Fundos de ações são investimentos arrojados que aplicam em ativos de renda variável como ações, bônus ou recibos de subscrição, certificados de depósito de ações, entre outros.

Podem lançar mão de diferentes estratégias para lucrar na bolsa e têm maior potencial de ganho do que aplicações de baixo risco, como os fundos de renda fixa conservadora.

Mas essa maior possibilidade de ganhos vem acompanhada de mais risco. Esses fundos são capazes de gerar fortes ganhos, mas também grandes perdas.

São voltados, portanto, para investidores com maior tolerância ao sobe e desce do mercado, que desejam diversificar a carteira e turbinar o crescimento do patrimônio com rendimentos maiores no longo prazo.

Os fundos de ações podem ser encarados como um terceiro passo na trajetória do investidor que começou a construir patrimônio em aplicações conservadoras, diversificou em investimentos moderados e agora busca ativos mais arrojados para acelerar o crescimento do patrimônio, ainda que somente em uma pequena parcela da carteira.

Mas o investimento em renda variável também é uma questão de perfil. Alguns investidores são totalmente avessos a esse tipo de risco durante toda a vida, e jamais investem em renda variável mesmo depois de construírem grande patrimônio; outros, mesmo iniciantes, já desejam começar a construção do patrimônio investindo boa parte da carteira em ações.

Gestão profissional é um diferencial

Os fundos de ações são particularmente interessantes para a pessoa física, pois investir em ações por conta própria pode ser complicado para a maioria dos investidores. A escolha e o acompanhamento dos ativos requerem certo estudo e um tempo de que nem todo mundo dispõe.

Nesse sentido, torna-se muito interessante delegar as decisões de investimento a um gestor profissional que se dedica inteiramente a essa tarefa.

Fora que os fundos de ações permitem ao investidor diversificar seus investimentos em renda variável com muito menos recursos que os necessários para montar uma carteira de ações suficientemente diversificada.

Seja como for, é importante lembrar que fundos de ações, em geral, devem ser encarados como investimentos de longo prazo.

Até existem operações de renda variável voltadas para os ganhos de curto prazo, mas elas geralmente são recomendadas para investidores com certa experiência e bastante afeitos ao risco de bolsa.

Para a maioria das pessoas, em geral as menos dispostas a dedicar grande parte do tempo aos investimentos, investir em bons fundos de ações com visão de longo prazo é o mais recomendado.

Neste artigo, vamos mostrar as principais características dos fundos de ações, como eles funcionam e como são classificados.

Fundos de investimento

Fundos de ações são fundos de investimento, veículos em formato de condomínio que possibilitam aos investidores unirem seus recursos para investir de forma mais diversificada, eficiente e em ativos com melhor relação risco-retorno do que um investidor individual normalmente conseguiria. Tudo isso com gestão profissional.

Em outras palavras, ao investir em um fundo, o investidor terceiriza a escolha da estratégia e as decisões de investimento a um profissional e paga uma taxa de administração por isso.

O montante de recursos mais elevado de um fundo permite que ele possa investir em ativos geralmente inacessíveis à pessoa física.

E o fato de o fundo ser um condomínio faz com que cada cotista (ou condômino) seja dono de uma quantidade de cotas proporcional ao valor que investiu. Assim, se cada cota tiver, em determinado momento, o valor de dez reais, um investidor que investir mil reais vai se tornar dono de cem cotas.

Seus custos e o direito a eventuais rendimentos distribuídos pelo fundo também serão proporcionais ao montante investido.

Neste artigo, falamos com detalhes sobre como funcionam os fundos de investimento: como é calculado o valor da cota, os custos, a forma de tributação, as instituições financeiras envolvidas, entre outras características.

Fundos de ações

Os fundos de investimento podem ser classificados segundo diferentes critérios: abertos ou fechados, de curto ou longo prazo ou de acordo com os ativos em que investem, por exemplo.

