O cartão de crédito, quando usado estrategicamente, é um grande aliado no planejamento financeiro de muitas pessoas. Entretanto, a falta de controle sobre os gastos e as finanças pode causar problemas pela incidência dos juros rotativos.

Eles costumam ser mais altos que outras taxas cobradas sobre linhas de crédito e podem comprometer o seu orçamento de maneira significativa. Por isso, é importante que você se organize para não sofrer com a incidência deles.

Para elucidar esse assunto, nós, da Genial Investimentos, preparamos este conteúdo. Aqui você entenderá o que são os juros rotativos e como se planejar para não cair neles.

Siga a leitura!

O que são juros rotativos?

Os juros rotativos representam taxas cobradas por instituições financeiras quando clientes não pagam o total da fatura do cartão. Eles são acionados de maneira automática e a cobrança será incluída na próxima fatura.

Para entender melhor, vale a pena saber como funcionam as compras no cartão de crédito. Ao contrário do débito, em que a cobrança é em tempo real e descontada do saldo, a modalidade de crédito permite que você adie o pagamento das suas compras para uma data futura.

As instituições financeiras concedem um limite para os clientes e eles poderão consumi-lo ao longo do tempo. Já a cobrança da compra ou da parcela relacionada a ela acontecerá apenas no vencimento, após o fechamento da fatura.

Porém, muitas pessoas enfrentam dificuldades para pagar a fatura em determinado mês. Para esses casos, as instituições apresentam soluções como o pagamento mínimo, em que o cliente paga apenas uma parte da conta.

O restante da dívida passa para a fatura seguinte, com a adição de taxas como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e os juros rotativos. Desse modo, além de pagar os gastos do mês seguinte, será necessário quitar o saldo remanescente da fatura anterior e os juros sobre ela.

Como funciona a cobrança dessa taxa?

Como você entendeu, os juros rotativos incidem quando uma fatura do cartão de crédito não é paga integralmente até a data de vencimento. Ou seja, esses juros são aplicados diante de atrasos ou da falta de pagamento.

Caso nenhum valor seja pago, os juros de mora e multa podem ser cobrados. Ainda há o risco de o cartão ser bloqueado e a instituição tomar medidas administrativas e judiciais para receber o valor em atraso, certo?

Portanto, o pagamento mínimo pode ser uma forma de evitar essas complicações. Por exemplo, caso a sua fatura tenha fechado em R$ 2 mil e você pague apenas o mínimo de R$ 200 (10%), o restante, de R$ 1,8 mil, deverá ser pago na próxima fatura com acréscimo dos juros rotativos e do IOF.

Cada instituição financeira pode definir qual será o percentual mínimo da fatura que o cliente deverá pagar. A taxa de juros também é definida por ela, que deve explicitar os valores no contrato de adesão do cartão de crédito — e o Banco Central (Bacen) não tem interferência direta nesses percentuais.

Conforme as regulações do Conselho Monetário Nacional (CMN), os juros rotativos só podem ser cobrados até a fatura seguinte. Caso o cliente não quite o saldo devedor, o banco deve oferecer novas soluções para a quitação, como parcelamento da fatura.

Por que essa taxa costuma ser tão alta?

Os juros rotativos estão entre as taxas mais altas do Brasil. Isso acontece porque os débitos do cartão são considerados de alto risco pelas instituições financeiras, que não têm garantias reais de que o cliente quitará a dívida.

Além disso, o pagamento mínimo da fatura é uma forma de crédito emergencial. Ou seja, ele costuma ser utilizado quando o cliente não tem outras opções de crédito disponíveis e precisa de dinheiro com rapidez. Como consequência, a instituição financeira tem mais poder de barganha para cobrar as taxas.

Por fim, é importante lembrar que as taxas de juros são definidas livremente pelas instituições financeiras. Elas consideram fatores como a taxa de inadimplência e a concorrência de mercado. Logo, as taxas costumam variar de um banco para o outro e podem ter valores elevados.

Como calcular os juros rotativos?

Até aqui, você já sabe que os juros rotativos incidem sobre o saldo devedor remanescente da fatura do cartão de crédito. Como ela é estabelecida pela instituição financeira e deve estar descrita no contrato de adesão do cartão, o cálculo tende a ser simples.

Para encontrar o valor da cobrança é preciso considerar o saldo devedor remanescente e a taxa de juros rotativos estabelecida pela instituição. No geral, o valor cobrado é expresso em forma de porcentagem ao mês.

