Os fundos IMA-B, também chamados de fundos de inflação, são fundos de renda fixa que podem ter rentabilidades formidáveis. Mas eles têm mais risco que os fundos de renda fixa tradicionais.

Fundos de renda fixa conservadores procuram seguir o CDI, taxa de juros que costuma acompanhar a taxa básica de juros (Selic). Já os fundos IMA-B são assim chamados porque tomam como referência o índice de renda fixa IMA-B.

O IMA-B é um índice que representa o desempenho de uma carteira de títulos públicos federais atrelados à inflação.

Esses títulos têm sua remuneração indexada ao IPCA, índice oficial de inflação. São negociados sob a nomenclatura de Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal) e Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B).

Para tentar acompanhar ou até superar o IMA-B, esses fundos investem a maior parte do seu patrimônio em papéis de renda fixa atrelados à inflação, principalmente títulos públicos. Daí o apelido “fundos de inflação”.

Conheça os IMAs

A sigla IMA significa Índice de Mercado Anbima. Trata-se de uma família de índices de renda fixa criados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima). Eles representarem o desempenho dos preços de mercado de um conjunto pré-definido de títulos públicos.

A lógica é parecida com a dos índices de bolsa de valores. O Ibovespa, por exemplo, representa o desempenho médio de uma carteira formada pelas ações mais negociadas da Bovespa.

Há, ainda, índices que representam o desempenho médio de ações de empresas de determinados setores, de empresas de menor porte, e assim por diante.

Os títulos públicos federais são papéis de renda fixa emitidos pelo Tesouro Nacional para financiar o governo brasileiro.

O investidor pessoa física pode negociá-los diretamente por meio do programa Tesouro Direto, ou investir neles indiretamente, por meio dos fundos de investimento em renda fixa.

Esses papéis têm garantia do governo federal, o que significa que seu risco de calote é mínimo. No entanto, seus preços flutuam diariamente de acordo com as perspectivas para as taxas de juros (CDI/Selic) e para a inflação. Ou seja, há risco de mercado.

O título que menos oscila é o Tesouro Selic (LFT), considerado o mais conservador de todos. Já os prefixados e os títulos atrelados à inflação oscilam mais, principalmente os de longo prazo.

São justamente essas oscilações de preço que os IMAs tentam capturar. Cada índice representa uma carteira de títulos públicos de determinado perfil, e seu desempenho é uma média do desempenho desses títulos, ponderada pelo peso de cada um na carteira do índice.

Além do IMA-B, que baliza os fundos IMA-B, há ainda o IMA-S, o IRF-M e o IMA-Geral. Conheça as características de cada um:

IMA-S: representa o desempenho de uma carteira de títulos Tesouro Selic (LFT), atrelados à Selic.

IRF-M: representa o desempenho de uma carteira de títulos Tesouro Prefixado (LTN) e Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F), cuja remuneração é definida no ato do investimento. Tem duas subdivisões:

– IRF-M 1: abarca títulos prefixados com prazo de até um ano.

– IRF-M 1+: abarca títulos prefixados com prazo superior a um ano.

IMA-B: representa o desempenho de uma carteira de títulos Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal) e Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B), ambos com parte da rentabilidade indexada à inflação pelo IPCA. Tem duas subdivisões:

– IMA-B 5: abarca títulos indexados à inflação com prazo de até cinco anos.

– IMA-B 5+: abarca títulos indexados à inflação com prazo maior que cinco anos.

IMA-Geral: representa o desempenho médio de todos os índices citados, representando a evolução do mercado de títulos públicos como um todo.

Onde o fundo IMA-B investe

Os fundos IMA-B investem principalmente em papéis de renda fixa com remuneração atrelada à inflação, notadamente o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B). Mas podem, também, investir em outros tipos de títulos públicos.

Há fundos que usam como referência o IMA-B. Mas também existem aqueles que são balizados pelo IMA-B 5 ou pelo IMA-B 5+.

A composição da carteira se dá de acordo com o índice de referência, também chamado de benchmark. Fundos IMA-B 5 investem em títulos de prazo menor que cinco anos. Já os fundos IMA-B 5+ investem em papéis de prazo superior a cinco anos. Os fundos chamados apenas de IMA-B não têm essas restrições de prazo.

A mesma lógica é seguida pelos demais fundos de índices de renda fixa, como aqueles referenciados no IRF-M.

Note que se trata de uma estratégia bem diferente daquela adotada pelos fundos de renda fixa conservadora, como os fundos simples e fundos DI. Estes têm o CDI como benchmark e priorizam papéis de renda fixa com remuneração atrelada à Selic e ao DI. É o caso dos títulos Tesouro Selic (LFT).