Os fundos de ações são fundos abertos, isto é, permitem aplicações e resgates. Se um investidor deseja entrar no fundo ou aumentar sua participação, o fundo emite novas cotas para ele adquirir. Se desejar sair, basta pedir o resgate para reaver os recursos. Em função disso, é bem fácil entrar e sair desses fundos a qualquer tempo.

É bem diferente do que acontece com um fundo fechado, em que aplicações e resgates não são permitidos. Nesses casos, os cotistas só conseguem investir quando o fundo está aberto para captação. Fora desses períodos, só é possível entrar e sair do investimento por meio da compra e venda de cotas entre os investidores.

Não confunda a classificação de fundo aberto e fechado com o fato de que muitos fundos de ações, ao atingir certo patrimônio, fecham para novas aplicações. Isso não significa que eles sejam fundos fechados.

Esses fundos continuam sendo fundos abertos que eventualmente fecham para captação para que um volume maior de recursos não atrapalhe a sua estratégia. Afinal, eles continuam permitindo aplicações quando abertos, além do resgate de cotas a qualquer tempo.

Quanto à tributação, fundos de ações não estão sujeitos à classificação de curto e longo prazo aplicável, por exemplo, a fundos de renda fixa e multimercados.

Isso porque os fundos de ações são tributados de maneira diversa dos demais fundos abertos. Eles não têm come-cotas nem sofrem cobrança de imposto de renda conforme a tabela regressiva usualmente usada para aplicações financeiras. A cobrança de IR ocorre apenas no resgate, à alíquota de 15%.

Quanto aos ativos, os fundos de ações estão obrigados a investir, no mínimo, 67% da carteira em ações, bônus ou recibos de subscrição, certificados de depósito de ações, cotas de fundos de ações, cotas de fundos de índices de ações e Brazilian Depositary Receipts (BDR) níveis I, II e III. A seguir, um breve resumo sobre cada tipo de ativo:

• Ações são as menores parcelas do capital social das companhias ou sociedades anônimas, isto é, representam pedacinhos da empresa que as emitiu. Seus detentores são acionistas ou sócios, que têm direitos e deveres como qualquer outro sócio, limitados a quantidade de ações que possuem. Podem ser negociadas em bolsa de valores. Neste artigo, falamos mais sobre as ações.

• Bônus de subscrição são títulos negociáveis em bolsa emitidos por companhias ou sociedades anônimas que conferem aos seus titulares o direito de subscrever ações do capital social da companhia. Em outras palavras, conferem aos acionistas a preferência para comprar novas ações emitidas pela empresa, muitas vezes por um preço inferior ao das ações da companhia já negociadas.

• Recibos de subscrição são registros que comprovam que o direito de subscrever as ações foi exercido pelo seu titular. Também podem ser negociados em bolsa até a sua transformação em ações, quando são extintos.

• Certificados de Depósitos de Ações, também conhecidos como Units, são ativos compostos por mais de uma classe de valores mobiliários, como, por exemplo, um conjunto de ações ordinárias e preferenciais. Mais ou menos como um pacote de ativos, negociados em bolsa como se fossem uma única ação.

• Brazilian Depositary Receipts (BDR) são certificados representativos de ações de companhias estrangeiras, negociados em bolsa no Brasil.

Além desses ativos, fundos de ações também podem investir em cotas de outros fundos de ações e de fundos de índices de ações, os chamados Exchange-Traded Funds (ETF). Os ETFs replicam o desempenho das carteiras teóricas dos índices de bolsa e têm suas cotas negociadas como se fossem ações.

A classificação “fundos de ações” está sujeita a algumas subdivisões em função do tipo de ação em que investem ou da estratégia empregada. A seguir, apresentamos mais detalhes sobre os diferentes tipos de fundos de ações.

Tipos de fundos de ações

1. Indexados

Também chamados de fundos passivos, têm o objetivo de replicar as variações de indicadores de referência do mercado de renda variável, como o Ibovespa e o IBrX 100.

