A tecnologia é capaz de revolucionar todos os setores da economia, e com o mercado financeiro não é diferente. Investidores já conseguem desenvolver algoritmos capazes de fazer operações automáticas em um curtíssimo período, realizando o high frequency trading (HFT). 

Também conhecido como negociações de alta frequência, a ferramenta é inovadora para o ambiente de bolsa de valores. No entanto, para utilizar o HTF, o ideal é estudar e aprofundar os seus conhecimentos acerca das possibilidades que ele proporciona. 

Neste artigo, você entenderá o que é high frequency trading e como a tecnologia vem sendo utilizada no mercado financeiro. Não perca! 

O que é o high frequency trading (HFT)? 

O high frequency trading pode ser traduzido como negociações de alta frequência. Trata-se de uma forma de utilizar a tecnologia para negociar ativos automaticamente em um intervalo bastante curto de tempo.  

As operações chegam a durar apenas alguns segundos ou, até mesmo, milionésimos de segundo. Nesse tempo, os negociadores podem obter lucros a partir de pequenas diferenças de preços, que podem estar na ordem de centavos. 

Logo, as negociações de alta frequência são realizadas em grande quantidade, em alta velocidade e em curtíssimo espaço de tempo. Para isso, são utilizados computadores de altíssima performance, por meio de algoritmos especializados. 

No mercado financeiro, esses algoritmos são chamados de robôs investidores. Por meio de sua programação, eles são capazes de realizar um volume bastante elevado de operações. 

Como surgiu? 

O high frequency trading surgiu a partir da modernização dos sistemas das bolsas de valores. Esse progresso otimizou os processos e reduziu o tempo necessário para enviar e receber informações. Assim, os investidores passaram a fazer negociações de maneira ágil e eficiente. 

Foi assim que surgiu o trader ou especulador de alta frequência. Nesse caso, ele conta com tecnologia e métodos capazes de responder às movimentações do mercado em apenas alguns milésimos de segundos.  

Ou seja, não basta ter ferramentas adequadas: é preciso definir as estratégias que serão utilizadas. Apesar de recente, o HFT vem ganhando cada vez mais espaço no mercado. Contudo, no Brasil esse tipo de trade ainda não é tão expressivo quanto em outros países, como nos Estados Unidos. 

Como funciona? 

Como você viu, o HFT funciona como um tipo de negociação realizada por meio de robôs. Os algoritmos são bastante complexos e fazem um grande número de operações em velocidades extremamente altas. Portanto, o processo exige o uso de máquinas robustas.  

Afinal, eles executam várias operações em um mesmo pregão. Nesse caso, as transações também acontecem em uma plataforma automatizada, utilizada, normalmente, por grandes instituições financeiras e traders com muita experiência de mercado. 

HFT no day trade 

Devido às suas características, o HFT é utilizado em trade de curtíssimo prazo, sendo um tipo de day trade. Portanto, os especuladores adeptos a essa ferramenta atuam em um mesmo pregão regular da bolsa de valores. 

Logo, da abertura até o fechamento da sessão, eles podem realizar inúmeras operações de compra e venda de ativos com o auxílio do high frequency trading. Então, embora seja uma ferramenta poderosa, o HFT não é voltado ao longo prazo. 

Por essa característica, eles não costumam se alinhar ao perfil e necessidades de quem segue estratégias como buy and hold e value investing, por exemplo. 

Software de HFT 

Para utilizar o HFT de forma direta, é necessário ter um software que permita realizar as operações de compra e venda na bolsa de valores. No momento de escolher o programa, é importante conhecer as suas funcionalidades e diferenciais. 

Afinal, é possível encontrar ferramentas que se baseiam em análise técnica, enquanto outros aplicam métodos quantitativos. Além disso, esse tipo de software não é uma ferramenta que o trader instala e pode utilizar imediatamente. 

Antes de começar a operar, é preciso fazer ajustes para configurar corretamente o programa de acordo com a estratégia. Além disso, o trader precisará de uma boa infraestrutura computacional e servidores de internet de alta velocidade. Isso pode exigir um investimento com custo elevado. 

Quais são os tipos de HFT? 

