Já falamos aqui no blog sobre o que é e como funciona a diversificação de investimentos. Diversificar é importante para você reduzir o risco da sua carteira ao mesmo tempo em que tira o melhor proveito dos investimentos, potencializando o resultado.

Assim, é possível proteger o seu patrimônio com a segurança da renda fixa e, simultaneamente, colher os bons frutos das aplicações que podem trazer rentabilidades mais altas, como as ações, os imóveis e as moedas estrangeiras.

Agora, vamos detalhar o jeito certo de diversificar e o que você deve saber para entender direitinho como a diversificação funciona, mesmo que tenha um consultor de investimentos para fazer isso para você.

1. Investir em produtos de diferentes instituições financeiras não basta

É preciso tomar cuidado com a falsa sensação de diversificação. Não basta ter ações de diferentes empresas, investir em vários fundos ou comprar títulos de dívida de diferentes bancos. É necessário estar atento ao tipo de risco a que você está se expondo.

Na renda fixa, por exemplo, há diversos tipos de depósitos que contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). É o caso de conta-corrente, poupança, CDB, LCI e LCA. São garantidos pelo FGC os depósitos de até 250 mil reais por CPF, por instituição financeira.

Se você quiser investir mais do que 250 mil reais nessas aplicações, o ideal é diversificar as instituições financeiras. Não concentre uma quantia maior do que essa em um único banco.

Caso um dos bancos vá à lona, o investimento que você tinha ali será ressarcido. E o restante do patrimônio estará totalmente a salvo.

O mesmo acontece com as ações. Diversificar suas aplicações em renda variável é muito importante, dado que se trata de um investimento de grande volatilidade.

Assim, você não fica exposto aos riscos de uma única companhia. Quando uma empresa vai mal, as outras podem se sair bem, compensando as eventuais perdas.

Mas só essa diversificação dentro de uma mesma classe de ativos, entre investimentos com as mesmas características, não é suficiente. Seu risco continuará, na verdade, concentrado.

Se você só investir em CDBs indexados ao CDI, por exemplo, estará exposto apenas às variações da taxa básica de juros. Não conseguirá, portanto, retornos muito maiores do que o CDI, e se a taxa básica cair, os rendimentos caem junto.

Caso você invista apenas em ações, sua carteira terá um risco de mercado elevado, com alta volatilidade. Poderá amargar muitas perdas e impedir você de alcançar seus objetivos.

Além disso, se você apenas investir em ações de empresas de um mesmo setor, não estará fazendo uma diversificação real nem mesmo na renda variável. Qualquer acontecimento negativo com o setor impactará negativamente todas as ações, de um modo ou de outro.

2. Você deve investir em diferentes classes de ativos, independentemente do que está indo bem agora

A verdadeira diversificação não se restringe a investir em diversas empresas, bancos ou fundos. Ela consiste também em aplicar em diferentes classes de ativos e se expor a diferentes fatores de risco e oportunidades, independentemente do que está indo bem agora.

O investidor deve estar posicionado em diferentes mercados, para ganhar com aqueles que estão indo bem, reduzindo ou neutralizando as perdas daqueles que estão indo mal.

A princípio, todo mundo deveria ter algum percentual da carteira em renda fixa pública e privada, seja atrelada à taxa básica de juros, seja prefixada ou atrelada à inflação; ao dólar ou investimentos no exterior; aos imóveis; e à renda variável, no mercado acionário.

A proporção de exposição a esses mercados vai depender do perfil do investidor – se conservador, moderado ou arrojado – e de seus objetivos financeiros, e não do momento pelo qual passa a economia.

Essa estratégia é importante porque acertar o momento certo de migrar para determinado investimento – como saber a hora de começar a comprar ações ou títulos prefixados para lucrar com um bom momento de mercado – é muito difícil.

O mercado funciona em ciclos. O investimento que hoje está por cima amanhã pode estar por baixo, e vice-versa. A diversificação possibilita ao investidor tirar o melhor proveito de cada ciclo, mantendo-se fiel ao seu perfil.

