Montar o orçamento familiar e fazer uma boa administração dos recursos da casa é um dos principais desafios para as famílias brasileiras — independentemente da classe social. O fato de a educação financeira ainda não ser tão difundida no país é um dos fatores que contribui para o cenário.

Entretanto, o processo de organização financeira e gestão do dinheiro não precisa ser uma tarefa complexa. Ao compreender como ele funciona e como aplicar os conceitos no cotidiano, é possível aproveitar inúmeros benefícios para as finanças familiares no longo prazo.

Por isso, acompanhe a leitura deste conteúdo que nós, da Genial, preparamos. Aqui você entenderá o que é o orçamento familiar, a importância dele para a família e como montar o seu.

Vamos lá?

O que é um orçamento familiar?

O campo das finanças é um dos mais importantes para a gestão de uma casa, não é mesmo? Afinal, regularmente é preciso arcar com as contas fixas familiares, como energia, internet, mercado, mensalidade da escola dos filhos e outros custos.

Além desses exemplos, existem outras despesas que devem ser pagas todos os anos. Esse é o caso dos tributos, como o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) e o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).

Somando-se às contas previsíveis e que podem ser planejadas, há outros custos que surgem de maneira inesperada. Isso porque pode ser necessário fazer um reparo de problemas na casa ou gastar com mecânico do carro.

Mas, independentemente de as despesas estarem programadas ou não, é preciso estar preparado para todos os cenários. Assim, o orçamento familiar representa o controle sobre as receitas e as despesas da sua família com objetivo de equilibrar e trazer mais tranquilidade no dia a dia.

É a partir dele que você pode entender quais são os recursos que a família tem disponíveis e como eles são usados atualmente. O propósito é encontrar melhores soluções para organizar as finanças e gerar oportunidades de ampliação do patrimônio. Interessante, não é mesmo?

Qual a diferença entre orçamento pessoal e familiar?

Agora que você entendeu o que é o orçamento familiar, é natural traçar um paralelo entre ele e o planejamento financeiro pessoal, concorda? De fato, há muitos pontos em que os dois conceitos são semelhantes.

Por exemplo, ambos representam o processo de organização financeira e controle das entradas e saídas de dinheiro das contas. Porém, como o nome sugere, o orçamento pessoal contempla apenas suas finanças no âmbito individual.

Já o orçamento familiar representa a realidade financeira de toda a família, independentemente da composição do núcleo familiar. Desse modo, ele pode incluir cônjuges, filhos, pais e outras pessoas que compartilham as contas.

Assim, o orçamento familiar consiste no que se ganha e que se gasta considerando toda a família. Logo, o seu planejamento individual deve estar incluído nesse processo mais amplo de organização do dinheiro familiar.

Para entender melhor, imagine um casal, recém-casado, que está fazendo a organização das suas finanças. Além de eles considerarem o que gastarão com as contas da casa, os dois podem destinar uma quantia que cada um usará livremente ao longo do mês.

Esse é um exemplo de cenário em que o orçamento pessoal está inserido no planejamento familiar. Quando essa organização é bem definida e alinhada em conjunto, a família pode alcançar um melhor nível de controle das finanças.

Qual a importância de montar um orçamento para minha família?

Chegando aqui, você já conferiu o conceito de orçamento familiar e como ele se diferencia do planejamento pessoal. A seguir, descubra qual a importância de priorizar a montagem dessa ferramenta para sua família!

Segurança para o dinheiro

Encontrar famílias endividadas não é incomum no Brasil. Inclusive, segundo dados divulgados em outubro de 2022, quase 80% das famílias brasileiras estavam endividadas. Nesse contexto, vale a pena ponderar que problemas financeiros estão entre as principais causas de crises familiares.

Além disso, é pertinente destacar que o endividamento pode atingir todas as famílias — mesmo aquelas com renda mensal mais alta. Afinal, esse quadro está atrelado aos gastos familiares e não apenas às receitas.

Nesse sentido, o orçamento familiar é essencial para minimizar os riscos de lidar com dívidas com potencial de prejudicar as finanças. Isso acontece porque ele proporciona uma visão mais ampla sobre os recursos disponíveis e os hábitos financeiros familiares.

Ou seja, ele é um mecanismo para proteger o dinheiro da família. Com um bom controle sobre o orçamento, é possível evitar o acúmulo de compromissos financeiros e se antecipar a cenários que podem colocar em risco o seu patrimônio.

Equilíbrio nas finanças

No contexto empresarial, o ponto de equilíbrio financeiro representa o momento em que as receitas da organização são suficientes para cobrir as despesas da operação. Ele é um marco fundamental na administração do negócio.