As negociações de alta frequência podem envolver diferentes características. Em regra, os trades de alta frequência são classificados em categorias que envolvem tipos de estratégia, latência e agressividade na negociação.  

Já em relação aos tipos de estratégia, ele varia conforme: 

  • Opções de segurança; 
  • Estilo da negociação; 
  • Nível de latência; 
  • Regulamentação do mercado. 

Quais as vantagens e riscos do HFT? 

Depois de saber mais sobre o high frequency trading, é interessante conhecer suas vantagens e riscos. Primeiro, tenha em mente que as oscilações do mercado acontecem de forma bastante rápida. Com isso, cada fração de segundo pode influenciar os lucros obtidos nas operações especulativas. 

Nesse sentido, os robôs de alta frequência precisam realizar negociações rápidas, buscando pequenas variações nos preços. Ainda, isso é feito automaticamente após o trader programar o sistema. Então, os robôs conseguem otimizar o tempo do especulador e aumentar a eficiência das operações.  

No entanto, cabe ressaltar que a bolsa passa por mudanças frequentes e eventuais estratégias que funcionaram em um momento podem não ter o mesmo resultado em outro período. Portanto, pode ser necessário reprogramar o sistema utilizado para o HFT e atualizar as estratégias.  

Com relação aos riscos, saiba que o high frequency trading aumenta a volatilidade do mercado. Então é preciso verificar o seu nível de tolerância. Outro ponto de atenção é que a utilização de HFT pode facilitar a manipulação do mercado financeiro. 

Isso acontece porque os robôs podem ser programados para realizar uma quantidade indefinida de ordens. Isso pode congestionar o mercado, dificultando as operações dos traders que não utilizam a estratégia em suas transações. 

A ferramenta também permite enviar ordens limitadas para atrair os traders mais lentos a negociar. Contudo, antes dessas ordens serem executadas, elas são rapidamente canceladas e seus preços são reduzidos, na esperança de lucrar com o fluxo de ordens que está por vir. 

Também existem erros relacionados com possíveis falhas na criação do código dos softwares. Isso pode fazer com que os algoritmos se comportem de uma maneira não esperada, aumentando o risco de prejuízos. 

Quais os impactos do HFT no mercado? 

Agora você sabe que o HFF oferece alguns riscos para o mercado financeiro e para os especuladores, vale entender melhor os seus impactos. O Flash Crash de 2010 é um exemplo de como as negociações de alta frequência podem causar problemas. 

Para compreender o que aconteceu, é preciso saber que o índice Dow Jones mede o desempenho médio das empresas mais negociadas da bolsa de Nova Iorque. Em maio de 2010, um robô provocou uma enorme quantidade de operações descritas como HTF. 

Com isso, o índice caiu cerca de 9% em poucos minutos. O evento ficou conhecido como Flash Crash e fez o mercado se questionar se os especuladores haviam se beneficiado indevidamente do uso dos algoritmos. Diante disso, alguns países passaram a considerar regulamentações específicas para a prática.  

Outra questão levantada era com relação à capacidade dos computadores de correrem à frente dos traders humanos. Isso poderia ser caracterizado como front running? Como são analisados apenas dados públicos, sem uso de informação interna sigilosa, o mercado teve entendimento diverso. 

No entanto, o tema ainda é alvo de controvérsias e gera impactos nas intenções gerais de negociações devido ao alto volume de operações que ele pode executar. Logo, também há uma intensificação dos riscos que devem ser assumidos pelos especuladores.  

O que é necessário para se tornar um trader HTF? 

Com o auxílio da tecnologia, o HFT pode ser visto como uma evolução natural para grandes traders que desejam crescer. Isso permite tornar as operações ainda mais eficientes e lucrativas. 

Como você viu, a ferramenta é recomendada para especuladores com alto conhecimento, muita experiência de mercado e que realize trades em grande quantidade. Aqui, o volume de negociação de cada investidor é mensurado de acordo com a quantidade média diária de contratos negociados. 

Para quem tem interesse na atuação, além de ter um equipamento robusto e adequado ao volume de operações, é possível contar com o credenciamento na B3, a bolsa de valores brasileira.  

