vale destacar que, mesmo se o contribuinte não alcançar essa quantia, ele será obrigado a apresentar DIRPF caso queira abater eventuais prejuízos realizados nos anos anteriores ou no atual. 

Possuía, em 31 de dezembro, bens ou direitos em valor total acima de R$ 300.000,00 

Além de poder ser obrigado a declarar IR por conta de renda, possuir bens ou direitos que somados ultrapassem o valor de R$ 300.000,00 também gera a obrigatoriedade de declará-los. Para o IR 2022/2023, somente são contabilizados os bens mantidos até 31 de dezembro de 2022. 

Isto é, caso você tenha desfeito do item antes dessa data, o seu valor não é computado no total. Nesse quesito, enquadram-se: 

  • imóveis (inclusive terra nua); 
  • veículos; 
  • investimentos; 
  • seguros; 
  • Previdência Privada; 
  • bens recebidos por herança; 
  • entre outros. 

Passou a condição de residente no Brasil e a manteve até 31 de dezembro 

Se você estava morando no exterior e voltou à condição de residente no Brasil, também estará obrigado a apresentar a DIRPF. Porém, isso somente vale para quem manteve essa condição até o dia 31 de dezembro de 2022. 

Por exemplo, imagine que você tenha voltado a morar no Brasil a partir de fevereiro de 2022, mas em outubro do mesmo ano foi morar fora do país. Nessa hipótese, não haverá necessidade de declarar IR ao Fisco. 

Como funciona o sistema de cálculo do Imposto de Renda?  

Depois de aprender quem deve declarar IR, vale conferir como funciona o sistema de cálculo desse imposto federal. Como você viu, o Imposto de Renda é um tributo que recai sobre a renda do contribuinte. 

Desse modo, o Governo estabelece um sistema de alíquotas aplicadas sobre o ganho de capital. Assim, quando uma pessoa física ou jurídica realiza lucros, um percentual desse ganho vai para o Governo em forma de IR. 

Existem situações que o IR é recolhido na fonte. É o caso do funcionário com carteira assinada que recebe mais que o limite de isenção no ano. Nesse caso, a própria empregadora (fonte do rendimento) retém do salário do trabalhador a alíquota determinada pelo Fisco. 

Ao longo dos meses, essas retenções são repassadas à Receita Federal pelo empregador. No ano seguinte, o trabalhador envia a sua DIRPF à Receita Federal, informando todos os seus ganhos do ano anterior. Geralmente, o prazo para envio é até o último dia útil de abril. 

Ao enviar o modelo completo da declaração, o contribuinte pode abater determinados tipos de gastos da base de cálculo do seu imposto. Entre os mais comuns estão os custos com dependentes, despesas médicas, educacionais e Previdência Privada PGBL. 

Por outro lado, optando pela versão simplificada da DIRPF não há possibilidade de deduzir gastos, mas há um abatimento automático de 20% no imposto devido, até o limite estabelecido. Após aplicação das deduções, o próprio sistema da Receita Federal aponta se existe imposto a ser pago ou devolvido. 

Quais são as alíquotas do Imposto de Renda 2022/2023? 

A cobrança do IR é realizada com base em faixas de renda de modo progressivo. Nesse contexto, quem ganha mais paga uma alíquota maior em relação a quem ganha menos. A própria Receita Federal disponibiliza uma tabela com as alíquotas. 

Embora a inflação diminua o poder de compra dos brasileiros ano após ano, a tabela do IR não sofre atualização desde 2015. Considerando que a proposta orçamentária de 2023, apresentada pela equipe econômica, não prevê a correção da tabela do IR, entende-se que ela será a mesma. 

Veja a tabela mensal:  

Base de cálculo Valor em 2022 Alíquota Parcela a deduzir 
Faixa de isenção De R$ 0,00 a R$ 1.903,98 Isento R$ 0,00 
1ª faixa de renda De R$ 1.903,99 a R$ 2.826,65 7,50% R$ 142,80 
2ª faixa de renda De R$ 2.826,66 a R$ 3.751,05 15,00% R$ 354,80 
3ª faixa de renda De R$ 3.751,06 a R$ 4.664,68 22,50% R$ 636,13 
4ª faixa de renda Acima de R$ 4.664,68 27,50% R$ 869,36 