Porém, o conceito também pode ter aplicação no âmbito pessoal — mas com leves ajustes. Nesse caso, ter equilíbrio financeiro significa ter os recursos disponíveis para pagar todos os seus compromissos financeiros.

Desse modo, as suas despesas mensais não superam aquilo que a família ganha mensalmente. Então ela poderá pagar as contas com mais tranquilidade e ainda ter capital disponível para aplicar em outras áreas do planejamento, como em investimentos ou no próprio lazer, se fizer sentido.

Oportunidade de construção de riqueza

Também convém perceber que a organização do orçamento familiar pode ser um meio para acumular capital e construir riqueza. Isso acontece porque o dinheiro será utilizado de maneira mais inteligente no planejamento.

Não é raro encontrar famílias, mesmo aquelas de alto poder aquisitivo, que não conseguem acumular um patrimônio condizente com os seus ganhos. Geralmente, isso ocorre porque a renda é quase toda usada em gastos cotidianos — e que, muitas vezes, são desnecessários.

A partir do uso consciente do dinheiro e das economias mensais, além do equilíbrio financeiro, será possível acumular recursos. Inclusive, a oportunidade de ampliar o patrimônio não é limitada apenas para as famílias de alta renda, favorecendo o alcance de resultados de interesse.

Como o orçamento familiar pode ajudar a conquistar objetivos futuros?

Como você viu, montar o orçamento familiar é um processo relevante para a sua gestão de recursos. Na prática, ele proporciona equilíbrio e traz mais segurança para o dinheiro da sua família.

Além desses pontos, o seu orçamento familiar será indispensável para alcançar os objetivos. A partir dele, a família poderá concretizar metas que antes eram apenas sonhos que pareciam distantes.

Isso é possível a partir do uso dos recursos poupados mensalmente. Mais que isso: em vez de apenas economizar para ter “saldo” todos os meses, esse dinheiro poderá ser usado na ampliação do patrimônio familiar e conquista de sonhos.

Essa ação será importante porque apenas poupar, apesar de relevante, pode não ser suficiente para mudar o padrão de vida ou gerar acúmulo de riqueza. Para isso, é necessário fazer investimentos e permitir que o dinheiro trabalhe para você.

Por exemplo, imagine que a família está em busca de comprar a casa própria no futuro. Esse é um dos maiores sonhos para muitas pessoas, mas costuma exigir um planejamento ao longo de um período maior — principalmente por exigir quantias financeiras mais altas.

No entanto, embora pareça distante, a meta de comprar a casa própria pode ficar mais próxima da sua realidade ao unir a economia mensal e os investimentos. Assim, a família terá a chance de rentabilizar o dinheiro para alcançar esse e diversos outros objetivos.

Como traçar objetivos financeiros familiares?

Após compreender como o orçamento familiar contribui para a realização dos objetivos familiares, é preciso saber como traçá-los, não é mesmo? Para isso, vale a pena entender que as suas metas não são sinônimos de sonhos.

Os sonhos representam aquilo que pessoas e famílias esperam alcançar na vida. Entretanto, eles costumam permanecer no campo da imaginação. Normalmente, não há um planejamento em mente para colocar em prática e torná-los reais.

Além disso, os sonhos geralmente são ideias vagas — por exemplo, “quero comprar uma casa”, “quero enriquecer”. Não há uma especificidade sobre o que, de fato, se espera realizar.

Por sua vez, os objetivos são os sonhos para os quais você tem um planejamento claro e alinhado com sua realidade para alcançar. Nesse sentido, uma das principais características dos objetivos são os prazos, que podem ser:

  • curtos: objetivos para alcançar em até 1 ano, como viagens em família;
  • médios: aqueles que você espera realizar entre 1 e 5 anos, como trocar de carro;
  • longos: metas com horizontes mais amplos, superando os 5 anos, como o investimento para aposentadoria ou educação dos filhos.

O entendimento sobre os prazos será muito importante para você desenhar o planejamento adequado para realizar os objetivos. É por meio dessa análise que a família poderá organizar o orçamento para alcançá-los.

O que levar em conta ao montar um orçamento familiar?

Até aqui, você compreendeu os principais detalhes sobre o orçamento familiar e como traçar seus objetivos. Agora, é oportuno saber o que considerar durante a montagem do seu plano. A seguir, confira os principais passos para adotar!

Fontes de renda

O início da montagem do seu orçamento familiar se dá com o mapeamento das fontes de renda. Afinal, é preciso saber quais os recursos que entram nas contas regularmente e de onde eles são provenientes.

