É comum a associação entre investimento em renda fixa e baixos riscos. No entanto, é preciso considerar que essa classe não é completamente segura. As aplicações, mesmo sendo conservadoras, também têm riscos — umas mais e outras menos.

Logo, se você investe em renda fixa, é preciso conhecer os perigos envolvidos para conseguir tomar boas decisões. Isso também ajuda a adotar estratégias para se proteger desses riscos e evitar a perda de capital.

A seguir você conhecerá os principais riscos de perder ou deixar de ganhar dinheiro na renda fixa. Acompanhe e entenda como se proteger deles!

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Como funciona o investimento em renda fixa?

Antes de conhecer os riscos da renda fixa, é preciso entender como essa classe de investimentos funciona. Afinal, ela costuma ser a porta de entrada do mercado financeiro, então investidores ainda inexperientes tendem a optar por ela.

Os investimentos em renda fixa consistem em empréstimos de dinheiro a instituições, como bancos, empresas ou o Governo. Em troca de disponibilizar seu capital, o investidor tem uma remuneração a ser paga pelo emissor do título.

A forma de calcular os ganhos já é conhecida previamente. Assim, quem investe em renda fixa tem a promessa de remuneração no prazo estipulado. Isso deve ocorrer ainda que as condições de mercado mudem ou que a fonte pagadora tenha prejuízo no período, por exemplo.

Portanto, conhecer as opções disponíveis, como títulos atrelados ao IPCA acrescido de uma taxa pré, por exemplo um CDB que remunere a IPCA+ 5,50%, e acompanhar a evolução da inflação é fundamental para se proteger da desvalorização do dinheiro.

Por fim, as aplicações com maior risco na renda fixa são as de crédito privado, pois não têm cobertura do FGC. É o caso de certificados de recebíveis imobiliários CRIs, CRAs e as Debêntures.

É preciso considerar, ainda, que há emissores com maior e menor risco de crédito em todos os tipos de investimentos. Uma grande e sólida empresa normalmente tem risco de calote inferior a uma empresa média já com endividamento elevado, por exemplo.  – O investidor pode acompanhar o rating corporativo do emissor e o rating da própria emissão para ter ideia de qualificação de risco.

De modo geral, o rendimento prometido na hora da compra de um título de renda fixa só é garantido se o investidor mantiver o investimento até o final do prazo. Se houver vender antes do vencimento, pode ser preciso abrir mão de parte da rentabilidade e do principal.

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Quais são os riscos e como se proteger deles?

Por seu funcionamento, a renda fixa é uma classe que proporciona investimentos previsíveis e relativamente seguros. No entanto, ainda há riscos envolvidos e que devem ser considerados pelos investidores no momento do aporte.

Entenda a seguir quais são esses riscos e as possibilidades de perder dinheiro com a renda fixa. Além disso, você conhecerá estratégias para se proteger de cada um deles. Confira:

1. Perdas em relação à inflação

A primeira consideração em relação às perdas na renda fixa diz respeito à possibilidade de rentabilidade abaixo da inflação. Nesse sentido, é preciso conhecer o conceito para entender como lidar com ele.

A inflação se caracteriza pelo aumento gradual dos preços de produtos, bens e serviços do mercado brasileiro. Ela possui diversas causas, como determinadas políticas econômicas, a alta demanda de consumidores ou a baixa oferta dos fornecedores.

No Brasil, a inflação é medida oficialmente pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Esse indicador calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) considera a média de preços de uma cesta de produtos para todas as classes econômicas.

Dessa forma, se o investimento escolhido rende menos do que a inflação acumulada no período, o investidor está, na verdade, perdendo poder de compra. Aqui, é essencial falar sobre a aplicação financeira mais popular do Brasil: a caderneta de poupança.

Apesar de não ser anunciado, a poupança é um empréstimo para o banco. Ele usa os recursos para financiar sua principal atividade — conceder empréstimos a pessoas e empresas. Como contrapartida, a instituição paga uma remuneração a quem aplicou na poupança.

Mas a remuneração da poupança está entre as mais baixas do mercado. Com isso, é muito comum que em certos períodos ela fique abaixo da inflação. Logo, a caderneta faz com que o dinheiro dos investidores perca poder de compra.

