O juro é o custo do dinheiro. Basicamente, a taxa de juros é o preço que os tomadores de empréstimos pagam aos emprestadores para poderem usar um dinheiro que não é seu.

É possível comparar um empréstimo de dinheiro a um aluguel de imóvel. Quem tem um imóvel desabitado ou um quarto sobrando em casa pode alugar o espaço para quem precisa em troca de uma remuneração mensal.

Da mesma forma, quem tem recursos sobrando e que não serão usados imediatamente pode emprestá-los para quem precisa de dinheiro naquele momento, em troca de um juro.

Os empréstimos têm prazos combinados entre as partes. Depois de certo tempo, o emprestador deve receber seu dinheiro de volta, o chamado principal. O juro é uma espécie de compensação pelo risco de o emprestador tomar um calote do tomador, isto é, por ele não ter acesso direto ao seu dinheiro.

Os juros também servem de incentivo para que aqueles que têm dinheiro sobrando não o deixem parado e decidam emprestá-lo para quem precisa.

As partes de um empréstimo podem ser pessoas físicas, jurídicas ou mesmo o setor público. Se você empresta dinheiro para o seu irmão, trata-se de um empréstimo entre pessoas físicas. Já se você financiar um imóvel no banco, trata-se de uma pessoa jurídica emprestando para uma pessoa física.

Um banco pode emprestar para uma empresa, por exemplo, num caso de empréstimo entre pessoas jurídicas. E tanto bancos quanto empresas, fundos de investimento e até você podem emprestar dinheiro para o governo.

Quando se fala em empréstimo ou financiamento, as pessoas logo pensam em empréstimo direto: o banco libera os recursos e o tomador vai pagando as parcelas com os juros.

Mas investimentos de renda fixa também são empréstimos. Nesses casos, o tomador emite um título, adquirido pelo emprestador. Esse título assegura ao emprestador o direito de receber seu dinheiro de volta nas condições acordadas, além de ganhar uma taxa de juros já definida.

É assim que são feitos os empréstimos para o governo federal. O Tesouro Nacional emite os chamados títulos públicos, que são comprados por investidores – pessoas físicas, bancos e fundos de investimento, por exemplo.

Empresas devidamente habilitadas podem emitir títulos chamados debêntures, que são negociados no mercado de capitais.

Os bancos também usam os títulos para captar recursos para as suas atividades. São papéis como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), Letras Financeiras (LFs), entre outros. Entenda melhor o que é um CDB.

Os títulos de renda fixa privada, como são chamados os títulos de bancos e empresas, também podem ser comprados por fundos de investimento, e muitos deles são acessíveis também a pessoas físicas. Talvez seu banco já lhe tenha oferecido algum.

Mas talvez a forma mais conhecida de empréstimo a bancos seja a caderneta de poupança. Não se trata de um título, mas parte do dinheiro que você deixa na poupança é usada pelo banco para fazer empréstimos e financiamentos. Em troca, o poupador é remunerado.

Os juros que os bancos cobram ao emprestar para pessoas e empresas são maiores do que aqueles que eles pagam a seus credores – as pessoas, empresas e fundos que têm CDBs e dinheiro na poupança, por exemplo. É essa diferença, o chamado spread bancário, que gera o lucro da atividade.

Juros simples e compostos

Juros podem ser simples ou compostos. Eles são expressos em taxas percentuais válidas para um período, como 1% ao mês, 10% ao ano ou 0,1% ao dia.

É possível converter as taxas de um período para outro, como passar uma taxa expressa ao mês para uma expressa ao ano ou vice-versa.

Os juros simples incidem apenas sobre o valor emprestado. Por exemplo, em um empréstimo de 100 reais com taxa de juros de 1% ao mês, o custo mensal do juro será de apenas um real, por se tratar de 1% de 100. Assim, ao final de 12 meses, a quantia devida de juros é de 12 reais.

Já os juros compostos incidem sobre o valor emprestado mais os juros do período anterior, daí a se dizer que se trata de juros sobre juros. Assim, em um empréstimo de 100 reais com taxa de juros de 1% ao mês, no primeiro mês será devido um real, que somado ao montante dará 101 reais.

No segundo mês, os juros serão de 1,01 real, que é 1% de 101 reais. O montante sobe, então, para 102,01 reais. No terceiro mês, os juros serão de 1,02 real, que é 1% de 102,01 reais. O montante sobe para 103,03 reais, e assim por diante.

Ou seja, ao final de 12 meses, o valor dos juros por esse empréstimo de 100 reais será de 12,68 reais.

O sistema de juros compostos é o mais comumente adotado no Brasil para empréstimos, financiamentos e investimentos em renda fixa. Ele é mais rentável para os credores do que o sistema de juros simples, quando comparadas taxas equivalentes.

A taxa Selic e os juros

Os juros são livremente pactuados entre as partes, mas costumam ser fortemente influenciados pela taxa básica de juros. No Brasil, essa taxa é a Selic.

A taxa Selic é a taxa média de juros dos financiamentos diários realizados entre instituições financeiras e que têm lastro em títulos públicos federais. Em outras palavras, é a taxa média de juros dos empréstimos feitos entre os bancos para os quais eles deixam títulos como garantia.

A taxa Selic praticada pelas instituições financeiras é variável, pois depende da oferta e demanda por empréstimos entre elas.

Contudo, o Banco Central estabelece uma meta para essa taxa, revista de tempos em tempos. O BC atua no mercado comprando ou vendendo títulos para fazer a Selic convergir para a meta que ele estabelece. Assim, a entidade controla a quantidade de moeda que circula na nossa economia.

Quando a quantidade de moeda é mais farta, a taxa de juros cai, pois o dinheiro fica mais barato; quando a quantidade de moeda é menor, a taxa de juros sobe, pois o dinheiro fica mais caro.

A subida e a descida da Selic têm o objetivo de controlar a atividade econômica e a inflação por meio da influência nos empréstimos e financiamentos.

Se a Selic sobe e o dinheiro em circulação se torna mais escasso e mais caro, a tendência é que também subam as taxas de juros de empréstimos e financiamentos – e ao mesmo tempo das aplicações financeiras usadas para captação de recursos.

Isso desestimula o consumo e a tomada de crédito, assim como torna as aplicações de renda fixa mais atraentes do que outros investimentos. Consequentemente, a atividade econômica desaquece e a inflação também tende a diminuir.

Se a Selic cai, ocorre o oposto: o crédito se torna mais barato e farto, estimulando o consumo e o investimento, aumentando a atividade econômica e podendo elevar a inflação.

Em outras palavras, a Selic é a taxa de juros da economia, e em geral os empréstimos e financiamentos têm suas taxas de juros influenciadas por ela. Neste post, explicamos melhor o que é a Selic e como ela afeta o seu bolso.

Publicado por Genial

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