Quando uma empresa surge no mercado, ela precisa estar atenta aos seus concorrentes para se manter competitiva, certo? No entanto, a depender do setor de atuação, esse ambiente pode estar dominado por poucas companhias.

É nesse sentido que os oligopólios se formam e podem influenciar toda a economia de um país. Como consequência, consumidores tendem a ser impactados negativamente. Por outro lado, a existência desses grupos também costuma trazer oportunidades no mercado financeiro.

Neste artigo, você entenderá o que são os oligopólios e como eles podem influenciar a economia e as decisões dos investidores. Vamos lá?

O que é um oligopólio?

Para entender o conceito de oligopólio com mais facilidade, é preciso saber quais são as principais formas de organização do mercado. A primeira é a competição perfeita — também chamada de concorrência perfeita.

Nesse caso, não há Governo ou empresa controlando a comercialização de determinado produto ou serviço. Ainda, o mercado conta com muitos vendedores e uma alta demanda de compradores.

Em teoria, esse contexto favorece a relação entre oferta e demanda e o equilíbrio nos preços. Então, no longo prazo, é esperado que a receita das empresas corresponda ao seu custo total, evitando lucros extras.

Contudo, não existe nenhum setor que se encaixe totalmente nesse cenário. O mais comum é haver a chamada concorrência imperfeita. Nela, existe um desequilíbrio entre oferta e demanda, com uma das partes (empresa ou consumidor) conseguindo exercer influência sobre os precos ou a quantidade.

Esse processo facilita que poucas companhias exerçam domínio sobre um segmento da economia e na formação dos preços de bens e serviços. Os fenômenos mais comuns observados na concorrência imperfeita são:

Monopólio

O monopólio é caracterizado pelo domínio de determinado nicho por somente uma empresa ou Governo. Por ser a única entidade que oferece o bem ou serviço, é ela quem define os preços praticados no mercado.

Oligopólio

O oligopólio ocorre quando poucas empresas são responsáveis pela maioria ou por toda a produção ou oferta do serviço. Nesse contexto, os produtos e serviços comercializados por elas podem ou não ser diferenciados.

Em algumas situações, as companhias obtêm lucros consideráveis no longo prazo. Esse fator é motivado pelas barreiras de entrada no segmento, que dificultam ou impossibilitam que novos negócios acessem o mercado.

Concorrência Monopolística

Esse caso é caracterizado por não haver barreiras de entrada. As empresas participantes de um mesmo setor competem entre si via produtos não-homogêneos que não são substitutos perfeitos, de modo que é custoso para o consumidor, uma vez tendo optado por um produto de uma marca específica, mudar e passar a consumir o produto da empresa concorrente. Neste caso, quanto mais o produto de uma empresa se diferenciar do das demais, maior será o seu poder sobre o preço.

Como funciona essa estrutura de mercado?

Compreender como funcionam os oligopólios ajuda a entender como eles podem influenciar a economia. Você sabia que a formação dessa estrutura de mercado pode ocorrer em qualquer setor?

Contudo, esse processo é mais comum em áreas em que há muitas barreiras de entrada para empresas, como você viu. Nesse sentido, um dos principais obstáculos encontrados pelas organizações é a autorização para funcionar, como no caso de atividades que exigem alvará ou regulamentação específica.

Outra objeção relevante é o custo inicial elevado para operar. Essa característica torna ainda mais difícil para uma empresa nova competir no mesmo mercado que as atuais.

Uma solução possível para essa questão seria produzir em grande escala. No entanto, a limitação financeira pode impedir que as pequenas companhias atendam a uma demanda elevada, fazendo com que apenas os grandes players do mercado tenham tendência a prosperar.

O mercado oligopolista também funciona com as empresas já atuantes criando ações estratégicas para desestimular novas companhias a competirem no mesmo setor. Por exemplo, elas podem inundar o mercado com produtos próximos ou até abaixo do preço de custo para manterem ou expandirem o seu “market share”, fazendo com que os preços caiam caso uma nova organização surja, prática conhecida como “dumping”.

Isso é possível porque empresas grandes e consolidadas conseguem diluir os custos ao produzir em larga escala. Assim, um concorrente que deseja ganhar espaço no segmento precisa crescer antes de conseguir reduzir os gastos de produção e competir ao nível de igualdade.

Quais são as vantagens competitivas de um oligopólio?

Você entendeu que os oligopólios podem tornar a abertura de novas empresas em um segmento mais difícil. Ainda assim, as práticas adotadas por esse modelo podem resultar em algumas vantagens.

Veja quais são as principais!

