É comum que os investidores ainda não saibam o que é o termo CAGED, já que se trata de um sistema trabalhista limitado ao ambiente empresarial. Contudo, ele traz informações que servem como base de estudos referentes ao mercado de trabalho.

Por meio desses dados, é possível produzir indicadores que permitem acompanhar o cenário econômico atual e fazer projeções sobre a atividade econômica, influenciando as decisões de investimentos. É por esse motivo que todo investidor deve conhecer o conceito.

Pensando nisso, nós, da Genial Investimentos, preparamos este artigo para você entender o que é CAGED e como ele pode contribuir com suas escolhas ao investir. Boa leitura!

O que é o CAGED?

Para facilitar o acompanhamento e a fiscalização do mercado de trabalho formal do país, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) instituiu o CAGED por meio da Lei nº 4.923/65. Essa é a sigla para Cadastro Geral de Empregados e Desempregados.

Trata-se do registro de admissões, dispensas e transferências de trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis de Trabalho (CLT). Assim, qualquer mudança no quadro de colaboradores da empresa deve ser declarada no sistema.

Normalmente, a declaração do CAGED é mensal. Além disso, o documento contendo informações de alterações no quadro de pessoal deve ser lançado no sistema até o sétimo dia do mês subsequente ao do fato gerador.

Entretanto, caso ocorra a contratação de um trabalhador que está recebendo seguro-desemprego, é necessário emitir o documento no mesmo dia do fato por meio do CAGED diário. Desse modo, o benefício é cancelado, evitando pagamentos indevidos aos cidadãos.

Como funciona a entrega do CAGED?

Como você viu, toda organização que tenha admitido, demitido ou transferido um funcionário celetista deve informar essas alterações ao MTE. O envio dessas informações é realizado por meio do eSocial — que você conhecerá adiante.

Os dados que devem ser lançados no CAGED são:

  • identificação da instituição empregadora;
  • identificação e dados do funcionário;
  • tipo de movimentação.

É fundamental que todas as empresas obrigadas a declarar o CAGED realizem o envio das informações no prazo. Dessa forma, os interessados no assunto podem ter acesso a dados sempre atualizados sobre o mercado de trabalho formal do país.

Qual a relação do CAGED com o eSocial?

Depois de aprender o que é e como funciona o CAGED, vale entender sobre o eSocial. Isso porque a declaração deve ser feita obrigatoriamente por meio desse sistema.

O eSocial é a sigla para Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas. Trata-se de um programa desenvolvido pelo Governo Federal por meio do Decreto n° 8.373/2014. O seu objetivo é integrar todas as informações sobre os trabalhadores.

O sistema foi lançado em 2015. No entanto, o programa começou a ser implementado somente em 2018, com previsão de encerramento desse processo para o início de 2023. Portanto, na data final, todas as empresas precisarão ter aderido ao sistema.

Todas as informações lançadas no eSocial são chamadas de eventos e se dividem em 4 grupos. São eles:

  • eventos iniciais: informações do empregador, contribuinte ou órgão público;
  • eventos de tabela: dados gerais, como horários de trabalho, estrutura administrativa, entre outros;
  • eventos não periódicos: fatos que não tem data específica para ocorrer, como admissões, demissões e transferências;
  • eventos periódicos: situações que ocorrem com maior frequência nas empresas, como pagamentos de rendimentos de trabalho e contribuição sindical patronal.

Qual é a importância do CAGED para Governo, empresas e trabalhadores?

Ao conhecer esse cadastro, vale saber que o CAGED pode trazer diversas vantagens para as partes envolvidas. No caso do Governo, ele serve para fiscalizar o cumprimento das obrigações trabalhistas e, assim, ajudar a garantir os direitos dos trabalhadores no país.

Além disso, o CAGED permite ao Governo conhecer a conjuntura do mercado de trabalho. Dessa forma, ele pode tomar decisões estratégicas que contribuam para conter o desemprego e dar suporte aos desempregados. O cadastro também é essencial para a gestão de programas sociais.

Por outro lado, a empresa pode acompanhar o total de admissões e demissões, permitindo calcular a taxa de turnover — porcentagem de substituição de um funcionário por outro. Com isso, ela pode identificar as causas das dispensas para evitar eventuais problemas, como a diminuição na produtividade.