Para tanto, a listagem pode começar apenas com os salários do casal, se for o caso. Vale a pena pensar que é fundamental ter completa transparência sobre a remuneração de cada um para assegurar que a construção do orçamento seja eficiente.

Contudo, se existirem mais membros com renda no grupo familiar, eles devem ser incluídos. Então, se há outros familiares que compartilham a casa, é interessante que a renda deles esteja presente no orçamento.

O processo de identificação de receitas também se transforma em uma avaliação do cenário financeiro no âmbito pessoal. É possível entender se os ganhos atuais estão condizentes com suas habilidades técnicas e, em caso negativo, desenhar um novo plano de carreira, por exemplo.

Outro detalhe relevante é que as fontes de renda consideradas não devem se limitar ao salário. A família pode ter investimentos, como imóveis alugados, e o dinheiro proveniente deles deve ser incorporado ao orçamento.

Principais despesas

Outro elemento que deve estar presente no orçamento familiar são as despesas. Elas representam as contas e os demais compromissos financeiros da família — ou seja, tudo o que sairá das finanças ao longo do mês.

Nesse sentido, procure categorizar os gastos para gerar mais clareza durante a avaliação das suas despesas. Uma alternativa interessante pode ser dividir as suas despesas entre aquelas que são necessárias e as opcionais ou variáveis.

As obrigatórias são aquelas regulares e, muitas vezes, fixas — embora a quantia paga todos os meses possa mudar. A conta de luz, água, internet e o supermercado são exemplos de gastos que a família deve arcar todos os meses.

Já as despesas variáveis costumam representar os gastos não obrigatórios para o cotidiano. É o caso de serviços de streaming por assinatura, compras de roupas, saídas em família e diversas outras.

Contudo, vale a pena ressaltar que o fato de eles não serem obrigatórios não significa que essas despesas não devam constar no planejamento. Esses gastos, muitas vezes atrelados ao lazer, são relevantes para seu estilo de vida, mas devem ser definidos com cautela.

A visualização das despesas permite à família entender se elas estão condizentes com as receitas atuais. Caso exista um descompasso entre ganhos e gastos, será mais prático trabalhar em soluções e evitar maiores problemas no futuro.

Reserva de emergência

A construção do seu orçamento familiar também precisa contemplar a existência da reserva de emergência. Ela é um dos mecanismos mais valiosos para equilibrar e trazer mais segurança para o planejamento financeiro da família.

Para entender melhor a importância dela, vale considerar que mesmo organizando todas as finanças da família, ainda há a possibilidade de lidar com imprevistos. Como eles podem exigir gastos inesperados, o orçamento pode ser prejudicado.

Essas emergências podem ser casuais, como problemas mecânicos no carro que geram gastos na oficina. Mas também há cenários mais sérios, como a perda de uma fonte de renda ou complicações de saúde.

Embora não seja possível se antecipar ou mesmo impedir que muitas dessas situações aconteçam, a família pode estar mais preparada para lidar com elas. Isso é possível ao compor a reserva de emergência, que poderá cobrir muitos desses gastos urgentes.

Assim, em vez de reorganizar o orçamento mensal e prejudicar outras áreas do planejamento para arcar com as despesas extras, você usará o dinheiro da reserva. Portanto, os impactos financeiros podem ser menores no cotidiano familiar.

A quantia presente na reserva de emergência pode mudar de acordo com a realidade financeira da família. Mas, geralmente, a recomendação é que ela seja suficiente para cobrir 6 meses dos custos mensais.

Também é pertinente destacar que não é vantajoso manter o dinheiro guardado em espécie em casa ou parado na conta corrente. Esse tipo de prática colabora para ele perder valor com o passar do tempo devido à ação da inflação.

Nesse contexto, uma possibilidade é buscar aplicações financeiras pós-fixadas e de liquidez diária para ela. Ao adotar essa estratégia, você rentabiliza o dinheiro e poderá acessá-lo rapidamente quando as necessidades surgirem.

Regras de organização financeira

Com a compilação dos seus ganhos e gastos e o entendimento sobre a reserva de emergência, continue a montagem do orçamento aplicando regras de organização financeira. Essas são ferramentas para facilitar o controle das finanças familiares.

Entre as regras mais famosas há a 50-30-20. Os números representam a divisão dos ganhos em percentuais, em que 50% são para as despesas essenciais, 30% para os gastos variáveis ou e o restante será poupado e usado para investir.

O uso de percentuais costuma trazer vantagens para o controle dos seus gastos. Afinal, eles podem facilitar a sua compreensão sobre gestão de despesas e evitar que você exceda os custos em determinadas áreas. Mas essa é apenas uma referência, combinado?

