É comum a associação entre investimento em renda fixa e baixo risco. Mas não é bem por aí. Essas aplicações, mesmo sendo conservadoras, também têm riscos – umas mais e outras menos.

Investimentos em renda fixa consistem em empréstimos de dinheiro a instituições, como bancos e empresas ou mesmo para o governo. Em troca disso, quem empresa, no caso o investidor, recebe uma remuneração. A forma de calcular os ganhos já é conhecida previamente.

Em outras palavras, quem investe em renda fixa receberá a remuneração acordada no prazo estipulado ainda que as condições de mercado mudem ou que a fonte pagadora tenha prejuízo no período, por exemplo.

Como você pode ver, não há nada na definição de renda fixa que diga que o investimento é isento de riscos. Pelo contrário, em certos casos há o risco, sim, de o investidor efetivamente perder dinheiro, apesar de esse risco ser baixo em relação a mercados mais agressivos, como o de ações.

Conheça três situações em que é possível perder ou deixar de ganhar dinheiro na renda fixa. Mas a ideia aqui é conhecer para saber agir, minimizar os riscos e nunca perder dinheiro na renda fixa.

1) Primeiro de tudo: não deixe o seu dinheiro na poupança

A aplicação financeira mais famosa e popular do Brasil é a caderneta de poupança.

Pode não parecer, mas a poupança na verdade é um empréstimo para o banco. Ele usa os recursos para financiar sua principal atividade, conceder empréstimos a pessoas e empresas, e, claro, ele paga juros, isto é, uma remuneração a quem aplicou na poupança.

Mas a remuneração da poupança tem um limite, pela legislação atual: 70% da taxa Selic + a Taxa Referencial (TR), que está zerada há tempos.

Com uma remuneração inflexível como essa, de vez em quando a poupança rende abaixo da inflação, fazendo com que o dinheiro dos investidores perca poder de compra – o que, na prática, é perder dinheiro.

Mesmo quando a poupança não perde da inflação, o rendimento não costuma se diferenciar tanto.

Em outras palavras, é difícil ficar efetivamente mais rico investindo na poupança. Para enriquecer, é preciso que seu patrimônio valorize acima da inflação. Se ele é apenas, na prática, corrigido comprará no futuro o mesmo que compra hoje. Se perder para a inflação, nem isso.

Como se proteger:

A poupança é uma aplicação acessível, prática e isenta de imposto de renda. É verdade. Mas tudo isso você pode encontrar no Tesouro Direto por meio do Tesouro Selic, que, basicamente, vale mais a pena do que a poupança nos principais quesitos: rentabilidade, segurança e liquidez. A gente explica o porquê disso neste post.

2) Você pode tomar um calote

Se aplicações de renda fixa são empréstimos, então, se o devedor tiver complicações financeiras, ele pode não pagar seus credores, no caso você, investidor. O risco de calote – ou risco de crédito, como também é chamado – pode ser maior ou menor, dependendo do tipo de aplicação.

Atualmente, o risco de calote mais baixo do Brasil é o dos títulos públicos oferecidos pelo Tesouro Direto, que são emitidos pelo governo federal.

Em seguida vêm as aplicações de renda fixa privada emitidas por bancos e financeiras, que têm garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), entidade privada mantida pelas instituições financeiras que visa garantir a segurança do sistema financeiro nacional.

As mais comuns e acessíveis às pessoas físicas são os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e as Letras de Câmbio (LCs).

A garantia do FGC tem limite de 250 mil reais por CPF e por instituição financeira em caso de calote.

Finalmente, vêm as aplicações de renda fixa privada sem cobertura do FGC, como os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e as debêntures, que são títulos de dívidas emitidos por empresas.

Claro que, mesmo nesse universo, há emissores com maior e menor risco de crédito. Uma grande e sólida empresa normalmente tem risco de calote inferior a uma empresa média já com endividamento elevado.

Fundos de renda fixa também têm riscos de crédito diferenciados. Aqueles que investem mais em títulos públicos ou que buscam seguir a taxa CDI têm risco menor que os fundos de crédito privado, que aplicam mais em papéis de renda fixa privada.

Estes, por sua vez, podem investir em papéis de níveis de risco distintos, com ou sem garantias, o que fará o risco do fundo ser maior ou menor. Fundos de investimento, no entanto, em geral contam com a vantagem da redução dos riscos pela diversificação da carteira.

Como se proteger:

Se você busca um investimento realmente conservador, prefira os títulos públicos e os fundos de renda fixa conservadora, além dos títulos de renda fixa bancária com cobertura do FGC – e, é claro, mantenha seu investimento dentro dos limites da garantia.

Se você está disposto a correr mais risco para ter mais rentabilidade, escolha com muita sabedoria o ativo, pesquisando sobre a empresa e as chances de ela pagar os juros pelo investimento que você fará.

3) Você pode perder parte da rentabilidade

Alguns títulos de renda fixa não permitem o resgate antes da data de vencimento do papel. Mas mesmo entre aqueles que permitem ao investidor resgatar antecipadamente, a rentabilidade paga pode não ser exatamente aquela que foi contratada.

Muitas vezes, o rendimento prometido na hora da compra de um título de renda fixa só é garantido se o investidor mantiver o papel até o final do prazo. Se vender antes do vencimento, ele pode ter de abrir mão de parte da rentabilidade.

Mas caso você queira resgatar antes do vencimento, é possível ganhar até mais do que a rentabilidade contratada. Mas será que você está preparado para essa incerteza e tal risco?

É possível perder parte do dinheiro investido mesmo sem haver calote porque alguns produtos de renda fixa sofrem a chamada marcação a mercado caso você queira vender o seu título e resgatar antecipadamente. É como se você passasse a operar no mercado secundário. E isso pode fazer com que o seu ativo tenha desempenho negativo, mesmo quando são muito seguros em termos de risco de crédito.

É o caso dos títulos públicos prefixados e daqueles indexados à inflação: Tesouro Prefixado (LTN), Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F), Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal) e Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B).

O preço desses títulos flutua diariamente, de acordo com a flutuação da taxa básica de juros. De uma forma geral e bem resumida, quando os juros têm perspectiva de alta, os preços dos títulos caem; e quando os juros têm perspectiva de queda, os preços dos títulos sobem.

Quando um investidor compra um título desses via Tesouro Direto, ele já sabe quanto vai receber no vencimento. No caso de um prefixado, pode ser algo como 15% ao ano, por exemplo. No caso de um papel atrelado à inflação, pode ser, digamos, 6% ao ano mais a variação do IPCA do período.

Mesmo com a flutuação diária, sua remuneração no vencimento será aquela acordada na data da compra. Porém, se o investidor vender o título antes do fim do prazo, ele pode ter altos ganhos, mas também grandes perdas.

Como se proteger:

Sempre que investir em produtos que não tenham liquidez diária – sejam papéis ou fundos de investimento – certifique-se do que acontece caso você queira reaver seus recursos antes do prazo estipulado. Se não concordar, prefira as aplicações com liquidez diária.

E aí, agora você já sabe como não perder dinheiro na renda fixa! Que tal começar a investir então? Abra a sua conta na Genial Investimentos, sem custos, e ainda tenha assessoria gratuita para encontrar os melhores investimento para você.

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Publicado por Leonardo Pinto

Leonardo é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, com passagens por grandes veículos da imprensa brasileira, como TV Cultura, Veja e Estadão. Especializou-se em jornalismo econômico, com aprovação pela FGV, no curso de trainee promovido pelo Grupo Estado.

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