Economia de escala

Em geral, as empresas oligopolistas têm grande porte, com capacidade de produzir em larga escala. Essa característica é importante para entender o processo de produção nessa estrutura de mercado.

Quanto maior é a quantidade de produtos produzidos por uma companhia, mais alto é o gasto fixo total e menor é o custo unitário. Portanto, organizações de grande porte costumam ser as mais eficientes em produzir a um montante unitário mais baixo do que as pequenas empresas. Isso pode levar a produtos mais baratos para o consumidor final.

Investimento em pesquisa

Como as companhias oligopolistas têm uma estrutura mais consolidada, elas tendem a ter mais recursos financeiros para investir em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e tecnologias. Esses estudos podem resultar em inovações e soluções que beneficiam os consumidores.

Estabilidade de preços

Em determinadas situações, as empresas oligopolistas podem fazer acordos para manter preços estáveis em um nível considerado razoável. Essa prática ajuda a evitar oscilações constantes, que podem prejudicar tanto os produtores quanto os clientes.

Competição focada em qualidade

Como o mercado oligopolista é formado por poucas empresas, novos negócios podem entrar na competição com estratégias que vão além da oferta de preços mais baixos.

Por exemplo, um eventual concorrente que surgir pode focar em oferecer produtos de alta qualidade e atendimento personalizado ao cliente diferenciado, visando ter alguma chance de sobrevivência.

E os impactos negativos do oligopólio para a economia?

Após aprender mais sobre as principais características e as vantagens dos oligopólios, você já tem uma ideia de como eles podem afetar a economia negativamente. Um setor dominado por poucas empresas, por exemplo, não costuma abrir espaço para uma concorrência mais justa.

Em um mercado competitivo, diversos agentes econômicos disputam a atenção dos consumidores. Logo, a concorrência e a oferta de produtos e serviços tende a colaborar para a redução nos preços, favorecendo os consumidores.

Você entendeu, também, que quando poucas empresas atuam em um segmento, os preços podem ser mais altos. Como há poucas opções, os consumidores precisam continuar comprando daquelas organizações, mesmo gastando mais. Como resultado, o poder de compra da população tende a ser reduzido.

Ademais, vale ressaltar a dificuldade de entrada de novas organizações no mercado, o que pode impedir o acesso de novos empreendedores e a criação de empregos.

Acompanhe um exemplo de como um oligopólio pode afetar a economia de um país!

Exemplo de impactos para as empresas

Suponha que, devido à redução das vendas, uma montadora avalie a possibilidade de oferecer um desconto para estimular a população a comprar carros. Para isso, a empresa precisa analisar com cuidado as possíveis reações dos concorrentes.

Os competidores podem não ter atitude alguma ou dar descontos menores que os propostos pela montadora. Nesse caso, ela teria chances de aproveitar um aumento nas vendas. Outra possibilidade é os concorrentes concederem descontos iguais. Assim, todas as montadoras poderiam vender mais carros.

Por outro lado, os fabricantes concorrentes poderiam oferecer descontos ainda maiores que a montadora inicial, com o objetivo de prejudicá-la pelas alterações que causou no mercado. Essa reação teria como resultado uma batalha de preços e, consequentemente, uma intensa redução nos lucros do setor inteiro.

As situações mostram que como há poucas empresas concorrendo em um mercado oligopolista, cada companhia precisa considerar cuidadosamente como as suas decisões afetarão as concorrentes. É essencial para elas entenderem quais serão as possíveis reações às práticas que adotarem.

Os oligopólios são regulamentados?

Devido às características de setores oligopolistas, muitos países contam com regulamentações e leis que visam a prevenir ou controlar práticas que levem a um mercado anticompetitivo por parte dessas empresas. O objetivo das regras é proteger o consumidor e garantir a concorrência justa.

Essa necessidade surge porque um setor concentrado em poucas empresas pode levar a questões como alta de preços ou até escassez de oferta. Sem proteção legal, os preços praticados poderiam ser definidos pelas companhias dominantes por valores maiores do que os considerados justos.

A regulamentação também tem por objetivo evitar que os oligopólios ocorram de maneira estruturada e resultem em acordos prejudiciais aos consumidores. Isso acontece quando há um acordo de cooperação entre as empresas participantes do mercado visando a estabelecer preços mais elevados e um nível de produção reduzido, por exemplo.

Esse processo favoreceria o surgimento de práticas ilegais, como trustes, bem como o aparecimento de cartéis. Quando há cartel, empresas concorrentes se unem para controlar o setor de atuação. Elas entendem que o acordo será mais lucrativo do que agir como concorrência e passam a atuar como em um monopólio.