Na verdade, você pode aplicar outros percentuais de divisão que façam mais sentido para a realidade financeira da família e para as metas específicas.

Objetivos financeiros

Até aqui, você já aprendeu como o orçamento familiar contribui para a realização dos objetivos financeiros. Por isso, a montagem dele deve incluir os objetivos que a família definiu.

Lembre-se de que as metas financeiras devem ser traçadas em conjunto, para estarem alinhadas com o que todos os membros da família almejam para o futuro. Além disso, o objetivo precisa ser realista e os prazos, alcançáveis.

Dessa maneira, a partir das regras para economizar que você aplicará, será possível definir o percentual dos ganhos que serão usados na realização desses objetivos. E faça novas avaliações regularmente para entender se o objetivo continua relevante e se ele está mais próximo de se concretizar.

Outro ponto relevante ao definir objetivos familiares é que eles não devem esquecer metas pessoais. Como você acompanhou, seu planejamento individual deve compor o planejamento familiar. Então os objetivos individuais de cada um também devem ser contemplados.

Plano de investimentos

A última etapa de montagem do orçamento familiar envolve construir o plano de investimentos da família. Ele é o caminho para a realização dos objetivos a partir da economia de recursos, ao investir o dinheiro nas alternativas do mercado financeiro.

No âmbito pessoal, o início da jornada de investimentos se dá com a definição do perfil de investidor. Essa é uma classificação dada de acordo com a tolerância ao risco de cada um — e também se relaciona com a experiência no mercado de capitais.

Então pode ser interessante fazer essa avaliação de riscos para os recursos familiares para visualizar as melhores oportunidades de investimento para a família. Com isso, serão feitas movimentações mais inteligentes, visando o acúmulo de riqueza — especialmente no longo prazo.

Para proporcionar mais equilíbrio ao plano de investimentos, considere diversificar o portfólio. A prática possibilita aproveitar as diferentes oportunidades do mercado financeiro para mitigar os riscos do mercado.

Também vale considerar as oportunidades com alternativas geradoras de renda passiva. Ações, fundos imobiliários (FIIs) e títulos de renda fixa com cupons são exemplos de investimentos que podem produzir rendimentos regulares para a carteira.

Deve haver um responsável pelas finanças na família?

É cada vez mais comum encontrar famílias em que há divisão de tarefas dentro de casa. Ou seja, os compromissos e as responsabilidades domésticas não ficam mais sob responsabilidade apenas de uma pessoa.

Por isso, a elaboração do orçamento familiar deve acontecer em conjunto e contemplar todos aqueles que serão beneficiados por ele. Desse modo, será possível visualizar os gastos em família e traçar objetivos realizáveis.

Entretanto, mesmo com a participação coletiva, pode ser vantajoso designar alguém para ficar responsável pelo controle mais próximo do orçamento. A pessoa poderá fazer as anotações e garantir a adequação de todas as movimentações.

Em relação às decisões, especialmente aquelas que demandam mais alta movimentação financeira, o consenso será indispensável. Ao adotar essa postura, a família diminui as chances de as finanças se tornarem motivos para desentendimentos.

Por fim, considere a construção do orçamento familiar como um mecanismo de educação financeira. Caso existam crianças na família, por exemplo, pode ser oportuno fazer explicações adequadas à idade, ajudando a construir um relacionamento positivo com o dinheiro.

Como as planilhas de controle financeiro podem ajudar?

Para otimizar o processo de montagem e acompanhamento do orçamento familiar, pode ser vantajoso contar com planilhas financeiras. Isso porque elas facilitam a estruturação das finanças familiares e o monitoramento das movimentações.

Por exemplo, com uma planilha de controle, você pode categorizar as informações de maneira mais prática e favorecer a visualização das receitas e dos gastos. Também é possível fazer modificações na estrutura para encontrar a melhor solução para a família.

Outro ponto interessante das planilhas é que elas são compartilháveis. Dessa maneira, quando há mais pessoas que acompanham as finanças da família, será mais fácil para todos verem como estão as movimentações ao longo do mês e incluírem dados, se for o caso.

Além disso, as planilhas não precisam ser construídas do zero. Com a Genial, você tem acesso a um template gratuito de uma planilha para controle financeiro. Nesse caso, basta baixar o material e adaptá-lo para a realidade da sua família.

Como você acompanhou, a organização e o acompanhamento do orçamento familiar são importantes para equilibrar as finanças da família e proporcionar a oportunidade de alcançar objetivos. Portanto, coloque em prática o que você aprendeu sobre controle de gastos e definição de metas financeiras.

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