Riscos

As cotas dos fundos IMA-B oscilam bastante, uma vez que os preços dos títulos atrelados à inflação também têm uma volatilidade considerável. Por isso, diferentemente dos fundos de renda fixa conservadora, fundos IMA-B podem altíssimos rendimentos ou retorno negativo.

Isso de deve à forma como os títulos públicos são precificados, e também a um mecanismo chamado de marcação a mercado.

No caso dos papéis prefixados e atrelados à inflação, o preço do título é influenciado por sua remuneração. Esta, por sua vez, é influenciada pelas perspectivas para o CDI até o vencimento do papel.

Como as perspectivas para o CDI mudam todos os dias, a rentabilidade dos papéis também muda diariamente. Isso faz com que seus preços se modifiquem dia a dia. Entenda a precificação dos títulos de renda fixa.

Essa atualização diária do preço dos títulos conforme as perspectivas para as taxas de juros é chamada de marcação a mercado.

As cotas dos fundos também são marcadas a mercado de acordo com os preços dos ativos que compõem a sua carteira. Saiba mais sobre marcação a mercado.

Os fundos IMA-B, portanto, podem gerar altos rendimentos aos seus cotistas, muito maiores que os da renda fixa tradicional. Basta que os papéis da carteira se valorizem. No entanto, retornos negativos também são possíveis se os papéis se desvalorizarem.

O que afeta os preços das cotas

Os preços dos títulos atrelados à inflação costumam caminhar de maneira oposta às perspectivas para as taxas de juros.

Se o DI tiver perspectiva de alta até o vencimento do papel, os preços dos papéis caem. Se a perspectiva for de queda, os preços sobem.

Uma expectativa de alta da inflação não necessariamente valoriza esses papéis, ao contrário do que a intuição pode sugerir. Se a inflação subir, é bem possível que o governo eleve a Selic. Isso força os preços dos títulos para baixo.

Diferenças entre os fundos IMA-B e o Tesouro IPCA+

A atualização diária dos preços das cotas acontece independentemente de o título ter sido vendido pelo fundo ou não. Se você investir pelo Tesouro Direto, verá que o saldo aplicado em cada papel também muda todos os dias.

Mas quando você investe diretamente em um título público, só realizará os lucros ou as perdas caso venda o título antes do vencimento. Vendas antecipadas devem ser sempre feitas pelo preço de mercado do título.

A marcação a mercado não afeta seus rendimentos caso você fique com o título até o fim do prazo. Nesse caso, você ganha exatamente a remuneração prometida no ato do investimento.

Assim, se você comprou um título que começou a desvalorizar, você pode simplesmente segurá-lo para garantir a rentabilidade contratada no fim do prazo, sem qualquer perda.

No caso dos fundos IMA-B, você realizará as perdas se vender suas cotas por um preço menor do que as comprou. É o gestor do fundo quem decide quando comprar, vender ou segurar cada papel.

Se os títulos da carteira estiverem em um momento de queda, consequentemente as cotas vão se desvalorizar. Se estiverem em um momento de alta, as cotas valorizam.

O investimento direto em Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B) pode ter como objetivo garantir uma rentabilidade acima da inflação. Para isso, deve-se ficar com o título até o vencimento.

Se o objetivo for ganhar com a valorização desses papéis, é necessário vendê-los antes do vencimento, para ganhar na alta dos preços. Nesse caso, o mais indicado são os fundos de inflação, pois há um gestor profissional para fazer isso para você.

Comprar e vender títulos públicos ativamente para ganhar com as variações de preço, e não com a rentabilidade contratada, requer habilidades e conhecimentos macroeconômicos que nem todo o investidor pessoa física tem. É possível perder muito dinheiro no Tesouro Direto se você não souber o que está fazendo.

Assim, quem quer adotar essa estratégia e diversificar seus investimentos tem, nos fundos de inflação, uma alternativa com gestão profissional para obter ganhos maiores na renda fixa.

Note que são estratégias diferentes: comprar um título atrelado à inflação e ficar com ele até o vencimento é uma estratégia de longo prazo para se proteger da inflação; investir em um fundo de inflação é uma estratégia para obter rentabilidade e fazer o capital crescer.

Custos

Como todo fundo de investimento, os fundos IMA-B têm cobrança de taxa de administração para remunerar a gestão. Além disso, podem ter a cobrança de uma taxa de performance sobre  rentabilidade que exceder o IMA-B.

Esses fundos também sofrem a cobrança de imposto de renda por meio do sistema come-cotas e seguem a tabela regressiva para aplicações financeiras. Há IOF para investimentos menores que 30 dias.

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