Ela conta com um programa de incentivo que oferece condições tecnológicas mais velozes e competitivas nas operações. Outro grande benefício ofertado é a redução nos custos. Caso tenha interesse em participar, é preciso solicitar a sua inclusão. 

Nesse caso, é preciso contar com uma corretora que seja participante do programa, sendo ela a responsável por encaminhar o termo de adesão assinado pelo trader. Portanto, o especulador só integrará o programa HFT após a aprovação dos requisitos. 

Além disso, em 2019, a B3 lançou uma plataforma para reduzir o risco pré-negociação. O mecanismo analisa as ordens do trader e se elas são compatíveis com seu histórico e capacidade de pagar. 

O sistema visa mitigar o risco e considera diferentes critérios para definir se a oferta deve ou não entrar na plataforma de negociação. Aqui, o objetivo é assegurar o processo de formação de preço para proteger a bolsa contra eventuais problemas de crédito. 

Como acessar o HFT? 

Ficou interessado em realizar negociações de alta frequência? Então, é importante conhecer as formas de acessar o HFT.  

Confira as principais ferramentas que podem ser utilizadas nesse momento: 

Robôs traders 

A principal forma de otimizar processos de curto prazo no mercado financeiro está relacionada ao uso de um robô trader, voltado para a especulação na bolsa de valores. Como busca oportunidades de curto e curtíssimo prazo, é comum que ele se baseie na análise técnica das condições do mercado. 

Nesse sentido, dados como volume de negociações e preço estão entre os principais aspectos analisados. A partir disso, o robô trader procura identificar oscilações que resultem em operações lucrativas.  

Ademais, com a programação de parâmetros, ele pode iniciar e terminar operações, aproveitando essas oportunidades de curto prazo. Inclusive, um dos pontos positivos da inteligência artificial é a sua agilidade para identificar padrões gráficos para embasar as decisões. 

O especulador também pode aperfeiçoar o sistema ao utilizar mecanismos de stop loss e stop gain, por exemplo. Com isso, o robô trader consegue encerrar posições automaticamente se os patamares definidos forem alcançados. 

Robôs de investimento 

A automação de parte das atividades realizadas no mercado financeiro também pode acontecer por meio da utilização do robô investidor. Trata-se de uma solução tecnológica que pode ser utilizada por investidores no mercado financeiro. 

Ele funciona por meio das conexões que consegue fazer entre informações levantadas. Em geral, são utilizados dados como condições do mercado, seu planejamento financeiro e seu perfil de investidor. A partir de análises complexas, o robô pode identificar oportunidades disponíveis. 

Assim, ele apresenta as possibilidades para o investidor, além de conseguir fazer o gerenciamento do portfólio para equilibrar o risco. Inclusive, podem ser propostas mudanças estratégicas para atingir melhores resultados. 

Logo, o objetivo principal do robô investidor é otimizar a alocação de recursos, favorecer a tomada de decisão e minimizar os riscos relacionados aos erros humanos. 

Fundos quant 

Os especuladores também podem acessar essa tecnologia de maneira indireta por meio dos fundos quantitativos — e não apenas via robôs, de maneira direta. Nesses fundos, as decisões de investimentos são tomadas com base em algoritmos e análises matemáticas. 

Não há uma gestão pessoal diante das variações do mercado, pois os fundos quant contam com sistemas automatizados com inteligência artificial. Assim, o objetivo é usar a tecnologia em busca de retornos positivos para os cotistas. 

Para tanto, são usados algoritmos e estatísticas para guiar as decisões de investimento. Os sistemas automatizados também fazem com que esses fundos sejam mais padronizados em relação às operações. 

Em complemento, a tecnologia permite encontrar oportunidades que nem sempre os gestores humanos enxergam. Como não sofrem tanto impacto da subjetividade e do viés emocional, os fundos quantitativos podem ser uma alternativa de menor risco para os investidores.  

Eles podem apresentar, até mesmo, maior estabilidade em momentos turbulentos. Um dos motivos para isso é que estão protegidos do efeito manada e podem ter descorrelação com outros investimentos. 

Agora você sabe que traders experientes e que realizam um alto volume de operações na bolsa de valores podem contar com o high frequency trading. Então avalie as vantagens e riscos envolvidos para entender se a estratégia é alinhada aos seus objetivos. 

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