Assim, mesmo que você veja o montante aplicado aumentar, ele está valendo menos do que antes. Afinal, com a inflação é preciso de mais dinheiro para comprar os mesmos itens que se comprava antes com uma quantia menor.

2. Como se proteger?

Se os investidores não podem controlar a inflação, como se proteger dessa perda de poder econômico do investimento? Existem diversas estratégias para isso. Na renda fixa, é necessário ter atenção ao escolher os títulos.

Para evitar a perda de dinheiro pela corrosão do poder de compra, você pode ter o objetivo de superar a inflação. Nesse sentido, títulos atrelados ao IPCA podem ser considerados. Como você viu, esse é o índice oficial da inflação brasileira.

Logo, se o seu investimento rende de forma idêntica ou superior ao IPCA, você está garantindo a manutenção do poder de compra. No entanto, também considere os impostos e taxas pagas para conhecer a rentabilidade real final.

Ao fazer isso, você pode conhecer alternativas que serão mais benéficas para o seu patrimônio. Como vimos, a poupança, apesar de ser uma aplicação acessível, prática e isenta de Imposto de Renda, traz maior risco de perda para a inflação.

Por outro lado, existem títulos de renda fixa que também apresentam essa facilidade e segurança, mas com rentabilidade superior. Portanto, conhecer as opções disponíveis e acompanhar a evolução da inflação é fundamental para se proteger da desvalorização do dinheiro.

3. Risco de crédito

Como você viu, as aplicações de renda fixa funcionam como empréstimos. Então, se o devedor tiver complicações financeiras, ele pode não pagar seus credores, certo? Nesse caso, o investidor pode levar calote.

O risco de calote — ou risco de crédito, como também é chamado — pode ser maior ou menor, dependendo do tipo de aplicação. Por exemplo, o menor risco do Brasil é encontrado nos títulos públicos oferecidos pelo Tesouro Direto, que são emitidos pelo Governo Federal.

Outras opções de menor risco são as aplicações de renda fixa privada emitidas por bancos e financeiras. Isso acontece porque elas têm garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Trata-se de uma instituição que pode restituir o investidor em certos casos.

As aplicações mais comuns com essa cobertura são os certificados de depósitos bancários (CDBs), as letras de crédito imobiliário (LCIs), as letras de crédito do agronegócio (LCAs) e as letras de câmbio (LCs).

Por fim, as aplicações com maior risco na renda fixa são as de crédito privado, pois não têm cobertura do FGC. É o caso de certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) e as debêntures.

É preciso considerar, ainda, que há emissores com maior e menor risco de crédito em todos os tipos de investimentos. Uma grande e sólida empresa normalmente tem risco de calote inferior a uma empresa média já com endividamento elevado, por exemplo.

Quem investe em fundos de renda fixa também deve ter atenção aos riscos de crédito diferenciados. Aqueles que investem mais em títulos públicos têm risco menor do que os fundos que aplicam mais em títulos de renda fixa privada.

4. Como se proteger?

Você já sabe que o risco de crédito está ligado diretamente ao emissor do título e à capacidade dele em honrar os pagamentos. Desse modo, a primeira forma de proteção é a análise aprofundada do devedor e seu histórico.

Então, se você quer manter o risco de crédito o mais baixo possível, pode considerar os títulos do Tesouro Direto. Afinal, já vimos que a possibilidade de o Tesouro Nacional se tornar inadimplente é a menor na renda fixa.

Você também viu que diversos títulos possuem a garantia do FGC. Essa entidade privada é mantida pelas instituições financeiras e visa garantir a segurança do sistema financeiro nacional, fornecendo uma espécie de seguro ao investidor.

A garantia do FGC tem limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira em caso de inadimplência do emissor do título. Ainda, há uma garantia global de R$ 1 milhão por CPF que se renova a cada quatro anos.

Logo, observando esses limites, o investidor tem a garantia de que seu investimento, e a rentabilidade, serão devolvidos em caso de problemas com o emissor. Essa pode ser uma forma de evitar maiores riscos de perda.

Caso a sua estratégia seja correr um pouco mais de risco para ter mais rentabilidade, escolha com muita sabedoria o título. Em casos nos quais não há cobertura do FGC, vale a pena pesquisar sobre a empresa para conhecer as chances de calote.