Junto dele haverá a cobrança do IOF. Nesse caso, há uma taxa mensal que é de 0,38% ao mês e uma diária, de aproximadamente 0,0082% por dia de atraso.

A fórmula de cálculo é:

Fatura do próximo mês = Valor da dívida + Juros do rotativo + IOF mensal + IOF diário

Então você deve identificar o seu saldo devedor, saber a alíquota de juros da instituição e somar o IOF. Isso significa que mesmo recorrendo ao pagamento mínimo e controlando seus gastos no mês seguinte, a fatura ainda pode vir alta, certo?

Quais são os riscos de cair nos juros rotativos?

Cair nos juros rotativos pode trazer diversos problemas para o seu planejamento financeiro. Em primeiro lugar, existe o risco de lidar com uma dívida crescente, já que eles estão entre as taxas mais caras do mercado.

Se não houver um plano de pagamento adequado, eles podem elevar muito a quantia da fatura seguinte do cartão de crédito. Então é fácil perder o controle financeiro e ficar com uma dívida assustadora.

Junto aos impactos nas finanças, existem os riscos para sua saúde emocional, como o aumento da ansiedade e do estresse. Se você não pagar a fatura do cartão de crédito por um período prolongado, também há chance de ele ser bloqueado pela instituição financeira.

Logo, pode haver um novo obstáculo para sua organização financeira, em especial se você depender dessa modalidade de pagamento.

Por fim, cair nos juros rotativos do cartão tende a prejudicar sua pontuação de crédito. Caso você não pague a dívida, será mais desafiador conseguir acessar outras linhas de crédito, como empréstimos e financiamentos, com boas condições.

Como evitar os juros rotativos do cartão de crédito?

Agora que você entendeu os riscos que os juros rotativos criam para sua rotina, vale a pena saber como evitá-los. A seguir, listamos as principais boas práticas financeiras que você pode adotar.

Confira!

Tenha uma boa organização financeira

O primeiro passo é ter uma boa organização financeira, então comece fazendo um planejamento. Anote todos os seus ganhos e gastos mensais, incluindo faturas de cartão de crédito, e defina metas para poupar e investir dinheiro.

Para isso, você pode distribuir o seu dinheiro mais estrategicamente. Existem diversos métodos que podem ajudá-lo, como o 50-30-20. Nesse caso, a divisão será:

  • 50% do dinheiro deve ser destinado aos gastos essenciais, como moradia, alimentação, transporte e contas fixas;
  • 30% dos recursos devem ser programados para os gastos pessoais, como lazer, entretenimento, compras e outras despesas;
  • 20% deve ser encaminhado à poupança e investimentos. Isso inclui desde a criação de uma reserva de emergência até a economia para aposentadoria e investimentos em ativos financeiros diversos.

Esse é apenas um exemplo de distribuição e você pode definir os percentuais de acordo com sua realidade financeira. O objetivo é ter mais clareza sobre quanto de dinheiro entra nas contas e como ele é usado.

Você também deve rever essa divisão com regularidade para entender se ela ainda é adequada. Com esse cuidado, há mais chances de manter um planejamento sempre alinhado com seu estilo de vida.

Acompanhe seus gastos regularmente

Controlar seus gastos é uma das principais medidas que você pode adotar para evitar os juros rotativos do cartão de crédito. Ao ter uma visão clara das suas despesas, fica mais fácil evitar o acúmulo de dívidas, certo?

Nesse sentido, anote todos os seus gastos diários, semanais e mensais em uma planilha ou aplicativo. Isso permite que você o ajudará a visualizar seus gastos e identificar como reduzir suas despesas, se for necessário.

Existem diversos aplicativos de gestão financeira disponíveis no mercado que permitem categorizar seus gastos e definir limites para cada categoria. Eles também podem enviar um alerta quando você estiver perto de estourar o orçamento, por exemplo.

Também não deixe de verificar sua fatura do cartão de crédito com frequência e identificar os gastos que estão consumindo mais da sua renda mensal. Ao adotar esse cuidado, você evita surpresas no fechamento do mês.

Mude hábitos de consumo

Outra boa prática consiste em fazer uma revisão de todos os seus hábitos de consumo atuais. Mudar certas tendências de gasto pode ser muito benéfico para suas finanças, ajudando a reduzir as despesas desnecessárias e evitando o acúmulo de dívidas.

Quando você começa a refletir sobre seus hábitos de consumo, é possível identificar onde está gastando mais do que deveria e encontrar formas de economizar. Por exemplo, ao reduzir o número de vezes que você faz refeições em restaurantes, é possível economizar mais dinheiro ao longo do tempo.