Então elas passam a operar como se fossem um grupo, mas sem unir os negócios oficialmente. Existem diferentes formas de cartelização, como manipular, acordar ou combinar preços, ofertas ou nível de produção.

Por fim, as regras existem para impedir que haja falta de incentivo para as empresas melhorarem seus produtos e serviços. Nesse caso, os consumidores poderiam sofrer com a oferta de soluções defasadas ou de baixa qualidade.

Existe alguma legislação sobre o assunto no Brasil?

O Brasil criou regulamentações próprias que objetivam controlar os oligopólios e garantir a concorrência justa entre as empresas. Por exemplo, a Lei nº 12.529/2011 é a principal legislação antitruste no país.

Vale saber que o termo truste se refere a uma prática que visa limitar a concorrência e é considerada ilegal, certo? Por isso, a lei define regras para prevenir e coibir as infrações contra a ordem econômica nacional.

As normas também proíbem práticas anticompetitivas, como a formação de cartéis, o abuso de posição dominante e a concentração econômica. Todas essas ações podem resultar em prejuízos ao mercado ou aos consumidores.

No Brasil, o órgão responsável pela fiscalização e aplicação da lei antitruste é o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Além disso, existem outras legislações que ajudam a proteger a concorrência e a ordem econômica.

Entre elas, estão:

  • Lei nº 8.884/94: define regras para o controle de concentrações empresariais;
  • Lei nº 9.279/96: regula as patentes de invenção e os modelos de utilidade.

Quais são os principais exemplos de oligopólio no Brasil?

A regulamentação nacional tem uma razão a mais para existir: você sabia que o Brasil é considerado um “país de oligopólios”? Desde 1960, o Estado incentiva a oligopolização da economia brasileira.

O motivo é que, para alguns setores, entende-se que as vantagens apresentadas por essa estrutura de mercado, como você viu, possa trazer benefícios para a população. Os chamados monopólios naturais são um exemplo e ocorrem quando é mais barato atender a demanda através de uma única empresa ofertando o serviço. Companhias que detém a concessão de serviços públicos de água, esgoto, gás encanado e eletricidade são os casos mais comuns desse tipo de monopólio.

Sendo assim, confira quais são os principais exemplos de oligopólio no Brasil, em diferentes setores da economia!

Setor bancário

O setor bancário do Brasil ainda é dominado por grandes bancos, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e outros. Essas instituições financeiras exercem grande influência no mercado e controlam a maioria dos serviços financeiros no país, como empréstimos e depósitos.

Setor de energia

O setor de energia brasileiro também é conhecido pelo domínio de empresas como Eletrobras, Cemig e Neoenergia. Elas controlam grandes sistemas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica em diversas regiões do país.

Setor de telecomunicações

Outro mercado dominado por grandes empresas é o de telecomunicações. Vivo, Tim, Claro e Oi são as principais companhias do setor e controlam linhas telefônicas fixas e móveis. Elas ainda oferecem serviços de internet e televisão a cabo.

Setor de combustíveis

O mercado de combustíveis no Brasil é comandado por companhias como Petrobras, Raízen, Ipiranga e Vibra Energia. Essas organizações controlam grande parte dos processos de produção, refino, distribuição e venda de combustíveis no país.

Setor de alimentos

Nesse segmento, é possível destacar o domínio de algumas empresas, como JBS, BRF, Marfrig e Minerva. Elas controlam grande parte da produção de carne bovina, suína e de frango no país, além de outros produtos alimentícios industrializados.

Como o oligopólio pode influenciar suas decisões de investimento?

Além de impactar a economia e, ao mesmo tempo, trazer benefícios aos consumidores, o oligopólio pode influenciar o mercado financeiro. Para entender como essa estrutura se relaciona com os investimentos, considere as alternativas ligadas às empresas, como ações e títulos de renda fixa privada.

Parte das companhias oligopolistas não precisam investir intensamente em crescimento, e por isso elas tendem a distribuir mais dividendos aos investidores. Logo, quem tem ações dessas empresas na carteira pode se beneficiar ao receber renda passiva.

Já em relação aos títulos privados emitidos por essas organizações, pode haver maior segurança ao escolher essas alternativas. Considerando que as empresas oligopolistas estão mais estabelecidas no mercado, o risco de calote ao investir nelas tende a ser baixo.

Agora, você sabe que os oligopólios podem afetar a economia e a vida dos consumidores de diferentes formas. Ao mesmo tempo, podem trazer oportunidades interessantes aos investidores no mercado financeiro.

Você tem amigos que ainda não conhecem o conceito de oligopólio? Então compartilhe este conteúdo com eles nas redes sociais!

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