Já a tabela anual do Imposto de renda é a seguinte: 

Base de cálculo Valor em 2022 Alíquota Parcela a deduzir 
Faixa de isenção De R$ 0,00 a R$ 22.847,76 Isento R$ 0,00 
1ª faixa de renda De R$ 22.847,76 a R$ 33.919,80 7,50% R$ 1.713,58 
2ª faixa de renda De R$ 33.919,81 a R$ 45.012,60 15,00% R$ 4.257,57 
3ª faixa de renda De R$ 45.012,61 a R$ 55.976,16 22,50% R$ 7.633,51 
4ª faixa de renda Acima de R$ 55.976,16 27,50% R$ 10.432,32 

Como calcular o Imposto de Renda?  

Após conhecer a tabela de IR aplicável no momento de apresentar a sua DIRPF, vale aprender como é feito o seu cálculo.  

Cálculo do IR na folha de pagamento 

Caso você queira saber o quanto do seu salário vai para o Imposto de Renda, será preciso buscar as seguintes informações: 

  • valor do salário bruto; 
  • valor de dedução por dependentes; 
  • valor de dedução por pagamento de pensão alimentícia; 
  • valor da dedução do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social); 

O salário bruto corresponde à soma de todos os seus vencimentos, como: salário base, comissões, gratificações, horas extras, entre outros. Já a dedução por despesas corresponde a deduções gerais feitas no pagamento.  

Por sua vez, também é possível deduzir R$ 189,59 por dependente (se houver), bem como o montante pago a título de pensão alimentícia estabelecida judicialmente.  Por fim, é deduzido o montante correspondente ao INSS, destinado à Previdência Social. 

Sabendo todos esses dados, é preciso aplicar a seguinte fórmula: 

[(salário – dependentes – pensão alimentícia – INSS) x alíquota IR] – parcela dedutível 

Por exemplo, imagine um trabalhador que ganha R$ 3.000,00 de salário bruto, declare 1 dependente, pague R$ 200,00 de pensão alimentícia e R$ 277,44 de INSS. Nessa situação hipotética, o cálculo do Imposto de Renda ficaria assim: 

[(3.000,00 – 189,59 – 200,00 – 277,44) x alíquota IR] – parcela dedutível 

[2.333,01 x alíquota IR] – parcela dedutível 

[2.333,01 x 7,5%] – 142,80 

174,97 – 142,80 

R$ 32,17 

Perceba que primeiro se descobre a base de cálculo do IR (salário – dependentes – pensão alimentícia – INSS). Depois, aplica-se a alíquota de IR correspondente à base de cálculo calculada (7,5%). Por fim, abate-se a parcela dedutível (R$ 142,80), chegando ao valor a recolher (R$ 32,17). 

Cálculo do IR com base na versão simplificada da DIRPF 

Quando você opta por enviar a sua declaração de IR na versão simplificada, a Receita Federal faz a soma de todos os rendimentos tributáveis informados. Entre eles estão: salários, pensões, aposentadoria, ganhos com aluguéis, entre outros. 

Ficam de fora os rendimentos isentos ou não tributáveis, a exemplo de valores recebidos como herança, doações, rentabilidade da poupança, entre outros. Também não são incluídos ganhos de tributação exclusiva, como a de investimentos com tributação direto na fonte. 

Sobre o resultado obtido, a Receita Federal aplica um desconto percentual fixo de 20%, limitado a R$ 16.754,34 (em 2022). O valor alcançado será a base de cálculo do IR daquele contribuinte. Nessa etapa, o Leão aplica a respectiva alíquota, para verificar o quanto é devido. 

Depois, são abatidas as contribuições realizadas, seja as retidas na fonte ou pagas pelo próprio contribuinte ao longo do ano-calendário. Com isso, chega-se ao valor final do imposto. Caso o resultado seja negativo, o contribuinte terá que recolher a quantia por meio de DARF. 

Por outro lado, se o resultado for positivo, a Receita se programa para realizar a restituição ao contribuinte. 

Cálculo do IR com base na versão completa da DIRPF 

Agora, se você apresentar a versão completa da sua DIRPF, o Fisco faz a soma de todos os rendimentos tributáveis informados e, depois, subtrai as despesas declaradas. Nesse caso, a dedução do IR não fica limitada a R$ 16.754,34 (como na versão simplificada). 

