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Tesouro Selic ou Prefixado: qual o título público mais conservador?

Por 22 de março de 2016 Nenhum comentário

O investimento em títulos públicos federais, comumente feito pelo Tesouro Direto, é o mais conservador da nossa economia, pois tem garantia do governo. Porém, ainda que os riscos de calote e liquidez sejam baixos para todos os títulos, há títulos públicos com maior ou menor risco de mercado, que é o risco de oscilação de preços. A dúvida mais comum em relação a essa questão é sobre qual é o título público mais conservador: o Tesouro Selic (LFT) ou os prefixados (LTN e NTN-F)?

Há vários motivos para um investidor querer se manter conservador. O momento econômico e político pode não ser propício à tomada de risco, seu objetivo pode ser de curto prazo ou ter data marcada, sua idade pode ser avançada ou simplesmente seu coração não aguenta os altos e baixos do mercado.

Seja qual for o motivo, é bom conhecer suas opções de baixo risco e acertar na escolha. No Tesouro Direto, o que pega na hora de investir é o risco de mercado. Há papéis cujos preços oscilam mais e papéis cujos preços oscilam menos. E com alguns deles, é possível ter perdas em algumas circunstâncias.

Uma confusão comum

O Tesouro Direto oferece basicamente três tipos de títulos: os pós-fixados (Tesouro Selic), os prefixados (Tesouro Prefixado) e os atrelados à inflação (Tesouro IPCA+).

Os pós-fixados têm sua remuneração atrelada à taxa básica de juros, a Selic. Eles prometem pagar, no vencimento, a variação da Selic do dia da compra até a data de vencimento. Como não existe bola de cristal, o investidor não sabe exatamente quanto vai receber no final, havendo apenas estimativas.

Os prefixados pagam uma remuneração já conhecida no ato da compra. Por exemplo, 12% ao ano, 15% ao ano, 9,5% ao ano, e por aí vai. Assim, o investidor sabe exatamente quanto vai receber no vencimento.

Já os papéis atrelados à inflação pagam, no vencimento, uma taxa de juros prefixada mais a variação da inflação medida pelo IPCA durante o período de investimento. Algo como 6% ao ano mais IPCA, 5,3% ao ano mais IPCA ou 7,6% ao ano mais IPCA.

Muitos investidores iniciantes são imediatamente atraídos para o Tesouro Prefixado, acreditando que seja o título público mais conservador. Afinal, esses papéis são aparentemente mais fáceis de entender, e o investidor já sabe, na hora da compra, quanto vai ganhar no final. Essa simplicidade é confundida com baixo risco.

O título público mais conservador

Mas essas premissas estão erradas. Na verdade, o título público mais conservador do Tesouro Direto é o pós-fixado atrelado à Selic.

Não dá para negar que os prefixados são simpáticos. Não há surpresas para o investidor na data de vencimento. Mesmo quem se debruça a entender um pouco mais sobre o funcionamento do título vê que ele é relativamente fácil de compreender.

No site do Tesouro Direto, você pode descobrir que um título Tesouro Prefixado (LTN) sempre vale mil reais no vencimento. Assim, se a taxa de juros é positiva, ele sempre será comprado por um valor inferior a mil reais. A rentabilidade que ele promete é justamente o que falta para chegar a esses mil reais.

Assim, o prefixado que hoje paga 13,51% ao ano pode ser comprado por 705,04. Os 294,96 reais que faltam para completar mil reais é o valor que corresponde aos juros de 13,51% ao ano.

Um pouco confuso, mas nada terrivelmente complicado. Até porque você não precisa fazer conta nenhuma – o preço e a remuneração atual do título são conhecidos na hora da compra. Você só precisa verificar se o valor de resgate no vencimento satisfaz aos seus propósitos.

Para o investidor que busca simplicidade e não quer fazer contas nem se planejar muito, os prefixados parecem ser o caminho. Mas simplicidade não é sinônimo de baixo risco.

Riscos dos prefixados

Os títulos prefixados têm alguns riscos que os pós-fixados não têm. Se o investidor ficar com o prefixado até o vencimento, é certo que ele vai receber a rentabilidade acordada. Porém, isso não é necessariamente uma coisa boa.

Se a inflação subir muito, por exemplo, ele pode acabar tendo uma rentabilidade acima da inflação muito baixa, ou até negativa, caso a inflação no período chegue a ultrapassar a rentabilidade acordada.

Talvez, no mesmo prazo, outras aplicações de baixo risco tenham rendido mais, e esse investidor perdeu a oportunidade de investir nelas.

Já se a taxa básica de juros (Selic) subir muito no período, outras aplicações conservadoras, com remuneração atrelada à Selic, podem ficar mais atrativas do que o prefixado comprado quando a Selic estava mais baixa.

Quem comprou um prefixado quando a Selic estava em 7,25% ao ano garantiu uma rentabilidade bem menos interessante do que a remuneração das aplicações pós-fixadas depois que a taxa de juros passou a 14,25% ao ano.

Assim, ao fixar uma rentabilidade pelo prazo de alguns anos – e geralmente os títulos públicos oferecidos às pessoas físicas têm prazos longos assim – o investidor se expõe ao risco de o cenário econômico mudar e aquela rentabilidade deixar de ser interessante.

Mas então bastaria vender o título e migrar os recursos para outra aplicação, certo? É bem verdade que você pode vender os prefixados a qualquer momento. Mas é aí que mora o maior perigo.

Ao vender o papel antes do vencimento, não há qualquer garantia de que o investidor vai receber a rentabilidade acordada. Ele pode ter um rendimento maior ou menor, e em certos casos, pode até ter rentabilidade negativa. Em outras palavras, pode perder dinheiro.

