Você deve saber que comprar à vista sai sempre mais barato do que financiar e pagar juros. Afinal, sai bem menos dinheiro do seu bolso. Ao poupar e investir, você ganha uma mãozinha da rentabilidade das aplicações financeiras, enquanto que no financiamento você paga pelo dinheiro emprestado.

Mas você tem real noção de quanto paga a mais num financiamento em comparação à compra à vista? Parece que apenas saber sobre essa diferença não tem tanta força quanto ver uma simulação detalhada, com todos os valores.

Então, como mostrar é melhor do que falar, simulei financiamentos de carro e imóvel para mostrar, ainda que de forma aproximada, quanto realmente custa um financiamento no final das contas.

50 mil reais para a compra de um carro

Sistema de amortização: Tabela Price ou Sistema de Amortização Francês, o mais comumente usado nesse tipo de financiamento. O valor da prestação é sempre o mesmo. Com o tempo, a quantia paga a título de juros decresce, e o valor pago de amortização (pagamento do principal da dívida) aumenta.

Prazo simulado: 36 meses (3 anos). Em geral, os bancos financiam até 5 anos.

Custo Efetivo Total (CET) simulado: 2,50% ao mês. O CET inclui outros custos além dos juros. Segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), a taxa de juros média para financiamentos de veículos em dezembro de 2015 (último dado disponível) foi de 2,28% ao mês. O valor foi arredondado para cima para fins didáticos e também para tentar contemplar os custos extras que formam o CET.

Valor da parcela: R$ 2.122,58

Valor pago de juros ao final dos 36 meses: R$ 26.412,84

Valor total pago ao final dos 36 meses: R$ 76.412,84

Ou seja, se o preço do carro fosse 60 mil reais, sendo 10 mil reais o valor da entrada (pouco mais de 15%), ele custaria, no total, 86.412,84 reais.

Se a quantia de 2.122,58 reais fosse aplicada mensalmente na poupança, seria possível juntar 85.767,75 reais em 36 meses, considerando a rentabilidade mensal média da caderneta de poupança em 2015. O valor de 60 mil reais seria atingido em 27 meses (dois anos e três meses).

Já se a quantia de 2.122,58 reais fosse aplicada mensalmente numa aplicação de renda fixa mais rentável, com rentabilidade líquida de imposto de renda de 0,85% ao mês, seria possível acumular 88.955,41 reais em 36 meses. Os 60 mil reais seriam atingidos em 26 meses (dois anos e dois meses).

200 mil reais para a compra de um imóvel

Sistema de amortização: Tabela SAC (Sistema de Amortização Constante), a mais comumente usada nesse tipo de financiamento. A prestação decresce com o passar do tempo, já que a amortização permanece a mesma, mas a quantia paga a título de juros vai diminuindo.

Prazo simulado: 360 meses (30 anos). Em geral, os bancos financiam até 35 anos.

Custo Efetivo Total (CET) simulado: 0,80% ao mês. A taxa de juros média para financiamentos de imóveis desse valor foi de 0,74% ao mês em dezembro de 2015 (data do último dado), segundo informações do Banco Central. O valor foi arredondado para cima para fins didáticos e também para tentar contemplar os custos extras que entram no CET.

Valor da amortização mensal: R$ 555,56

Valor da primeira parcela: R$ 2.155,56

Valor da última parcela: R$ 560,00

Valor pago de juros ao final dos 360 meses: R$ 288.800,00

Valor total pago ao final dos 360 meses: R$ 488.800,00

Ou seja, o valor total pago no financiamento é mais que o dobro do valor financiado. Se o imóvel for de 400 mil reais, com entrada de 200 mil reais (50%), a quantia total paga por ele será de 688.800 reais.

Se o valor da primeira parcela (2.155,56 reais) fosse aplicado mensalmente na poupança, seria possível chegar à quantia de 400 mil reais em pouco mais de dez anos, considerando a rentabilidade mensal média da caderneta de poupança em 2015.

Numa aplicação de renda fixa com rentabilidade líquida de imposto de renda de 0,85% ao mês, o prazo de acumulação de 400 mil reais cairia para pouco mais de nove anos.

É claro que faz pouco sentido fazer essas comparações quando se trata da compra de um imóvel, uma vez que poupar para comprar à vista pode levar muitos anos.

Durante o período de acumulação, a inflação pode elevar muito o preço dos imóveis, e a pessoa pode ter que pagar aluguel, o que dificulta a poupança. A possibilidade de substituir o aluguel pela prestação do financiamento, por sinal, é um ponto a favor dos financiamentos imobiliários.

Porém, ficam algumas lições bem claras. A primeira delas é que quanto mais você poupar para dar uma boa entrada, melhor, pois menor será o valor financiado e, consequentemente, o valor de juros pagos.

A segunda é que amortizar o financiamento é sempre uma boa ideia. Se durante um financiamento você obtiver algum rendimento extra ou puder usar seu fundo de garantia (FGTS) para adiantar amortizações, você deixará de pagar os juros que seriam cobrados nas parcelas referentes a elas.

Quando você amortiza, o valor total gasto e o prazo de financiamento caem substancialmente.

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