Se neste ano começamos com um cenário de oportunidades e retomada do crescimento econômico, não podemos considerar o mesmo para 2022, que ainda nem começou mas já traz expectativas de ser um ano bastante complexo para o investidor de renda variável, em especial para aqueles que pretendem ser expor em ativos de maior risco como países emergentes (Brasil) e criptoativos devido a maior volatilidades. Mas o que poderia influenciar nas reações dos mercados globais em 2022?

Veja a seguir:

Política monetária nos EUA, redução de estímulos (tapering)

Diante do cenário inflacionário que assombra boa parte das principais economias globais, fruto dos problemas nas cadeias produtivas e excesso de liquidez no sistema financeiro global, acreditamos que o banco central americano ou Ferderal Reserve (Fed) deverá dar continuidade no processo de normalização monetária nos Estados Unidos (EUA), através da redução da compra de títulos e hipotecas no mercado e posterior subida de juros.

Esse cenário tem como objetivo retirar liquidez e assim deverá influenciar no desempenho de ativos mais voláteis. Assim, como esse cenário já é dado como certo, o que irá determinar o seu poder de influência será o ritmo com que o Fed irá fazer isso em 2022.

Hoje está precificado no mercado como cenário base três altas de juros para o ano que vem. E o que irá determinar a velocidade com que esse movimento ocorra serão os dados de inflação nos EUA e a situação do mercado de trabalho.

Inflação, a gente vê por aqui e por lá

Inflação será um dos principais indicadores que serão monitorados em 2022, pois é através dele que os principais bancos centrais globais irão se balizar para a tomada de decisão de políticas monetárias.

Problema nas cadeias produtivas ocasionados por lockdows, falta de mão de obra qualificada e retomada das circulação das pessoas devem pressionar os índices inflacionários e assim servirão de base para que o mercado entenda até onde e como os processos de subida de juros irão ocorrer no mundo desenvolvido. Quando mais devagar o processo, melhor para países emergentes e criptoativos, quando mais rápido, pior.

No início de 2021, previa-se que os EUA encerrariam este ano com inflação próxima de 2%. Em vez disso, está já perto de 7%. Em 2022, mais uma vez, o consenso prevê que a inflação encerre o próximo ano perto dos níveis da meta.

Novas variantes, a COVID-19 em 22

É cedo para um veredicto definitivo sobre a variante ômicron da Covid-19 e até lá ainda poderemos conviver com um cenário de bastante volatilidade. Apesar de ser um risco que deriva de uma variável biológica (o que dificulta bastante tentar prever qualquer tipo de cenário), acreditamos que esse evento seria o de menor probabilidade para 2022. Isso porque o mundo já aprendeu a lidar com o vírus e isso não será um grande surpresa como foi em 2020.

Portanto, devemos monitorar já que a aceitação das vacinas ainda não é unanimidade no mundo e isso faz com que seja possível o surgimento de novas variantes, mas não nos prendermos a esse fator como base da sua tomada de decisão.

China: ou vai ou racha

China está num “mundo a parte”, pois enquanto a maioria dos países está discutindo a redução de estímulos, enxergamos a China já na ponto oposto, o de injeção de estímulos. Depois de um ano desafiador para ativos chineses, acreditamos que a desaceleração e o noticiário negativo sobre o setor imobiliário local possa ter chamando atenção de autoridades chinesas para um ponto de equilibro.

Acreditamos que 2022 pode ser um ano mais produtivo para a China, ano que teremos grandes eventos esportivos e a possível recondução de Xi Jinping como presidente da República Popular da China, cargo exercido desde 2013.

Brasil em ano de eleições presidenciais

Principal evento para o mercado de ações brasileiros, as eleições devem trazer muita volatilidade aos mercados, tornando qualquer estratégia tática de alocação mais complexa diante das possibilidade e cenários eleitorais que temos hoje. A disputa hoje segue polarizada entre o ex-presidente Lula e o atual Jair Bolsonaro, ao mesmo tempo que muitos esperam por uma terceira via capas de tirar o protagonismos dos anteriores. Acreditamos que a situação econômica e sanitária até as eleições será primordial para influenciar na decisão dos brasileiros sobre o futuro presidente.

Cenário econômico para o Brasil em 2022

Publicamos em novembro nossas expectativas para o cenário macroeconômico no Brasil e a situação não é nada favorável. Veja Aqui.