Tentar acertar o momento certo de entrar em um mercado, por outro lado, é bastante arriscado. O investidor pode chegar tarde demais, e acabar comprando na alta e vendendo na baixa.

3. A carteira diversificada deve ser rebalanceada de tempos em tempos

Ao investir em uma carteira diversificada, o investidor não vai simplesmente colocar seu dinheiro ali e esquecer. Ele deverá rebalancear de tempos em tempos – semestralmente ou anualmente, como falamos no último item deste post.

No geral, o rebalanceamento consiste em manter os percentuais investidos em cada classe de ativos constante.

O percentual investido na classe de ativos que rendeu mais aumenta, enquanto que o percentual alocado na classe que rendeu menos diminui. A ideia é migrar os recursos da classe mais valorizada para a menos valorizada, de forma a preservar as proporções.

Ao fazer isso, o investidor mantém-se fiel à estratégia e neutraliza as emoções que poderiam levá-lo a decisões irracionais. É difícil investir mais em uma classe de ativos que está se desvalorizando. Mas, ao automatizar esse processo, é mais fácil não titubear.

Isso não quer dizer que os percentuais investidos em cada classe de ativos devam sempre permanecer os mesmos. O perfil de um investidor pode se modificar ao longo da vida, conforme seus objetivos, prioridades e perspectivas mudam.

Um eventual ativo problemático, que não tenha mais boas perspectivas, também pode ser trocado por um mais promissor. Mas no geral, esse tipo de mudança será relativamente raro.

4. Fundos de investimento podem ser ótimos instrumentos de diversificação

Investir por conta própria em tantas classes de ativos pode ser complicado para quem não é profissional ou não tem tempo de se dedicar a estudar melhor os investimentos. Além disso, os custos podem ser elevados.

Os fundos de investimento podem ser ótimas opções para o investidor pessoa física nesse caso. Há fundos expostos a todo tipo de mercado, da renda fixa mais conservadora a fundos que investem em várias classes de ativos.

Por meio dos fundos, o investidor tem acesso a uma gestão profissional e a uma carteira já diversificada, ainda que em uma única classe de ativos. E tudo isso com bem menos recursos do que seriam necessários para montar uma carteira diversificada por conta própria.

Um investidor individual precisaria de centenas de milhares ou mesmo milhões de reais para montar uma carteira de ações similar à de um fundo de ações ou uma carteira de imóveis, por exemplo.

Por bem menos é possível investir em fundos de ações ou fundos imobiliários bem diversificados.

Além disso, os fundos permitem racionalizar os custos. Manter uma carteira totalmente diversificada comprando os ativos um a um pode ter custos proibitivos de administração, corretagem e custódia.

Um punhado de fundos com taxas de administração baixas e alguns títulos de renda fixa podem trazer uma grande economia nesse sentido, mantendo a diversificação.

5. Mesmo conservadores deveriam ter uma pequena parcela em ativos com mais risco

Mesmo os investidores conservadores deveriam ter uma parcela, ainda que mínima, em renda variável e outros ativos de risco, a fim de capturar uma rentabilidade um pouco superior à taxa básica de juros e fazer seu patrimônio crescer de forma mais robusta no longo prazo.

Mas isso não quer dizer que você precise agredir o seu emocional. Para algumas pessoas, perdas são emocionalmente intoleráveis, ainda que apenas em uma pequena parte do patrimônio e sem graves consequências para o desempenho da carteira como um todo.

Mesmo que essas pessoas entendam o papel do risco na carteira, às vezes é difícil lutar contra as emoções.

6. Quanto maior o patrimônio, mais importante é diversificar

Quanto maior for o seu patrimônio, mais importante será a diversificação. Quando o investidor ainda tem poucos recursos para investir é difícil diversificar adequadamente, sendo mais eficiente concentrar o patrimônio.

Por isso, consultores de investimentos recomendam a concentração em renda fixa conservadora até que o investidor tenha um montante grande o suficiente para investir em outros tipos de ativos.

Publicado por Genial

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