Se você busca um investimento menos arriscado, também é possível avaliar os fundos de renda fixa com portfólio variado. Um benefício importante desse veículo é a diversificação de títulos na carteira, o que pulveriza o risco de crédito e ajuda a se proteger.

5. Risco de liquidez

O terceiro risco importante que o investidor deve considerar na renda fixa é o de liquidez. Esse conceito é um dos tripés dos investimentos, junto com a rentabilidade e a segurança.

Ela diz respeito à facilidade com que o investimento pode ser transformado em dinheiro pelo investidor. Na renda fixa, podemos falar da liquidez como a possibilidade de realizar o resgate do capital investido.

Cada título pode ter determinada liquidez. Alguns apresentam liquidez diária, permitindo resgates a qualquer momento. Outros têm liquidez somente no vencimento. Assim, não é possível ter acesso fácil ao dinheiro antes do prazo.

Nesse cenário, diversos títulos de renda fixa não permitem o resgate antes da data de vencimento combinada. Dessa maneira, a única possibilidade de conseguir transformá-los em dinheiro diz respeito à negociação no mercado secundário.

O mercado secundário é aquele em que as transações ocorrem entre investidores. Então você não resgata o título com o emissor, mas o vende a outro investidor. Portanto, essa venda depende de encontrar interesse de outras pessoas em relação ao título.

E fique atento: mesmo entre as aplicações que permitem ao investidor resgatar o dinheiro antecipadamente com liquidez alta, a rentabilidade paga pode não ser exatamente aquela que foi contratada. Em muitos casos, isso ocorre por conta da marcação a mercado.

Veja como funciona:

Marcação a mercado

De modo geral, o rendimento prometido na hora da compra de um título de renda fixa só é garantido se o investidor mantiver o investimento até o final do prazo. Se houver vender antes do vencimento, pode ser preciso abrir mão de parte da rentabilidade.

Dessa forma, é possível perder parte do dinheiro investido mesmo sem haver calote. Isso ocorre porque alguns títulos de renda fixa sofrem a chamada marcação a mercado, caso você queira vender o seu título e resgatar antecipadamente.

Ela acontece especialmente com títulos prefixados ou híbridos — cuja taxa tem uma parte fixa. Nesses casos, o preço dos títulos é atualizado diariamente, a partir da realidade econômica do momento. Assim, ele pode se tornar mais ou menos vantajoso.

O preço desses títulos flutua diariamente de acordo com a oscilação da taxa básica de juros, a Selic. De uma forma geral, quando os juros têm perspectiva de alta, os preços dos títulos caem, e quando os juros têm perspectiva de queda, os preços sobem.

Com isso, o valor recebido em caso de venda antecipada pode estar mais interessante do que a taxa contratada. Por outro lado, ele também pode estar menor. Assim, há o risco de perder dinheiro em relação ao que foi prometido — ou mesmo de ter prejuízo sobre o que aplicou.

Vale ressaltar que esse risco ligado à marcação a mercado só existe para resgates antes do prazo da aplicação. Quando o investimento é resgatado somente na sua data de vencimento, a remuneração será exatamente aquela acordada na data da compra.

Como se proteger?

Como você já entendeu, o risco de liquidez nos títulos de renda fixa é presente quando não há possibilidade de resgate antecipado. Então uma forma de se proteger dele é avaliando os prazos dos investimentos e evitando comprometer um dinheiro que você precisará.

Portanto, uma das maneiras de não se expor à marcação a mercado e a chances de perda é se planejar para manter a aplicação até o vencimento. Se não for uma possibilidade para seus objetivos ou situação financeira, busque alternativas com liquidez alta.

Ainda, tenha sempre atenção à marcação a mercado. Mesmo títulos com liquidez diária, como os títulos públicos prefixados e aqueles indexados à inflação, trazem risco em resgate antecipado. Já o Tesouro Selic é o mais seguro para liquidez diária no Tesouro Direto.

Apesar de trazer bastante segurança para os investidores, a renda fixa ainda possui riscos. Logo, saber como se proteger e montar estratégias para não perder dinheiro é fundamental para seus investimentos.

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