Nesse quesito, é pertinente acompanhar os detalhes divulgados pela Receita Federal a cada ano. Afinal, as regras de deduções podem sofrer alterações, seja em relação aos custos ou ao limite que pode ser deduzido por segmento. 

Como você aprendeu, é possível deduzir da base de cálculo despesas médicas, planos de saúde, Previdência Privada, gastos com educação, pensão alimentícia, entre outros. Entretanto, é importante que você guarde os comprovantes desses gastos, caso seja necessário apresentá-los. 

No próximo passo, o Fisco aplica a alíquota referente à faixa de renda encontrada após as deduções. Depois, são descontados os valores que foram retidos na fonte ou recolhidos pelo próprio contribuinte ao longo do ano. 

Se esse cálculo apresentar um resultado negativo, o contribuinte deverá complementar o pagamento do IR, recolhendo o montante devido por meio de DARF. Do contrário, obtendo-se um resultado positivo, o Fisco realizará a restituição da quantia seguindo uma fila de pagamentos. 

Em nenhum dos modelos (simples ou completo) o contribuinte precisa fazer o cálculo por conta própria. Na verdade, o próprio sistema da Receita Federal faz a apuração e, inclusive, apresenta qual é o modelo mais vantajoso com base nos dados que foram apresentados. 

Quais são as alíquotas de Imposto de Renda nos investimentos? 

Sabendo que o sistema da Receita Federal apresenta o montante de imposto devido, há quem deixe para fazer o recolhimento de IR após a entrega da DIRPF. Porém, ao fazer isso, você poderá pagar juros e multas que poderiam ser evitados, principalmente em relação aos investimentos. 

Diversos títulos e ativos são tributados diretamente na fonte. Contudo, existem alternativas em que o recolhimento deve ser feito pelo próprio contribuinte em um prazo específico. Dessa maneira, é pertinente conhecer as alíquotas de IR nos investimentos. 

Confira abaixo! 

Investimentos de renda fixa 

A renda fixa é uma classe de investimentos caracterizada pela previsibilidade de retorno e maior segurança. Assim, mesmo antes de investir, o interessado consegue calcular a rentabilidade ou a sua lógica, caso o dinheiro seja mantido investido pelo prazo determinado. 

Entre as aplicações mais conhecidas nesse sentido estão: 

Os riscos desses investimentos são menores que os de renda variável, especialmente os títulos públicos e aqueles que contam com a proteção do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) — como CDBs, LCIs e LCAs. 

O FGC garante um ressarcimento de até R$ 250.000,00 por CPF, caso o emissor do título não consiga arcar com suas obrigações. Ainda há um limite global de R$ 1.000.000,00, renováveis a cada 4 anos. 

Grande parte desses investimentos são tributados conforme uma alíquota regressiva, embasada no prazo dos investimentos. Nesse contexto, quanto maior o prazo que o capital fica investido, menor será a alíquota a ser recolhida.  

Veja: 

Prazo da aplicação Alíquota de IR 
Até 180 dias 22,5% 
De 181 a 360 dias 20% 
De 361 a 720 dias 17,5% 
Acima de 720 dias 15% 

Ademais, é comum que nesses investimentos o recolhimento aconteça diretamente na fonte. Também é válido ressaltar que os rendimentos da poupança, LCIs, LCAs e debêntures incentivadas são isentos de tributação para pessoas físicas. 

Renda variável 

Por sua vez, os investimentos de renda variável são conhecidos pela impossibilidade de prever os seus resultados, bem como por serem mais arriscados. Nesse caso, a tributação pode mudar conforme o tipo de operação. 

Em operações comuns (realizadas entre dias diferentes), o investidor deverá recolher 15% sobre o lucro obtido. Por outro lado, em operações de day trade (realizadas no mesmo pregão), o percentual será de 20%. Isso vale para: 

Como você aprendeu, os ganhos com a venda de ações com volume financeiro mensal abaixo de R$ 20.000,00 são isentos de IR. Também são isentos os dividendos distribuídos por empresas, FIIs ou Fiagro aos seus acionistas ou cotistas.  

Já os dividendos pagos por BDRs poderão ser tributados, respeitando uma alíquota progressiva com base no montante recebido que varia de 7,5% até 27,5%. Contudo, é importante verificar se o provento já não é tributado no país de origem, bem como se há eventuais acordos tributários com o Brasil. 