Os índices de bolsa replicam o desempenho de uma carteira teórica de ações escolhidas segundo um critério determinado, como as ações mais negociadas da bolsa ou aquelas de empresas que se comprometeram a ter bons índices de governança corporativa.

Os recursos dos fundos indexados que não estiverem aplicados em ações devem ser investidos em cotas de fundos de renda fixa de baixo risco.

2. Ativos

Os fundos de ações ativos são aqueles em que o gestor escolhe ativamente os papéis que vão compor a carteira na tentativa de superar um índice de referência de bolsa, e não apenas de acompanhá-lo. Ou então que simplesmente não fazem referência a nenhum índice.

Esses fundos precisam ter uma política de investimentos bem definida e executá-la. Os recursos que não estiverem investidos em renda variável devem permanecer aplicados em fundos de renda fixa conservadora, com exceção daqueles que são classificados como Ações Livre. São subdivididos em:

Valor/Crescimento

Buscam retorno por meio da seleção de empresas cujo valor das ações negociadas esteja abaixo do seu “preço justo” estimado (estratégia de valor) ou em papéis com histórico e/ou perspectiva de continuar com forte crescimento de lucros, receitas e fluxos de caixa em relação ao mercado (estratégia de crescimento).

Setoriais

Investem em empresas de um mesmo setor ou conjunto de setores afins da economia. Por exemplo, empresas de energia elétrica, de serviços públicos ou de varejo.

Dividendos

Investem em ações de empresas boas pagadoras de dividendos, isto é, com histórico de dividend yield (renda gerada por dividendos) consistente ou que, na visão do gestor, apresentem essas perspectivas.

Small Caps

Investem, no mínimo, 85% da carteira em ações de empresas que não estejam entre as 25 maiores participações do IBrX – Índice Brasil, ou seja, ações de companhias com baixo valor de mercado. São empresas de menor porte e, em geral, liquidez reduzida em relação àquelas que costumam ser mais negociadas.

Os 15% remanescentes podem ser investidos em ações de maior liquidez ou capitalização de mercado, desde que não estejam incluídas entre as dez maiores participações do IBrX.

Sustentabilidade/Governança

Investem em companhias com bons níveis de governança corporativa, ou que se destacam em responsabilidade social e sustentabilidade empresarial no longo prazo, conforme critérios estabelecidos por entidades amplamente reconhecidas pelo mercado ou supervisionadas por conselho não vinculado à gestão do fundo.

Índice Ativo

Têm como objetivo superar um índice de referência da bolsa, como o Ibovespa ou o IBrX 100. Investem em empresas do índice escolhido, mas sempre de maneira a superá-lo.

Ações Livre

Não têm compromisso de concentração em uma estratégia específica. São os fundos de ações com maior liberdade de atuação e estabelecimento de estratégias. A parcela em caixa pode ser investida em quaisquer ativos, desde que especificados em regulamento.

3. Específicos

Fundos de ações específicos adotam estratégias de investimento ou possuem características específicas, podendo ser condomínios fechados ou investir em apenas uma única ação (fundos de mono ação). Não são regulamentados pela Instrução CVM nº 555, que rege os demais fundos de investimento abertos.

Os Fundos Mútuos de Privatização (FMP), por meio dos quais os trabalhadores brasileiros puderam investir parte do seu FGTS em ações da Petrobras e da Vale nos anos 2000, se enquadram nesta categoria.

4. Investimento no Exterior

Podem investir mais de 40% do seu patrimônio em ativos financeiros no exterior.

Para quem os fundos de ações são indicados

Fundos de ações são indicados para investidores de perfil moderado ou arrojado dispostos a correr algum risco para tentar obter ganhos bastante superiores aos das aplicações mais conservadoras e turbinar o crescimento do seu patrimônio no longo prazo.