E geralmente, isso vai acontecer justamente no momento em que ele gostaria de vender. Os títulos públicos são negociados a preço de mercado, e seus preços, bem como sua remuneração, são influenciados pelas perspectivas para a taxa Selic.

Como são calculados os preços dos prefixados

No caso dos prefixados, se a perspectiva para a Selic for de alta, a remuneração atual dos títulos sobe, mas seus preços caem, para que eles continuem valendo mil reais no vencimento. Assim, quem já tinha prefixados na carteira verá seus papéis desvalorizarem. É o que se chama de marcação a mercado.

Ou seja, se vender seus papéis, esse investidor terá perdas. Nesse caso, não se trata de ganhar menos do que outras aplicações, perder para a inflação ou perder oportunidades em outros investimentos, mas de perder dinheiro mesmo: vender o papel por um preço menor do que comprou.

É por isso que, dependendo da magnitude da mudança nas perspectivas para a Selic, pode ser melhor se resignar e ficar com o papel até o vencimento.

É claro que o contrário também ocorre. Quando a expectativa é de queda na Selic, a remuneração dos prefixados cai e seu preço sobe. Nessas circunstâncias pode ser vantajoso vender antes do vencimento. Há gestores de fundos profissionais que se dedicam apenas a ganhar dinheiro dessa forma, aliás.

O prazo do papel também influencia na intensidade com que seus preços variam. Quanto maior o prazo, maior a volatilidade. Isso se deve ao fato de que é mais difícil prever o que vai acontecer no longo prazo. Assim, quanto mais distante o vencimento, mais nebulosas são as previsões para a taxa básica de juros.

Títulos atrelados á inflação são similares aos prefixados

Por terem uma parte da remuneração prefixada, os títulos atrelados à inflação apresentam risco similar. Seus preços oscilam pelo mesmo motivo, fazendo com que o rendimento do investidor possa ser negativo caso ocorra uma venda antes do vencimento.

Só que esses títulos não estão expostos ao risco de perder para a inflação, pois sua remuneração é corrigida pelo IPCA. Assim, para o investidor que carrega o título até o vencimento, esses papéis garantem uma rentabilidade acima da inflação.

Quem já comprou um título Tesouro Prefixado ou um Tesouro IPCA+ no Tesouro Direto talvez já tenha se assustado com as variações do seu investimento no dia a dia. As perspectivas para a Selic variam diariamente, e os preços dos títulos também, o que se reflete na sua carteira.

Investidores desavisados podem ficar decepcionados e até apreensivos por conta disso, mas não é preciso sair correndo. Se sua intenção é não ter perdas de jeito nenhum, mantenha o título até o vencimento, ou venda apenas quando a diferença entre o preço de venda e o de compra for positiva.

Tesouro Selic é melhor para quem quer resgatar a qualquer momento

Mas se você acha que pode precisar resgatar seu dinheiro a qualquer momento, ou simplesmente quer ter essa opção sem ter dor de cabeça, o título público mais conservador é o Tesouro Selic (LFT).

Se carregado até o vencimento, o Tesouro Selic paga algo próximo da Selic do período. Se vendido antes do vencimento, será pago o preço de mercado do papel. Porém, as flutuações de preço do Tesouro Selic são bem menos intensas.

É por isso que este papel é indicado até mesmo para atuar como substituto mais rentável da caderneta de poupança. Ele é adequado para aplicações de curto prazo e até reservas de emergência.

É claro que, ao comprar um Tesouro Selic, o investidor não sabe exatamente a remuneração que vai receber no vencimento. Apenas no resgate a Selic do período será conhecida. É por isso que muitos investidores torcem o nariz para este papel.

No entanto, ficar indexado à Selic, pouco exposto ao risco de mercado e com alta liquidez é a coisa mais conservadora que um investidor pode fazer.

A Selic é o parâmetro de todos os investimentos

Ganhar próximo à variação da Selic não é nada mau, pelo contrário. Essa taxa é a referência para a remuneração de todos os demais investimentos brasileiros.

A taxa básica de juros é considerada a “taxa livre de risco” da economia. Os investimentos menos arriscados e de maior liquidez, como é o caso do Tesouro Selic, têm remuneração próxima à taxa básica, enquanto os mais arriscados devem pagar uma rentabilidade superior à Selic para valerem a pena.

Além disso, é possível ter uma ideia da remuneração de um Tesouro Selic, embora não seja possível conhecê-la com certeza. Para isso, basta que o investidor conheça as expectativas do mercado para a taxa básica de juros.

Por exemplo, é possível saber se o mercado espera que a Selic suba ou caia no futuro próximo por meio dos relatórios Focus, emitidos pelo Banco Central semanalmente. Eles reúnem a opinião de analistas ligados a instituições financeiras sobre as perspectivas econômicas brasileiras.

A remuneração paga pelos prefixados também é uma pista. Em tese, a rentabilidade atual de um Tesouro Prefixado (LTN) é bem próxima da expectativa do mercado para a Selic até a data de vencimento do título.

Tesouro Selic é porto seguro em tempos de turbulência

Quando a expectativa é de alta na taxa básica de juros ou em períodos de grande incerteza, o título público mais conservador é mais indicado que um prefixado.

Em geral, podemos esperar altas nos juros quando a inflação está subindo. Ou, ainda, quando é preciso desacelerar a atividade econômica.

Prefixados e títulos atrelados à inflação se saem melhor quando a perspectiva é de queda na Selic e melhora na economia.

Podemos esperar cortes na Selic quando a inflação está baixa e controlada, ou quando é preciso estimular a produção e o consumo.

Entenda melhor o funcionamento de cada título público e saiba como investir no Tesouro Direto.

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