Nas operações que envolvem esses ativos ou derivativos, o próprio operador fica responsável por recolher o IR devido. Isso se dá mediante o preenchimento e pagamento de DARF até o último dia útil do mês subsequente ao da operação realizada. 

Fundos de investimentos 

Os fundos de investimentos são veículos de investimentos coletivos, formados pela comunhão de capital de diferentes investidores. Os cotistas se submetem aos resultados e riscos de um portfólio montado por um gestor profissional, conforme as regras e objetivos do fundo. 

Diante disso, é possível encontrar diferentes tipos de fundos de investimentos — seja de renda fixa ou variável. A tributação em cada modalidade pode ser diferente, embasada no tipo do fundo ou no seu prazo. Confira: 

  • Fundos de ações: no momento do resgate das cotas haverá o desconto de uma alíquota de 15% sobre os rendimentos, independentemente do prazo; 
  • Fundos de curto prazo: até 180 dias incide uma alíquota de 22,5%. Já acima de 180 dias a alíquota cai para 20%; 
  • Fundos de longo prazo: a alíquota é de 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias; 
  • Fundos de índice (ETFs) de renda variável: aplica-se uma alíquota de 15% sobre os ganhos de capital com a venda de cotas em operações comuns e 20% em operações de day trade; 
  • Fundos de índice de renda fixa: a alíquota varia conforme a duração média dos títulos que compõem a sua carteira, variando entre 25% e 15% (acima de 720 dias); 
  • FIIs e Fiagro: o ganho de capital sobre a venda de cotas possui tributação fixa de 20% seja em operação normal ou day trade. 

Com exceção dos fundos negociados na bolsa de valores (ETFs, FIIs e Fiagro), o recolhimento do IR se dá diretamente na fonte. Já os ganhos obtidos com ETFs, FIIs e Fiagro exigem que o contribuinte faça o recolhimento do imposto por meio de DARF, até o último dia útil do mês posterior ao da operação. 

Come-cotas 

Ainda dentro da temática tributária acerca de fundos de investimento, é relevante saber sobre o mecanismo popularmente conhecido como come-cotas. Ele é aplicado nos fundos de curto ou longo prazo, correspondente à antecipação semestral do IR. 

Como nem sempre o Fisco sabe o momento em que o investimento será resgatado, essa é uma forma de garantir o recolhimento de parte do imposto devido ao longo do tempo. Portanto, a cada seis meses, o fundo antecipa o recolhimento de IR.  

Sempre é utilizada a menor alíquota aplicável (20% nos fundos de curto prazo e 15% nos fundos de longo prazo). Isso inevitavelmente gera a diminuição do número de cotas que os investidores possuem, o que justifica a mecânica ser chamada de come-cotas.  

Quando há o efetivo resgate do investimento, o cotista somente pagará a diferença do imposto devido (se houver). Esse sistema não se aplica em fundos de ações, ETFs, FIIs e Fiagro, que possuem tributação com regras específicas.  

Previdência Privada 

A Previdência Privada é um tipo de investimento bastante utilizado por quem deseja alcançar objetivos de longo prazo — principalmente a aposentadoria. Ela funciona em duas fases: na primeira o investidor passa um determinado período acumulando capital. 

Depois, chega o momento do usufruto, quando ele poderá levantar o montante acumulado de forma integral, parcial, por meio de uma remuneração vitalícia, entre outros. O titular da Previdência Privada pode decidir como se dará a tributação do investimento. 

Isso porque, no início do plano, ele pode escolher qual é a tabela de IR que será aplicada: progressiva ou regressiva. Na primeira, a alíquota aumenta conforme as faixas de renda estipuladas, conforme as regras tradicionais do IR.  

Na segunda, a alíquota diminui conforme o prazo do investimento. Confira a tabela progressiva: 

Base de cálculo Alíquota 
Faixa de isenção Isento 
1ª faixa de renda 7,50% 
2ª faixa de renda 15,00% 
3ª faixa de renda 22,50% 
4ª faixa de renda 27,50% 

Veja a tabela regressiva: 

Prazo do investimento Alíquota 
Até 2 anos 35% 
De 2 a 4 anos 30% 
De 4 a 6 anos 25% 
De 6 a 8 anos 20% 
De 8 a 10 anos 15% 
Acima de 10 anos 10% 

Também é essencial aprender que o tipo de plano escolhido influencia na forma de cobrança do IR. No mercado nacional, você encontrará dois planos de Previdência Privada: Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) e o Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL). 

