Parar de trabalhar e viver de renda, curtindo a vida ou trabalhando apenas com o que dá prazer é o sonho de muita gente.

Alguns gostariam de fazer isso ainda na juventude, enquanto outros se contentariam com uma boa renda na aposentadoria, para não depender apenas de INSS e poder de fato pendurar as chuteiras.

Juntar dinheiro suficiente para viver de renda não é uma tarefa fácil, mas com planejamento e disciplina, não chega a ser impossível.

Primeiro você precisa definir a renda que gostaria de ter no futuro. Em seguida, determinar quanto dinheiro deve acumular para gerar a renda desejada. Finalmente, você vai planejar quanto poupar por mês e por quanto tempo para atingir a meta.

A forma mais conservadora de fazer esses cálculos é considerando que o principal não será consumido. O principal é a soma que você vai juntar e investir para gerar a renda desejada.

Em outras palavras, o principal deve ser suficientemente grande para que você possa viver apenas dos seus rendimentos.

Como você não sabe por quanto tempo irá viver, essa é a forma mais segura para o seu dinheiro não acabar antes da hora.

Passo a passo para você aprender a fazer as contas para viver de renda

1. Defina a renda que você quer ter no futuro

De quanto você acha que vai precisar para levar uma vida confortável no futuro? Você pode fazer as estimativas levando em conta os valores de hoje, uma vez que nossas contas já vão considerar inflação.

Lembre-se de que na terceira idade os gastos muitas vezes aumentam, em vez de diminuir, como muitos esperam. Principalmente porque cresce muito o peso das despesas com saúde.

A partir da renda desejada vamos calcular o montante a acumular e a quantia a ser poupada mensalmente. Para nosso exemplo, usaremos uma renda mensal de 6 mil reais.

2. Calcule a rentabilidade do seu investimento

Durante a sua aposentadoria, todo o patrimônio que você conseguiu juntar durante a vida deve ficar aplicado em investimentos capazes de gerar renda constante, homogênea e ininterrupta, para que você não viva em altos e baixos.

A estratégia mais conservadora é supor que seu dinheiro ficará aplicado em investimentos de renda fixa de baixo risco. A renda que você vai utilizar deve corresponder apenas à rentabilidade dessas aplicações. O segundo passo, portanto, é estimar quanto elas podem render.

Mas atenção: leve em conta a rentabilidade real, isto é, o rendimento acima da inflação. A inflação corrói o patrimônio, principalmente no longo prazo. É possível comprar muito mais coisas com 6 mil reais hoje do que com a mesma quantia daqui a 20 ou 30 anos.

O que você quer é uma renda futura equivalente a 6 mil reais – ou ainda, uma renda com o mesmo poder de compra que 6 mil reais têm hoje.

Como é difícil estimar a inflação para um prazo tão longo, é mais seguro considerar nos cálculos apenas a rentabilidade real e investir o patrimônio em aplicações que consigam render sempre acima da inflação – algumas chegam a oferecer correção pela inflação.

Outro cuidado importante é descontar o imposto de renda. A maioria das aplicações de renda fixa é tributada, e em geral a alíquota para prazos mais longos (acima de dois anos de aplicação) é de 15% sobre os ganhos.

Uma maneira rápida de estimar uma rentabilidade verossímil é considerar a rentabilidade de um título público de longo prazo atrelado à inflação. Trata-se da aplicação de menor risco (se levada até o vencimento) dentre aquelas que são corrigidas por índices de preços.

O Tesouro Direto, programa on-line de venda de títulos públicos do governo federal, oferece dois tipos de títulos atrelados à inflação pelo IPCA, o índice oficial de preços. O mais indicado para os nossos cálculos é o chamado Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal), que só paga os rendimentos no vencimento.

Títulos públicos atrelados à inflação pagam uma taxa de juros determinada no ato da compra do papel mais a variação do IPCA. Você pode assumir que essa taxa de juros pré-determinada (ou prefixada) é a rentabilidade real que você pode conseguir com investimentos.

Você pode verificar as remunerações dos títulos públicos no site do Tesouro Direto. Atualmente, o Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal) de prazo mais longo vence em 2045 e paga uma taxa de juros de 5,09% ao ano acima da inflação.