Também é viável rever o uso de serviços, como planos de assinatura de streaming. Mesmo que eles pareçam “baratos” em um primeiro momento, o acúmulo deles pode encarecer sua fatura.

Além disso, mudar seus hábitos de consumo pode ajudá-lo a se tornar mais consciente sobre suas decisões financeiras. Em vez de gastar por impulso, você passa a fazer escolhas mais alinhadas com suas prioridades e sua realidade.

Considere reduzir o seu limite

Você já sabe que, com o cartão de crédito, você tem acesso ao limite liberado pela instituição financeira, certo? Ele é definido com base em uma avaliação de crédito que considera sua renda, histórico de crédito e outras informações financeiras.

É por isso que ele pode ser diferente de um banco para outro. Por exemplo, é possível que uma instituição libere R$ 1 mil de limite para você, enquanto outra permita que você gaste mais de R$ 5 mil no crédito.

No entanto, convém lembrar que o limite de crédito não é um dinheiro disponível para você gastar livremente. Na verdade, essa é uma forma de empréstimo que você deve pagar de volta na fatura. Ou seja, você apenas tem a chance de adiar o pagamento.

Para evitar problemas financeiros, vale evitar utilizar todo o limite do cartão e ter uma noção clara do quanto pode gastar sem comprometer sua saúde financeira. Outra opção é reduzir o limite disponível quando ele estiver elevado para o seu momento financeiro.

Essas são práticas mais simples que podem ajudar a controlar melhor os gastos. Com elas, há menos chances de haver um descompasso nas despesas e a consequente incidência dos juros rotativos.

Tome cuidado com parcelamentos

Os parcelamentos estão entre as grandes vantagens das compras no cartão de crédito. Eles permitem que o total da compra seja dividido em parcelas fixas, o que pode facilitar na hora de realizar gastos mais altos.

Embora os parcelamentos possam parecer atraentes, vale destacar que cada prestação adiciona uma nova despesa mensal ao seu orçamento. Se você parcelar muitas compras, pode acabar comprometendo boa parte da sua renda mensal e dificultar o equilíbrio das suas finanças.

Ainda, em algumas lojas os juros cobrados em parcelamentos podem ser elevados, especialmente em compras parceladas em muitas vezes. Como consequência, você pode acabar pagando muito mais pelo produto ou serviço do que se tivesse feito o pagamento à vista.

Portanto, vale ter atenção ao parcelar compras e avaliar se a opção é necessária e se cabe no seu orçamento. Outra boa prática é evitar ter grandes compras parceladas ao mesmo tempo.

Faça investimentos

Por fim, você pode fazer investimentos. Além de servirem para rentabilizar seu dinheiro e ampliar o patrimônio, eles ajudam na sua organização financeira e pagamento de contas.

Ao investir seu dinheiro, o retorno obtido ao longo do tempo pode ajudar a complementar a sua renda. Dependendo da sua estratégia, você poderá ter mais dinheiro disponível para usar em outras áreas do planejamento financeiro.

Os investimentos também o ajudam a alcançar os seus objetivos. Você pode ter metas financeiras mais claras e realistas — como a compra de um imóvel, aposentadoria ou a viagem dos sonhos — e definir um plano para realizá-las.

Além disso, investir é uma prática que contribui para o controle de seus gastos, visto que você estará colocando seu dinheiro em um investimento, fazendo com que ele não fique disponível para ser gasto imediatamente. Dessa forma, você evita a tentação de gastar seu dinheiro de forma impulsiva.

Como sair dos juros rotativos?

Você já está sendo cobrado pelos juros rotativos? A boa notícia nesse caso é que as dicas que você viu até aqui podem ajudá-lo a organizar melhor sua vida financeira e sair das dívidas com mais praticidade.

Além delas, há outras estratégias que podem ser eficientes para mudar sua realidade. Saiba quais são elas!

Renegocie a dívida

Para aqueles que estão com dívidas de cartão de crédito, uma das formas de regularizar a situação é renegociando esses débitos. Para tanto, faça um levantamento das suas finanças, considerando ganhos e gastos, e veja quanto você pode destinar ao pagamento da dívida.

Em seguida, entre em contato com a instituição financeira, explicando a situação. Vale perguntar sobre as opções de renegociação disponíveis, como parcelamento da dívida ou desconto no pagamento à vista.

Nesse processo, busque um acordo sobre as condições de pagamento, como juros, prazos e valor das parcelas. É preciso destacar que a renegociação deve ser viável para o seu bolso — então não faça acordos que você não poderá cumprir.