Saiba mais sobre cada um deles! 

PGBL 

No PGBL, as contribuições realizadas podem ser utilizadas para abater até 12% da base de cálculo do seu IR anual. Contudo, no momento do resgate, o IR recairá sobre o total do investimento (montante acumulado mais os rendimentos).  

Na prática, o recolhimento do IR é postergado para o final do investimento. Isso permite aproveitar melhor o efeito dos juros compostos, considerando que a sua incidência será baseada no total acumulado ao longo do tempo (sem descontos). 

Logo, ele pode fazer sentido para quem entrega a versão completa da DIRPF e pretende diminuir o montante recolhido anualmente na forma de Imposto de Renda. 

VGBL 

No VGBL, o contribuinte não tem a possibilidade de usar as contribuições para abater a base de cálculo do seu IR anual. No entanto, quando há o resgate do investimento, o Imposto de Renda recairá apenas sobre a rentabilidade obtida e não sobre o valor total investido. 

Ou seja, a depender da situação, a quantia destinada ao Fisco é menor que em um plano PGBL. A escolha pelo VGBL pode fazer sentido para quem entrega a versão simplificada da DIRPF ou deseja exceder o percentual de 12% da sua renda bruta com Previdência Privada. 

Isso significa que você pode ter os dois planos, de modo a aproveitar os benefícios que cada um deles oferece — se essa estratégia fizer sentido no seu caso. 

O que acontece se a declaração for feita de forma incorreta? 

Agora que você conferiu como calcular o IR e quais são as alíquotas aplicáveis nos investimentos, talvez esteja se perguntando o que acontece se a declaração for feita de forma incorreta. O principal risco de apresentar uma DIRPF preenchida com erros é cair na malha fina. 

Esse é um termo popular usado para se referir à verificação de inconsistências nas declarações encaminhadas à Receita Federal. Esse mecanismo funciona como uma peneira, retendo as declarações com erros ou que geraram dúvidas. 

É preciso ter em mente que o Fisco consegue cruzar informações de diferentes fontes e umas podem confirmar as outras. Entre elas, estão dados bancários, informações empresariais, relatórios de investimentos, declarações de tomadores e prestadores de serviços, entre outros. 

Nesse sentido, identificando alguma inconsistência, erro ou dúvida, o contribuinte tem a sua declaração retida na malha fina. Em um primeiro momento, a Receita parte do princípio da boa-fé, sendo dada a oportunidade de correção do eventual equívoco, por meio de uma declaração retificadora. 

Ao apresentá-la, poderá haver uma diferença de IR a ser recolhida. Nesse caso, o imposto será acrescido de 0,33% de multa por dia de atraso, limitado a 20% da diferença encontrada. Contudo, se a retificação não for feita, a manobra pode ser vista como uma tentativa de sonegação. 

Nessas hipóteses, o Fisco poderá aplicar uma multa de até 75% do imposto efetivamente devido. Dependendo da situação, ele também poderá encaminhar a questão para os órgãos responsáveis pela investigação e aplicação de sanções penais e administrativas (se for o caso). 

Como evitar o envio de uma declaração com inconsistências? 

Ao chegar até aqui, foi possível obter informações relevantes sobre o IR e o que pode acontecer se você enviar uma declaração com inconsistências. Desse modo, é possível que você queira saber como evitar esse tipo de ocorrência. 

As dicas nesse sentido são: 

  • utilizar os dados do seu informe de rendimentos ao preencher a declaração; 
  • manter todos os recibos dos valores dedutíveis; 
  • declarar corretamente as suas fontes de renda e bens; 
  • informar todos os seus investimentos e operações na bolsa de valores; 
  • não omitir informações; 
  • revisar todos os dados antes de enviar; 
  • contar com apoio profissional (se for preciso). 

Neste artigo, você conferiu como é feito o cálculo do Imposto de Renda e poderá usar essas informações para saber o quanto você pagará ao Fisco em 2022/2023. Ao colocar esse conhecimento em prática, maiores serão as suas chances de se manter em dia com o Leão. 

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