Como o CAGED contribui para a criação de políticas voltadas para a promoção de empregos e a melhoria de projetos relacionados à área, os dados fornecidos pelo cadastro beneficiam os trabalhadores. Afinal, as definições podem ajudar a promover o bem-estar dos profissionais.

Por que o investidor precisa conhecer esse conceito?

Você viu que o CAGED pode beneficiar o Governo, as empresas e os trabalhadores. Porém, o que muitos ainda não sabem é que ele também é útil aos investidores. Isso porque o cadastro ajuda a orientar as escolhas em relação aos aportes financeiros.

Mas como isso acontece? Na prática, o CAGED também é usado para elaborar análises de mercado. Assim, você pode utilizá-lo para saber como está a atividade econômica no Brasil. Afinal, o nível de emprego ajuda a retratar o desempenho da economia de um país.

Desse modo, é possível identificar quais alternativas, seja da renda fixa ou variável, se apresentam como boas oportunidades naquele momento. Portanto, o CAGED traz mais informações para sua tomada de decisão de investimentos.

Como entender a economia por meio do CAGED?

Após compreender por que você, como investidor, precisa conhecer mais sobre o CAGED, é hora de entender a relação entre o nível de emprego e a economia. Em um cenário de alta taxa de desemprego, por exemplo, a renda das famílias é prejudicada.

Com menos recursos financeiros, o consumo por parte da população diminui e, consequentemente, a circulação de dinheiro no mercado cai. Nesse cenário, as empresas tendem a ter menos lucro, impedindo a realização de investimentos que poderiam gerar novos postos de trabalho.

Com as famílias consumindo menos, também há uma redução na arrecadação de impostos. Então, para evitar um déficit fiscal, o Governo pode adotar diversas medidas para equilibrar as contas. Por exemplo aumentar a carga tributária, emitir novos títulos públicos ou cortar gastos.

Contudo, menos investimentos por parte do Estado em áreas essenciais implica na redução da qualidade de vida das pessoas. A falta de incentivo no setor da educação, por exemplo, impede a qualificação do profissional que busca recolocação no mercado de trabalho, ocasionando a falta de renda no longo prazo.

Ademais, medidas desse tipo podem fazer com que a confiança das empresas e consumidores na economia do país diminua. Como resultado, há uma redução das contratações e do consumo — o que pode impactar no índice de desemprego, gerando um ciclo negativo para a economia.

Essa mesma lógica pode ser adotada para compreender como o mercado se comporta em um cenário com baixo desemprego. Ademais, como visto, você pode usá-la para analisar investimentos sempre que for necessário.

Como o CAGED pode ajudar na escolha de investimentos?

Entendeu como o CAGED pode ajudar a entender o cenário macroeconômico? Agora, você verá como as decisões dos consumidores, empresas e agentes públicos impactam o mercado financeiro. Afinal, essas informações podem ajudar nas suas escolhas de investimentos.

Acompanhe!

Renda fixa

Para começar, vale saber o que é renda fixa. Trata-se de uma classe de investimento na qual a regra de rentabilidade é conhecida no momento do aporte. Portanto, na hora de investir, você sabe a taxa ou, ao menos, o índice que será usado na remuneração de uma aplicação.

Os investimentos de renda fixa podem ser classificados em duas categorias principais, conforme o emissor. Saiba mais:

Títulos públicos

São títulos de dívida emitidos pelo Governo com o objetivo de arrecadar dinheiro para financiar suas atividades ou quitar as dívidas. Eles também podem ser utilizados como instrumento para a condução da política monetária nacional.

Isso porque a compra de títulos públicos pela população diminui a quantidade de moeda em circulação, reduzindo a inflação. Afinal, sem dinheiro para gastar, o consumo das famílias cai, incentivando os empresários a baixar o preço dos produtos para conseguir vender.

Já a remuneração dos títulos públicos pode ser prefixada, pós-fixada ou híbrida. Então eles podem remunerar com base em uma taxa fixa, acompanhando a Selic (a taxa básica de juros da economia) ou seguindo uma taxa fixa somada ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — que mede a inflação do país.

O IPCA é definido pelas condições mercadológicas e a Selic por um órgão do Banco Central, o Comitê de Política Monetária (Copom). Para entender a relação entre os índices, considere que o IPCA esteja em níveis elevados.