Não são indicados, porém, para investidores que não toleram a volatilidade do mercado de renda variável e são totalmente avessos a qualquer tipo de perda momentânea no seu patrimônio.

O percentual da carteira alocado em fundos de ações pode variar conforme o perfil de risco, o objetivo e o momento de vida do investidor.

Investidores mais jovens, em geral, podem ter um percentual maior da carteira alocado em renda variável do que os mais velhos, pois dispõem de mais prazo para fazer o patrimônio crescer e recuperar eventuais perdas até a aposentadoria.

Investidores mais arrojados e agressivos podem ter um percentual maior da carteira em fundos de ações que os investidores moderados. Você pode, por exemplo, investir apenas 10% da carteira em fundos de ações e aproveitar o diferencial de rentabilidade da renda variável sem expor a maior parte do seu patrimônio ao risco.

Lembrando que o ideal é que o investimento em renda variável represente uma diversificação da carteira. Isto é, todo investidor, por mais arrojado que seja, deve ter uma porção do patrimônio aplicada em investimentos de baixíssimo risco e alta liquidez, para servir como colchão de emergência.

Risco e retorno

Fundos de ações podem ser considerados arrojados ou agressivos, sujeitos principalmente ao risco de volatilidade das ações e demais ativos de renda variável em que investem. Assim, retornos negativos são possíveis.

Essa volatilidade depende muito do desempenho das empresas, do cenário econômico interno e externo, além da taxa básica de juros (Selic).

Selic baixa e perspectivas de crescimento econômico tendem a melhorar o resultado das companhias e valorizar suas ações, enquanto juros altos e expectativa de recessão têm o efeito contrário.

Particularmente no Brasil, o desempenho da bolsa depende muito das exportações, dos preços das commodities no mercado internacional e de um bom cenário econômico nos países desenvolvidos.

Isso porque as empresas com maior peso nos nossos principais índices são exportadoras de commodities, como Petrobras e Vale. Além disso, os investidores estrangeiros são o grupo de investidores mais representativo da bolsa brasileira.

Um fator de risco adicional é a alavancagem. Fundos de ações que permitem alavancagem podem operar volumes financeiros maiores que seu próprio patrimônio, o que potencializa os ganhos, mas também as perdas. Neste artigo, explicamos com mais detalhes o que é alavancagem.

Quanto à liquidez, fundos de ações permitem resgates, mas uns permitem reaver os recursos mais rapidamente que outros. Em alguns é possível receber os recursos resgatados em poucos dias após o pedido de resgate; em outros, o acesso aos recursos pode levar 30 dias ou mais. Durante esse período, os recursos do cotista continuam rentabilizando.

Quem investe nesses fundos menos líquidos deve estar ciente deste risco e planejar resgates com antecedência. Recursos emergenciais não devem ser aplicados nesse tipo de fundo.

Conheça também: Fundo Bahia Maraú

Custos

Fundos de ações sofrem cobrança de taxa de administração para remunerar a gestão profissional.

Os fundos ativos, que buscam superar um índice de bolsa (o chamado benchmark), podem ainda cobrar uma taxa de performance, percentual sobre a rentabilidade que exceder o benchmark do fundo.

Por exemplo, se o fundo tomar como referência de rentabilidade o Ibovespa, ele pode cobrar uma taxa, digamos, de 20% sobre o rendimento acima do Ibovespa. A taxa de performance serve como incentivo para o gestor buscar uma rentabilidade acima da média do mercado.

Além disso, os rendimentos sofrem, como vimos, cobrança de imposto de renda na fonte, de 15% sobre a rentabilidade na hora do resgate. A alíquota não varia com o prazo. Não há cobrança de IOF.

Ao analisar os retornos históricos de um fundo, lembre-se de que eles já estão líquidos das taxas de administração e performance, mas não de impostos.

Veja como declarar fundos de investimento no imposto de renda.

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