Projeções Macroeconômicas de Longo Prazo

Ibovespa, quanto vale?

Nossa pontuação-alvo para o Ibovespa em 2022 está em 117.400 pontos. Esse nível escolhido tem uma justificativa simples: as possibilidade de cenário para 2022 são amplas e acreditamos que essa pontuação reflete um patamar conservador, abaixo do nível neutro em 129.400, que representa um patamar de equilíbrio numa avaliação dos fundamentos das empresas pertencentes hoje a carteira teórica do Ibovespa excluindo cenário macro Brasil e Estados Unidos.

Sendo assim, avaliamos que a dificuldade de previsão do cenário para 2022 fará com que o investidor tenha uma postura conservadora. E a medida com que o tempo for passando, possibilitando com que o investidor possa ter maior certeza do cenário à frente, ele poderá se aproximar do patamar otimista (neutro em fundamentos) nos 129.400 ou se distanciar do patamar atual. Num cenário pessimista, de aversão a risco tanto global quanto local, o Ibovespa poderia ter como alvo a região dos 87.400.

Estratégia/Alocação para 2022

Renda Fixa: Não tenha “receio” em ser conservador pois esperamos que a Selic fique próxima dos 12% ao ano em meados do ano que vem, assim, se você tem um perfil conservador ou quer estar pronto para oportunidades advindas da volatilidade “use e abuse” de títulos pós-fixados atrelados à Selic e com liquidez diária. Tenha flexibilidade quanto maior a incerteza à frente. Por conta do cenário eleitoral, acreditamos que veremos “espasmos” dos juros de longo prazo durante o período pré-eleitoral. Portanto, fique atento a oportunidade de alocação em títulos pré-fixados ou indexados à inflação. Mas lembre-se de carregar esses títulos até a sua data de vencimento. Tenha planejamento e estratégia.

Renda Variável: Para aqueles investidores que mesmo em um cenário complexo querem estar alocados em Ações/BDRs/ETFs recomendamos a seguinte alocação:

  1. Empresas ligadas à commodities: Uma das maneiras de proteger o seu capital do cenário Brasil pode ser com alocação em empresas exportadoras, cuja receitas dependem muito mais do cenário externo (China, EUA, Europa) do que o interno. Essas empresas podem servir como refúgio diante de um cenário mais adverso envolvendo as perspectivas futurar para o Brasil.
  2. Empresas com crescimento secular: Para aquele investidor capaz de suportar as adversidades do próximo ano exitem diversas empresas que devem continuar entregando crescimento mesmo diante de um cenário macro, fiscal e político desafiadores. Apesar de estarmos recomendando conservadorismo em 2022, para aquele investidor praticante de Buy and Hold, estamos numa janela de ótimas oportunidades para alocação em tranches durante 2022 visando o longo prazo. São nesses momentos de volatilidade que surgem as melhores oportunidades de comprar ações de boas empresas com preços mais justos.
  3. Blue Chips: Para grandes investidores, ter flexibilidade e facilidade para entrar em sair de uma posição será essencial para os próximos meses. Portanto, acreditamos que empresas de grande capitalização podem ser uma figura importante dentro de uma carteira de investimentos em renda variável.
  4. ETF e BDRs: Nos últimos anos a entrada de novos ETF de índices globais e temáticos além da possibilidade do investidor pessoa física de comprar BDRs (recebidos de ações negociadas no exterior) abriu um leque de oportunidade para o investidor local poder diversificar seu patrimônio. Use e abuse dessa oportunidade caso queria não se expor ao cenário local no próximo ano.

Conclusão

Recomendamos cautela ao investidor em 2022 diante do cenário desafiador que esperamos à frente. Não é momento para sermos heróis ou heroínas, é momento de termos estratégia e saber atuar no momento correto. Acompanhe os materiais que serão produzidos até o final do ano contemplando nossas recomendações diretas em ações (GENOMA e Carteira Analisa) e Fundos Imobiliário. Iremos buscar como estratégia principal, alocações em ativos de alta liquidez (renda fixa e renda variável), dolarizados e para aqueles mais arriscados que tenham boa assimetrias de preços.

Abuse da diversificação e não tenha medo de ficar de fora da festa.

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