Para reverter a situação, a Selic pode ser elevada pelo Copom, com o objetivo de reduzir a inflação. Com isso, os títulos indexados à Selic podem ser mais interessantes que aqueles atrelados ao IPCA, aumentando a arrecadação de recursos financeiros por parte do Governo.

Trazendo para o contexto do CAGED, o baixo nível de desemprego tende a manter o IPCA estável, o que pode reduzir os retornos oferecidos aos investidores. Já a situação contrária tende a fazer o mercado entender que a economia se aquecerá, o que pode levar ao aumento da inflação.

Assim, as movimentações na economia podem afetar a rentabilidade do Tesouro IPCA+, do Tesouro Selic e dos títulos prefixados, que precisam se manter atrativos para os investidores. Logo, o CAGED permite fazer projeções que podem auxiliar em suas decisões de investimento.

Títulos privados

Devido à sua importância, a Selic é usada como referência para outras taxas praticadas no mercado — como a alíquota de empréstimos entre bancos. Ela é conhecida como Certificado de Depósitos Interbancário (CDI) e costuma ser usada como base para a rentabilidade de títulos privados.

Eles são títulos de dívidas emitidos por instituições privadas com o objetivo de captar recursos para financiar suas atividades. Portanto, aqui, o investidor empresta dinheiro aos bancos, financeiras e securitizadoras, por exemplo. Em troca, ele recebe o dinheiro de volta, acrescido de juros.

Alguns exemplos de títulos privados são: certificado de depósito bancário (CDB), letra de crédito imobiliário (LCI) e letra de câmbio (LC). Como o CDI acompanha a Selic, essas alternativas têm sua remuneração afetada no caso de mudanças na taxa Selic.

Ademais, como você viu, as movimentações da Selic podem afetar as taxas ofertadas em aplicações prefixadas e híbridas, visando manter os juros atrativos para os investidores.

Renda variável

Os investimentos de renda variável também são afetados pela situação do trabalho formal no país. Isso porque as cotações dos ativos e derivativos dessa classe variam conforme as condições do mercado.

Saiba mais!

Ações

Uma ação é a menor parte do capital social de uma empresa. Ao comprar um papel, o investidor torna-se sócio da companhia e tem direito a participar de seus resultados. Como eles têm relação com o consumo da população, a distribuição dos lucros é afetada pelas condições macroeconômicas.

Nesse sentido, o CAGED revela os impactos do desemprego em companhias de setores diferentes da economia, de formas distintas e em momentos específicos. Por isso, vale incluir esse indicador para analisar os seus aportes no mercado acionário.

Por exemplo, as empresas listadas na bolsa de valores impactadas pelos efeitos do desemprego tendem a vender menos e distribuir menos lucros aos seus acionistas. Isso pode levar a uma diminuição do número de investidores na bolsa, desvalorizando as ações.

Entretanto, o alto nível de desemprego ainda pode indicar um maior risco de inadimplência por parte da população. Para repor as perdas ocasionadas pela falta de pagamento, a taxa de juros cobrada pelos bancos deve ser maior — o que pode ser positivo para o investidor que compra suas ações.

Vale destacar que, diante das movimentações na Selic, a renda variável pode ficar mais ou menos atrativa. Logo, as cotações das ações podem ser afetadas pelas movimentações nas taxas de juros.

Câmbio

Por fim, o desaquecimento da economia tende a fazer investidores estrangeiros buscarem opções mais seguras e rentáveis em outros mercados.

Esse movimento gera a saída de dinheiro do Brasil — o que pode fazer a taxa de câmbio se elevar e desvalorizar o real frente ao dólar.

Caso o investidor possua fundos cambiais, por exemplo, ele pode se beneficiar com a variação do câmbio nesse cenário, já que isso traz a possibilidade de retornos maiores. Essa mesma lógica pode ser aplicada aos investimentos estrangeiros negociados na bolsa.

Esse é o caso do brazilian depositary receipt (BDR) ou exchange traded funds (ETFs) vinculados a indicadores do mercado internacional.

Agora você sabe o que é o CAGED e como os dados fornecidos por ele podem influenciar a dinâmica do mercado. Dessa forma, é possível direcionar melhor suas decisões de investimento. Entretanto, lembre-se de analisar outros indicadores para fazer escolhas fundamentadas.

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