A escolha é sua, meu filho e minha filha  

Quantas vezes, para proteger nossos filhos, tomamos a frente e decidimos por eles? 

Mas qual a lição aprendida cada vez que agimos dessa forma? 

As crianças precisam fazer escolhas e aprender que elas têm consequências sobre o futuro, essa atitude delega uma certa dose de responsabilidade aos filhos, o que é saudável para o desenvolvimento deles.  

Tomando o exemplo do conhecido cofrinho: se a criança recebe um orçamento e sua escolha for gastar em doces em vez de poupar para o brinquedo desejado, não se intrometa. Explique que ele está abrindo mão de uma coisa por outra, afinal, o dinheiro é só a troca. Errar é fundamental para o aprendizado, e devemos deixar nossos filhos perceberem o poder que têm sobre suas decisões.

Quando e como ensinar? 

Recomendo que, a partir dos três anos de idade, as crianças possam gradualmente ser introduzidas ao dinheiro. Os meus filhos utilizaram o cofrinho até os 7 anos, depois disso, fomos ao banco e depositamos a quantia poupada na conta que eu havia aberto para cada um assim que nasceram. Solicitamos cartão de débito para usar em necessidades diárias e substituímos o dinheiro físico pelo eletrônico.

Como observei que eles deixavam de comprar o lanche na escola para poupar, conversamos em família e, agora, eles obrigatoriamente precisam gastar parte do dinheiro. Não quero criar filhos avarentos, que escolhem ficar com fome na escola para investir. Essa tampouco é uma relação saudável com o dinheiro. 

Um bom planejamento financeiro é a arte de usufruir do presente sem sacrificar o futuro, e vice-versa. 

Outro ponto importante do ensino sobre as finanças: o diálogo. Eu envolvo meus filhos no orçamento familiar, isso os ajuda a entender e a compartilhar responsabilidades com a casa, além de ser um espaço para falarem sobre seus desejos e identificarem prioridades.

O que eu quero é diferente do que preciso e, pelo diálogo, os impulsos de consumo dão lugar a reflexão e metas para o uso do dinheiro.  

A criança, antes de qualquer coisa, quer se sentir incluída nos seus planos, na sua vida, no seu dia a dia. Falar abertamente sobre as finanças em casa é uma excelente forma de torná-las parte ativa das decisões familiares.   

O tempo é das crianças 

 “Estar vivo significa viver em um mundo que precedeu à própria chegada e que sobreviverá à partida.”

Hannah Arendt

O dinheiro é só a moeda de troca para comprar o tempo. Quanto mais recursos você dispõe, mais pode pagar por atividades que não gostaria de exercer para desfrutar do tempo e fazer o que de fato lhe dá prazer.

O tempo é um recurso escasso, finito, ele não volta. O tempo é nosso maior ativo, e é limitado a 24 horas por dia, independentemente do saldo de sua conta bancária.   

As crianças precisam, desde cedo, aprender isso porque, por meio do  dinheiro, podem ter mais tempo para se dedicarem aos seus propósitos, às suas famílias e ao que realmente for importante para elas.   

O tempo é também implacável na construção da educação financeira dos pequenos. Eu tenho uma filosofia: criança não precisa se preocupar com reserva de emergência, recomendo que elas invistam 100% dos recursos na renda variável, assim como faço com meus filhos. Vou falar mais sobre isso nos próximos artigos.  

Eu destino 5% do orçamento familiar para o aprendizado financeiro dos meus filhos, e você pode tirar esses 5% do seu percentual mensal destinado aos investimentos. Não dá para começar com 5% para as crianças? Comece com o que for possível. A lição vale mais do que o valor.  

Qual herança você vai deixar para seus filhos? Eles precisam, sim, de herança, mas de heranças intangíveis (aquelas que não podemos tocar), são as mais valiosas: as lembranças, as impressões, os valores, os exemplos e, se for possível, também alguma coisa material. 

Que tal deixarmos de criar filhos para o mundo e passarmos a criar filhos para transformar o mundo? 

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Publicado por Francine Mendes

Economista, colunista da Forbes Brasil e do Money Times e fundadora do canal Mary Poupe. Educadora financeira e mestre em psicanálise de consumo.

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