Substitua a dívida

Outra maneira de sair dos juros rotativos é substituindo a dívida do cartão de crédito por outra mais barata. Isso é possível ao procurar uma instituição financeira que ofereça linhas de crédito com juros menores que aqueles cobrados pelo cartão.

Empréstimos com garantia de bens, como imóvel ou automóvel, costumam ter juros mais baixos. Como o bem em questão serve como garantia de pagamento, o risco para o credor se torna menor.

Outra opção é o empréstimo consignado, que apresenta taxas reduzidas já que o pagamento é realizado por desconto em folha. Com o dinheiro em mãos, é possível negociar o pagamento da dívida do cartão de crédito à vista junto à emissora.

No entanto, ao optar por essa solução, é fundamental que as parcelas do empréstimo caibam no orçamento mensal, evitando novas dívidas e juros. Também é essencial ter disciplina financeira e evitar outras compras grandes no cartão de crédito antes de quitar todas as dívidas pendentes.

Controle seus gastos nos próximos meses

Para sair dos juros rotativos é fundamental acompanhar seus gastos nas próximas faturas. Para tanto, como você viu, é necessário fazer um planejamento financeiro e ajustar seus gastos mensais para que o total da fatura seja pago em dia.

Também pode ser o caso de evitar novas compras no cartão de crédito até que a dívida seja quitada. Com a prática, você não aumenta o custo da próxima fatura e pode garantir que todo o dinheiro disponível possa ser destinado ao pagamento da dívida.

Por fim, é importante manter um hábito saudável de controlar as finanças mesmo após a quitação dos débitos. Isso será fundamental para você evitar futuras situações de endividamento e manter sua saúde financeira em dia.

Como usar o cartão de crédito estrategicamente?

Após entender mais sobre os juros rotativos e como você pode se organizar para sair deles, é interessante compreender como usar o cartão de crédito estrategicamente. Afinal, ele pode ser um grande aliado no seu cotidiano.

Acompanhe!

Use-o de forma responsável

Utilizar o cartão de crédito de forma responsável significa saber como gerenciá-lo adequadamente e usar o crédito com consciência para não ficar com dívidas que você não consegue pagar. Para isso, defina um limite máximo para o quanto você pode gastar com o cartão no mês.

Outra boa prática é usar o cartão de crédito apenas para despesas essenciais, como compras de supermercado e contas mensais, em vez de usá-lo para compras de impulso. Isso é vantajoso para evitar o desequilíbrio no fim do mês, além de facilitar o controle financeiro.

Também vale a pena evitar o pagamento mínimo da fatura para não lidar com os juros rotativos. Entretanto, se determinado mês for mais desafiador, a dica é pagar o máximo que puder da conta para diminuir o saldo devedor para o próximo mês.

Fique atento às taxas

Os cartões de crédito podem cobrar diversas taxas. Além das alíquotas de juros rotativos, pode haver juros em parcelamentos, tarifas quando você usa o cartão para transferência (como o Pix no crédito) e a taxa de anuidade.

Todas elas podem aumentar os custos de uso do cartão. Logo, você deve saber quais são elas para não se surpreender com a cobrança.

No caso da anuidade, existem diversos cartões que não fazem a cobrança. Também há instituições com políticas de isenção caso você atinja uma faixa de gastos mensal ou invista determinado montante. Então vale conferir as condições propostas.

Aproveite os benefícios

Por último, não deixe de aproveitar os benefícios do cartão de crédito. Dois dos mais populares são os programas de recompensas e o cashback. Os programas de recompensas permitem que você acumule pontos com cada compra feita com o cartão. Eles podem ser trocados por diversos produtos, como eletrodomésticos e até passagens aéreas.

Já o cashback é uma opção que oferece dinheiro de volta a partir dos gastos que você realizar na fatura. Esse pode ser um grande incentivo para quem procura economizar e valoriza a possibilidade de obter de volta parte do que é gasto em suas compras.

Além dessas vantagens, os cartões podem dar acesso a salas VIP em aeroportos, descontos em estabelecimentos parceiros, seguros de viagem e diversos outros. Conhecer os benefícios propostos é essencial para que você possa usufruir de todos os pontos positivos.

Completando esta leitura, você entendeu o que são os juros rotativos do cartão de crédito e os perigos que eles trazem para o seu planejamento financeiro. Então vale a pena se organizar e ter mais consciência sobre suas despesas, usando o cartão de forma inteligente.

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