A taxa de 5,09% ao ano corresponde a cerca de 0,41% ao mês. Para fazer essa conversão, basta somar 1 à rentabilidade anual (no caso, 5,09%) e depois elevar tudo a 1/12. No final, subtraia 1 e você chegará à rentabilidade mensal. No Excel, a expressão ficaria =(1+5,09%)^(1/12)-1.

Descontando-se os 15% do IR, temos um rendimento líquido real de 0,35%, aproximadamente. É esse valor que vamos considerar para calcular quanto poupar para viver de renda.

3. Divida a renda que você quer pela rentabilidade

Finalmente, você deve dividir a renda que deseja obter no futuro pela taxa de juros real mais realista que você tiver encontrado. Conforme o exemplo, 6.000/0,35%, o que dá um montante de 1.703.032,21 reais, aproximadamente 1,7 milhão de reais.

Você pode ser mais conservador e fazer o cálculo com uma rentabilidade real menor, como 0,3%, chegando ao montante de 2 milhões de reais.

4. Calcule quanto poupar para chegar lá

O próximo passo é descobrir quanto é preciso poupar por mês para viver de renda. Para esse cálculo você vai precisar dos seguintes dados: uma rentabilidade real mensal factível, o valor inicial que você vai investir (que pode ser zero), e em quanto tempo você quer chegar lá.

Usando os dados do cálculo anterior, vamos supor que você vai conseguir uma rentabilidade real de 0,35% ao mês e que quer acumular 1,7 milhão de reais.

Se você partir do zero, isto é, se não tiver um investimento inicial, precisaria investir mais ou menos 4.500 reais por mês para chegar à sua meta em 20 anos (240 meses).

Se o prazo crescer para 30 anos (360 meses), o valor de poupança mensal cai para 2.355 reais, aproximadamente.

Para calcular quanto poupar para viver de renda, você pode usar a fórmula do Excel PMT (em inglês) ou PGTO (em português), e preenchê-la com a taxa de juros (rentabilidade), o prazo (no exemplo, número de meses), o valor presente (quanto você tem para investir hoje, que pode ser zero), o valor futuro (montante que você quer atingir) e escolher zero ou deixar em branco o tipo (para indicar que os investimentos são feitos sempre ao final de cada mês).

Em todos os cálculos, lembre-se sempre de usar o prazo em meses quando estiver usando renda e rentabilidade mensais, podendo usar o prazo em anos se optar por utilizar renda e rentabilidade anuais.

5. Reavalie seu planejamento anualmente

Considerar apenas rentabilidades reais já dá uma boa segurança aos cálculos, mas as taxas de juros reais não são estáticas.

A taxa básica de juros (Selic) muda com o tempo, assim como os índices de inflação. Portanto, a taxa de juro real da economia (diferença entre a Selic e a inflação oficial) também varia, assim com o rendimento real das aplicações financeiras.

Assim, é aconselhável rever seu planejamento de tempos em tempos, para verificar se ele continua factível.

Durante a fase de acumulação de patrimônio, pode ser que o juro real das aplicações de baixo risco ora esteja em 6% ao ano, ora em 4% e ora em 2%.

Pode haver momentos em que você precise poupar mais para se manter dentro do planejamento, ou então que necessite de investimentos mais rentáveis na sua carteira.

O mesmo se aplica à fase de usufruto das suas reservas. De acordo com o exemplo, 1,7 milhão de reais precisam render 0,35% acima da inflação para garantirem um poder de compra de 6 mil reais por mês de forma perpétua.

Se sua carteira de investimentos começar a render menos do que isso, sua renda cairá. Resgatar um valor maior do que aquele que corresponde à rentabilidade vai consumir parte do principal.

Precisa de ajuda para investir seu dinheiro e conseguir viver de renda? Veja como a GENIAL pode ajudar você!

Texto atualizado em 16 de fevereiro de 2018.

A Genial é a plataforma de investimentos que está democratizando o acesso aos melhores produtos do mercado, de forma simples, ágil e eficiente, através de uma assessoria financeira isenta, transparente e qualificada.

Comentários